sábado, dezembro 29, 2007
Proximidades
C.S. Lewis once corresponded with a woman who had converted to Catholicism. What Lewis wrote to her, I would like to say to Francis Beckwith: “It is a little difficult to explain how I feel that though you have taken a way which is not for me, I nevertheless can congratulate you—I suppose because of your faith and joy which are so obviously increased. Naturally, I do not draw from that the same conclusions as you—but there is no need for us to start a controversial correspondence! I believe we are very dear to one another but not because I am at all on the Rome-ward frontier of my own communion. I believe that in the present divided state of Christendom, those who are at the heart of each division are all closer to one another than those who are at the fringes.”

(via Pranto e Ranger de Dentes)

Luís
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quinta-feira, dezembro 27, 2007
Trojan Horse in the City of God

If we consider certain things that Kierkegaard has to say about faith, about the fundamental religious attitude, and if we then turn to a number of articles by Catholic priests and laymen published in recent years, we cannot escape the impression that these writers not only have lost their Catholic faith, but also no longer understand the very nature of religion based on divine revelation.

Indeed, we are tempted to ask if these "progressive" Catholics ever had a true religious experience, if they ever experienced the elementary confrontation with the absolute Lord: the fear and trembling before the infinitely holy God and the blissful encounter with Christ, the Epiphany of God. Are they capable of understanding the words of Pascal's memorial:

GOD OF ABRAHAM GOF OF ISAAC GOD OF JACOB NOT THE GOD OF 
PHILOSOPHERS AND LEARNED MEN
GOD OF JESUS CHRIST
HE IS ONLY TO BE FOUND THROUGH THE GOSPEL
GREATNESS OF THE HUMAN SOUL
JOY JOY JOY TEARS OF JOY
JESUS CHRIST
JESUS CHRIST
I HAVE SEPARATED FROM HIM I HAVE RUN AWAY FROM HIM
I HAVE DENIED HIM CRUCIFIED HIM
TOTAL AND SWEET RENUNCIATION ETERNALLY JOYFUL FOR ONE
SINGLE DAY OF RENUNCIATION ON EARTH

This book is adressed to all those who are still aware of the metaphysical situation of man, to those who have resisted brainwashing by secular slogans, who still possess the longing for God and are still conscious of a need for redemption. It is adressed to those who have not yet become deaf to the voice of Christ amid the noisy huckstering of cheap and shallow formulas, to those whose minds are not spellbound by the alleged coming of age of modern man, to those not caught in the turmoil of the contemporary puberty crisis. This book seeks to appeal to those in whom a sense of real depth, of grandeur, is to be found; to those who can still see the abyss that separates Plato from a Russell, a Shakespeare from a Brecht, a Newman from a Robinson.

We are convinced that the great majority of Catholics have not yet been confused by slogans, that they are not yet swimming in the typical pride that rests on the immature illusion that man has come of age. We are furthermore convinced that many outside the Church hold to the true realism concerning man's metaphysical situation - a realism that can also be found in Plato's Phaedo and Phaedrus. We mean the consciousness of the mysterious rupture in man's nature, of his being simultaneously "but a reed, the weakest of nature" (Pascal), and the lord of creation. This is a realism that does not overlook the inner conflict in man, but senses that man is in need of redemption.
Against this background we shall try to shed light on the confusions, apostasies, disclosures of loss of faith that are to be found among those who trumpet forth the claim that they are the true interpreters of the Council. Against the background of true realism, of the very core of religion, of the good tidings of the Gospel, we shall try to examine all the horrible errors that are being propagated now by the so-called "progressives".

May God grant us grace so that our minds may again be enlightened by Christ, the divine truth, and our hearts inebriated by the ineffable holiness of the God-man. May God grant Catholics the grace to experience again what is written in the Preface of Christmas: By the mystery of the Word made flesh, from thy brightness a new light hath risen to shine on the eyes of our soul in order that God becoming visible to us, we may be borne upward to the love of things invisible.

If this book contributes in a modest way to dispelling the choking fog of secularization and to opening the eyes of souls to the glory of Christ and the true "sentire cum ecclesia," I would consider it the greatest unmerited gift of God:

Despite not thy people, O almighty God,
When they cry out in their affliction, but graciously
Succor them in their tribulation for the glory of
Thy name through our Lord Jesus Christ.

Dietrich von Hildebrand - Trojan Horse in the City of God (Introduction)

Luís

P.S.: O puro prazer intelectual (e espiritual) de estar com acesso à maior biblioteca teológica do mundo é indescritível mas senti-me na obrigação de o partilhar convosco desta forma. Acho que nunca li tão avidamente na minha vida. O Concílio a que von Hildebrand se refere é o Vaticano II claro, e a data de publicação do livro, pasme-se, é de 1967.

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segunda-feira, dezembro 24, 2007
O sorriso de Deus

Lost Art

Na História, que é a das religiões, o Homem sempre procurou Deus.
Com o nascimento de um menino, encontrou-o.
O Natal é um sorriso de Deus num mundo que teima em prosseguir com teofanias desnecessárias e egoísmos aterradores.
Sem esse sorriso a vida humana seria apocalíptica.
O Tempo seria apenas uma espera sem sentido, a miséria aceite e aceitável e a opressão tolerável e tolerada.

O menino que nasceu, na terrível maioria das grandes cidades da Ásia, da África, da América Latina, não tem sequer um palheiro para acolher seus pobres pais, mas apenas um viaduto de betão perante a indiferença dos que passam nos automóveis.
O berço é uma caixa de cartão forrada de jornais em que as manchetes falam de consumo.
E mesmo assim, quando crescer, esse menino pregará, como o outro nascido há mais de dois milénios, a Fé para recriar a Esperança, o nosso maior grito mitológico.
Um grito não fanático, não subjugado, mas a única resposta para a nossa amargura e abandono, acreditem...

cbs do dia de Natal de 2005 (adaptado do saudoso Victor Cunha Rego, in "Os dias de amanhã" 1999)

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sábado, dezembro 22, 2007
Sem Inferno o Natal é mesmo o das rabanadas, bacalhau com batatas, prendas e sms…
Pecado é a pessoa dizer a vida inteira a Deus: “Vai-te embora, deixa-me em paz”.
Inferno é Deus, por fim, respondendo a essa pessoa: “O teu desejo foi atendido”. É Deus deixando a pessoa à sua mercê, de acordo com o que ela escolheu.

C.S. Lewis

Antes do menino nascido em Belém, não havia quem nos livrasse do pecado, do Inferno. Morto e ressurrecto, o menino, entretanto crescido, fez aquilo que nós não podíamos fazer. Agora há esperança: “Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo”.

Pedro Leal
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quinta-feira, dezembro 20, 2007
Eu sei que não tenho razão
Foi pela razão que Hitler revolucionou a face de Alemanha.
Foi pela razão que o Dom Henriques entrou na prática de escravatura.
Foi pela razão que o imperador do Japão lançou o ataque contra os EUA.

(e ainda, Iraque, Kosovo, Zimbabue, etc.)

Para todos os efeitos, os acima mencionados exerceram a lógica e aplicaram a razão para chegar a conclusão de que iam beneficiar, que estavam a fazer o que era melhor para os seus países.

Foi para chamar atenção à importância essencial de fé que Jesus limpou o templo...

Foi pela fé que Martino Lutero revolucionou a face de cristianismo.
Foi pela fé que William Wilberforce mudou a economia do mundo ocidental.
Foi pela fé que cheguei a conhecer o meu criador.

Foi para chamar atenção à primazia de fé que Jesus disse ao paralítico: “Os teus pecados estão perdoados...” e ainda “levanta-te e anda.”

Nem tudo é racional e a razão nem sempre nos leva às conclusões mais acertadas, mas a fé leva-nos até ao pé de Quem as tem.

Quando a razão me conduz até a beira do abismo, a fé implora-me para não saltar.
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táxi para a Encarnação (2)
Diz o imenso Joseph Ratzinger, nosso bem amado e sapientíssmo Papa:

Não havemos de compreender melhor Jesus e chegar mais perto d’Ele colocando a sua divindade entre parêntesis. Encontra-se muito disseminado o receio de que a fé na sua divindade O afaste de nós. Mas se separarmos Cristo de Deus, por detrás dessa atitude estará também a dúvida se é possível que Deus chegue tão perto de nós, que Ele se possa rebaixar tanto. Parece ser humildade mas a maior humildade consiste em admitir que Deus pratica mesmo aquilo que nos parece impróprio. Se Deus não está em Cristo, então há-de afastar-se para uma distância incomensurável, e se Deus deixa de ser um Deus connosco, então é um Deus ausente, ou seja, deixa na verdade de ser um Deus: o Deus que não pode actuar não é Deus. Quanto ao temor de que a fé na filiação divina de Cristo O afaste demasiado de nós, é preciso dizer que é precisamente o contrário: se Ele foi apenas um ser humano, então ficou inapelavelmente para trás na história. Mas se Deus assumiu realmente um ser humano em Jesus, então Este participa, como homem, do presente de Deus, que abarca todos os tempos. Só então Ele deixa de ser apenas de ontem para estar presente no meio de nós, hoje.
(da «Introdução ao Cristianismo»)

josé
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táxi para a Encarnação (1)
Diz o grandecíssimo Paul Johnson aqui citado:

The Incarnation is the most delightful, human, visually beautiful and delicate of all Christian beliefs. The idea of God’s son coming to earth in the womb of a virgin, and being born in a manger, is beyond the power of any mortal imagination to invent and is so obviously true that anyone who denies it must have the feelings of a brute.

josé

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quarta-feira, dezembro 19, 2007
Logro...
Aviso ao leitor:
ao ler as palavras que se seguem, não se deixe enganar. Isto não é cristianismo. De tipos assim está o inferno cheio...

"Se queres saber em que consiste e donde provém o verdadeiro bem, vou dizer-to: consiste na boa consciência, nos propósitos honestos, nas acções justas, no desprezo pelos bens fortuitos, no ritmo tranquilo e constante de uma vida que trilha um único caminho." Lúcio Aneu Séneca

Repito para os mais desatentos: isto que acabou de ler não é o Evangelho!

Tiago Oliveira
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terça-feira, dezembro 18, 2007
Marquem nas vossas agendas


Tiago Cavaco
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segunda-feira, dezembro 17, 2007
promoção de Natal
Trentistas católicos e protestantes, povo em geral. Aqui este vosso amigo está numa de rei mago e vem aqui trazer-vos uma prenda de Natal. Ei-la:


Um livro do caraças escrito pela Flannery O’Connor, uma católica solitária, perdida em pleno bible belt evangélico. Traduzido por alguém cujos dotes de tradução são bem conhecidos. Uma sucessão estonteante de parábolas sempre a subir até culminar no fabuloso Os coxos hão-de entrar primeiro. Um bálsamo para cristãos inteligentes e ateus burros, um cilício para cristãos burros e ateus inteligentes. Para quem já leu Um bom homem é difícil de encontrar, é ainda melhor. Para quem já bebeu o Sangue Sábio, é muito mais tragável. Toca a comprar, é da Cavalo de Ferrro, uma muito estimável editora.

josé

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sábado, dezembro 15, 2007
Boa actuação
A minha filha fez de Maria na peça de Natal do Jardim de Infância. Tanto quanto sei, a primeira Maria protestante na história da instituição. E saiu-se bem. Uma cotovelada ao estilo Paulinho Santos na colega Estrela de Belém que, insatisfeita com a posição secundária, se pôs à frente, realçou a humanidade caída da mãe de Jesus e a necessidade que também ela teve do sacrifício redentor do filho.

Pedro Leal
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segunda-feira, dezembro 10, 2007
Corroborando o que o Timshel escreveu, provavelmente com intuitos romanamente dúbios
"O radicalismo nasce sempre de um ódio consciente ou inconsciente contra o existente. O radicalismo cristão, que foge do mundo ou tende a melhorá-lo, provém do ódio contra a criação. O radical não consegue perdoar a Deus a sua criação". Escreveu-o Dietrich Bonhoeffer, o canonizado do momento em minha casa.
Eu, que sou radical, sei do que falo.

Tiago Cavaco
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sábado, dezembro 08, 2007
obcessões de um papista (1)
Recordo um excerto da mensagem do Papa Bento XVI para o Dia Mundial da Paz do ano passado:

"Bem vistas as coisas, o niilismo e o fundamentalismo relacionam-se de forma errada com a verdade: os niilistas negam a existência de qualquer verdade, os fundamentalistas avançam a pretensão de poder impô-la com a força. Mesmo tendo origens diversas e sendo manifestações que se inserem em contextos culturais distintos, o niilismo e o fundamentalismo têm em comum um perigoso desprezo pelo homem e a sua vida e, em última análise, pelo próprio Deus. Com efeito, na base deste trágico recurso está, em definitivo, a falsificação da verdade plena de Deus: o niilismo nega a sua existência e providencial presença na história; o fundamentalismo fanático desfigura a sua face amorosa e misericordiosa, substituindo-O por ídolos feitos à própria imagem."

timshel
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sexta-feira, dezembro 07, 2007
A Cautela Razoada da Cosmovisão, Ou o Morninho e Vomitável Meio-Termo da Fé?

CBS, para o teu Bergson chega sempre o meu CS Lewis, mano amado, e provando-o, eis, de seguida, uns quantos de pareceres muito à propos, vindos do apologeta que tal forma admiro, que até liberta a fã acnosa e decibélica dos Beatles que há dentro em mim; se bem que uma da espécie rarefeita, dessa que pulsa por intelectualidade cristã:

'(...) Life-force philosophy, or creative evolution, or emergent evolution. The wittiest expositions of it come in the works of Bernard Shaw; but the most profound ones, in those of Bergson. People who hold this view say that the small variations by which life in this planet evolved from the lowest forms to man were not due to chance, but to the striving, or the purposiveness of a life-force. When people say this, we must ask them if either by life-force they mean something with a mind, or not. If they do, then a mind bringing life to an existence and leading it to perfection is really a god; and if their view is, thus, identical with the religious. If they do not, then where is the sense in saying that something without a mind strives, or has porpuses? This seems to me fatal to their view.

One reason why so many people find creative evolution so attractive is that it gives one the emotional comfort of believing in God, and none of the less pleasent consequences. When you're feeling fit, and the sun is shining, you do not want to believe that the whole universe is a mere mechanical dance of atoms, it is nice to think of this big mysterious force rolling on through the centuries, and carrying you on its crest. If, on the other hand, you want to do something rather shabby, the life-force, being only a blind force with no morals or no mind, will never interfer with you, like that troublesome god we learned about when we were children. This life-force is some sort of tamed god: you can switch it on when you want, but it will not bother you.

All the thrills of religion, and none of the cost.


Is the life-force the greatest achievement of wishful-thinking the world has yet seen?'


Paz.

Nuno Fonseca
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Justiça
São umas atrás das outras. Agora foi no Porto. Três indivíduos, com longo cadastro, sovaram e ataram a um poste outro indivíduo que depois tentaram imolar. O móbil do crime foi o roubo de alguns euros. A vítima ficou com queimaduras graves nas costas e no peito e teve que ser internada no Hospital Magalhães Lemos com problemas psicológicos decorrentes do ataque. À luz do novo Código de Processo Penal, os agressores aguardam julgamento em liberdade e o coordenador da Polícia Judiciária que emitiu o mandado de detenção enfrenta um processo-crime por prisão ilegal.
O Humanismo reina e os cristãos contemporizam. Os filhos de Rousseau fazem as leis. E quando se acredita mais no Homem do que em Deus a Justiça está sobre permanente ameaça.

Pedro Leal
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quinta-feira, dezembro 06, 2007
Uma teoria da religião 4: Elogio
Henri Bergson tem uma filosofia evolucionista. Cedo influenciado pelo evolucionismo naturalista de Herbert Spencer, acaba por divergir da mecânica darwinista do seu inspirador de juventude; e irá mais longe de forma diferente, criando um evolucionismo espiritualista, que identifica o processo contínuo da evolução com o devir da consciência (a duração).
Na “evolução criadora”, seu livro principal, a vida é apresentada como uma torrente de consciência (élan vital) que se insinua na matéria subjugando-a, mas mantendo-se ao mesmo tempo condicionada por ela.

“Na realidade, a vida é um movimento, a materialidade é o movimento inverso, e cada um destes dois movimentos é simples, uma vez que a matéria que forma um mundo é um fluxo indiviso, como indivisa é a vida que a atravessa, recortando nela seres vivos. Destas duas correntes, a segunda opõe-se à primeira; não obstante a primeira obtém alguma coisa da segunda; daí resulta aquele modus vivendi que é, precisamente, a organização(Évolution créatrice, p. 271)

Acompanho este filósofo em quase toda a linha. Á medida que o fui lendo, e amando, pensava para mim próprio: dizes tudo o que sinto e que gostaria de ter sido eu a dizer. Literalmente tiras-me as palavras…
Mas apesar de “Les deux sources de la morale et de la religion” estar entre os livros do mestre que mais aprecio, onde que a escrita elegante – prémio Nobel em 1927 – se transforma abertamente numa oratória criativa, é também aqui que reside a parte mais frágil e menos bem justificada da sua filosofia.
Essa fragilidade na teoria da religião de Bergson, aparece-me nitidamente em quatro questões essenciais:

Em primeiro lugar, a entidade divina que pretensamente é intuída pelos místicos das diversas religiões, e que Bergson utiliza como prova da existência de Deus, é no mínimo teologicamente muito discutível.
Contudo, nisto estou com totalmente com ele. Acrescentaria até que outros místicos hão-de intuir o mesmo Deus único, noutras humanidades por essas galáxias fora; Não manifesto de todo “a tendência humana, ao falar de Deus” de “colocarmo-nos como centro dessa descoberta” de que fala o Tiago Oliveira; vejo a nossa humanidade, nesta “pale blue dot”, como apenas uma entre outras “Africas”, “Américas” e “Oceanias” da imensidão cósmica.

Em segundo lugar parece haver um panteísmo pressuposto na mística de Bergson. O filósofo identifica com alguma facilidade a substancia do humano com a substância de Deus, fala de um impulso vital que “é divino se não for o próprio Deus”. Repete a ideia panteísta e romântica, que liberdade humana se identifica com a espontaneidade criadora da força cósmica.
Esta identificação não pode ser aceite por nenhuma das três religiões do Livro – muito menos pelo catolicismo, para onde foi a simpatia de Bergson no fim da vida – e nenhuma delas pode considerar o universo como “uma máquina de fazer deuses”, os próprios homens, como se lê em “Les deux sources”.
Deus é distinto e antecede a Sua Criação e o Homem - que aliás também não se identificam em absoluto. Cristo reafirma essa distinção entre Criador e Criação e consequentemente faz cair qualquer panteísmo hipotético.

Em terceiro lugar a questão da natureza de Jesus que na filosofia biológica de Bergson é o místico por excelência, um Supra-humano. A natureza de Jesus assim imanente, tem até algum paralelo com o Super-homem nietzscheano, ignorando a natureza transcendente, e una do Filho com o Pai.
Em quarto lugar a questão do Mal na moral absoluta bergsoneana.
O filósofo parece aceitar a necessidade da morte e a inevitabilidade das catástrofes como uma lei inexorável da dialéctica universal, consequência do livre jogo em que se cruzam o impulso vital e a restrição da materialidade, élan vital versus matéria. E no mesmo passo ignora a existência do Sedutor, da voz oposta a Deus por trás da tentação humana; parece ignorar o crime, o mal intencional que existe para lá da Natureza.

Nestes três últimos pontos não acompanho o mestre.

Mas por outro lado – e nisso o admiro – num momento em que a mecânica avassaladora do racionalismo positivista triunfava sobre a espiritualidade, ensinou-nos a recolocarmo-nos no conjunto da Criação, a sentirmo-nos em comunidade com o Universo. Reafirmou, de uma forma original, a validade da religião e da intuição de Deus, reconheceu a experiência mística como forma de subtrair o homem à condição radical da incerteza, e ofereceu-nos uma “certeza” razoavelmente justificada sobre o futuro humano.
Bergson oferece-nos uma concepção francamente optimista do mundo, através da filosofia, reforçando a religião:

“Existe um optimismo empírico que consiste simplesmente em verificar dois factos: em primeiro lugar, que a Humanidade julga boa a Vida no seu conjunto porque está ligada a ela; em segundo lugar, que existe uma alegria sem mescla, situada para lá do prazer e da dor, que é o estado de alma definitivo do místico.” (Deux Sources, pag. 280)
cbs

posted by @ 5:27 da tarde   1 comments
quarta-feira, dezembro 05, 2007
em direcção a uma Antropologia Teológica: God´s Image

Não há teologia bíblica sem antropologia. Deus não tem uma história celeste fora da história do homem. Da árvore do bem e do mal até à segunda vinda, Deus existe ligado ao homem.
Jesus assume-se sempre nos sinópticos como O Filho do Homem: que significa um homem, um homem como eu, ou apenas eu.
Este título pode significar a fragilidade humana mas também a força e propósito da humanidade criada por Deus. Em Daniel onde o título se encontra pela primeira vez, a figura do Filho do Homem contrasta com uma série de impérios dominadores, desumanos e cruéis que se sucedem na história da humanidade. O Filho do Homem - a quem se entrega um reino eterno, divino e com características de justiça, onde o ser humano não pode ser explorado, desumanizado - é claramente um homem e não um Deus ou semi-Deus.

Jesus apresenta-se como o Filho do Homem, não um Deus ou semi-Deus. A mensagem de Jesus que se desvincula de qualquer poder secular é no entanto na sua essência profundamente política. Na verdade a mensagem jesuânica faz eco da mensagem profética do AT: “Misericórdia quero e não sacrifícios!” Ser filho do homem tornava Deus muito próximo do homem comum, com as suas necessidades e direitos de justiça e dignidade. Por isso - no cenário pascal de Jerusalém, e muito antes das dogmáticas cristãs - Jesus teve que morrer, não porque era filho de Deus, mas porque era o Filho do Homem.

Sim, Paulo –bastião último de qualquer evangélico que se preze - começa de Deus para o homem, como qualquer um de nós tem que fazer, mas Deus começa pelo homem: arranca-o do pó, sacode os grãos de chão, sopra-lhe o vento divino, fá-lo à sua imagem e semelhança. Chama-lhe amigo, guia-o, liberta-o, sofre por ele, promete-lhe justiça e paz. Jesus, o Filho do Homem, olha-o com fraternidade, eleva-o acima das prisões que o próprio homem constrói, e mais uma vez – como aliás sempre: ouve, olha, sente a condição humana e oferece-lhe adopção, glória, vida eterna…

Temos naturezas diferentes: Os homens “matam” Deus, Deus dá-lhes vida. Mas como conheceremos a Deus senão pelos 5 sentidos humanos?
a Beguina
pintura: Leszek Forczek
posted by @ 7:34 da tarde   4 comments
Uma teoria da religião 3: O Supra-humano
Henri Bergson diz que o grande místico é o símbolo do Supra-humano, de uma humanidade que ainda não existe, querendo dizer que a transformação que essa alma experimentou, afigura-se uma morte seguida de ressurreição. A força que o invade é para ele a marca de uma presença: “Vem então uma imensidão de alegria, êxtase em que se absorve ou encantamento que experimenta: Deus está ali, e ela está Nele” (Les Deux Sources, p. 243)

Esse herói da vida mística possui um poder de contágio espantoso. Pela manifestação de uma simplicidade genial é capaz de arrastar as massas humanas. Ao lado do testemunho místico, as teologias e os actos de culto não são mais que ecos longínquos.

Mas um testemunho repousa sobre a qualidade da testemunha, e os santos cristãos escutam o apelo de Alguém na origem do Cristianismo; Cristo inverteu a queda elevando de novo a Vida, imprimindo-lhe uma redenção. Se pensarmos em Cristo como o místico supremo, essa redenção da Vida humana toma todo o sentido.

Segundo Bergson, o Cristo dos evangelhos é o Místico por excelência, e aqui o que conta não é a identidade histórica, mas que um “humano”, inverteu a moral – Cristo e não Nietzsche – lançando o discurso do Amor, revolucionando a concepção de poder: Eu não vim para ser servido, mas para servir.
E foi na montanha que melhor soaram as mais "absurdas" palavras, que ficaram para sempre a ecoar entre as gerações: Bem aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos céus…

Os santos de que se rodeou foram homens dignos do Seu esforço criador, que irão expandir pelos séculos a chama que Ele trouxe; “o Amor que o consome já não é o amor de um humano por Deus, é o Amor de Deus por todos os homens” (Les Deux Sources, p. 247)
cbs

posted by @ 6:07 da tarde   7 comments
Ciência e Fé.

Numa reportagem para Os Fazedores de Letras, jornal académico da Universidade Clássica de Lisboa, compareci à plenária mensal do GBU, Grupo Bíblico Universitário, sob o tema 'Ciência e Fé', tutorada pelo cientista cristão Dr. Vinoth Ramachandra, doutorado em engenharia nuclear pela London University e autor do livro 'The Scandal of Jesus', e comprovei da edificação intelectual e espiritual minha e a dos meus irmãos de fé, e diga-se, de ciência.

Nessa reunião, na Sala de Exposições da Faculdade de Letras, a premissa era a da relação entre ciência e fé, e do como aquilo que chamamos científico, antes de ser comprovado na sua factualidade, dependeu sempre duma inclinação de fé, vinda de evidências por matematizar, medir, testar. Ramachandra declarou que o próprio impulso humano para o estudo do Universo é fundado na crença de que o nosso espaço é inteligível, observável, embora não compreensível na sua totalidade à mente do homem, limitada pelos seus padrões de cálculo e linguagem da nossa percepção, das quais a realidade exterior não é refém.

Logicamente, a existência duma inteligência na Criação subentende um Criador inteligente (Salmos 19:1), o que explica o deísmo dos nomes que sempre perfilarão nos manuais dos nossos filhos, como Einstein, Newton, Galileu. O primeiro lastimava-se da falta de logicidade dos pensadores que não compreendiam este silogismo vero, ao dizer 'O mal dos nossos cientistas é que são péssimos filósofos', pois 'Ao observarmos uma pintura, é óbvia a existência dum pintor'. Mas ainda há quem creia que a eureka pessoal de Newton adveio da maçã que lhe tombou na fronte e, por osmose, lhe introduziu a gravitação universal e as três leis do movimento, e não por verificar, baseado na observação, experimentação e cálculo, que a fé das suas evidências era, após comprovação, factual.

Se considerarmos, enquanto crentes, a história da ciência humana, deparamo-nos com um catálogo de erros na debate entre fé e secularismo, e não é nova a preferência de certo cristão, por conformidade ou preguiça intelectual, concordar com o secular, e não com a Palavra. Afinal, tal aconteceu milénio e meio, até à emergência de Galileu, que era veemente nas suas evidências que a Terra era redonda e suspensa sobre o vazio, não sem ser silenciado por esta 'cristandade secular', que conforme às ciências do homem, preferia aceitar a planura do planeta, desdenhando a Escritura:

'Ele é o que está assentado sobre o círculo [heb. huob, também 'esfera'] da terra' (Isaías 40:22)
'O norte estende sobre o vazio; e suspende a terra sobre o nada' (Job 26:7).

Permitam-me, pois, estabelecer o paralelo entre este episódio histórico e o debate criacionismo vs/ darwinismo no qual o comum homem, a par do Dr. Vinoth Ramachandra, são guerreantes. Batalha essa que não se trava entre fé contra ciência, mas antes, e por falta de factos científicos pela impossibilidade humana de os demonstrar, entre duas fés. Ilustrando e subscrevendo, um dos mais sinceros crentes da evolução, premiado com o Nóbel da sua categoria, disse:

'I will not accept that [criacionismo] philosophically, because I do not want to believe in God, therefore I chose to believe in that which is scientifically impossible: spontaneous generations rising to evolution'.
-- WALD, George, 'Biochemical Science: An Inquiry Into Life'

Assim, esperemos que as nossas fés se debatam, mas com a honestidade e objectividade que a ciência obriga, tendo a Lógica, que é o centro de todo o saber humano, como único testador das nossas crenças, donde, por mão humana, ou por vontade divina, como é o veredicto dos cristãos, se obviará a Verdade, e, verdadeiramente, como Jesus diz, a Verdade nos libertará (João 8:23).

Bons estudos.

Nuno Fonseca

[post-scriptum: Parabéns, Tiago C. Deus abençoe a tua casa.]
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terça-feira, dezembro 04, 2007
Uma teoria da religião 2: a dinâmica mística
Henri Bergson a par de uma moral fechada, imutável e conservadora, vê uma outra moral aberta centrada na doação livre e não na obrigação. Esta ultima tem origem numa emoção original, o êxtase místico, um contacto com o Criador que transforma e faz responder a um apelo. As duas morais correspondem a tipos distintos de religião: a primeira origina uma religião estática, com o peso do mito e da magia; a segunda resulta numa religião dinâmica, supra-intelectual, que o filósofo define como Mística. É oposta à religião estática na origem, no modo de acção e no fim; parte do sobrenatural e propaga-se por uma atracção amorosa; separa o homem da Natureza prometendo-lhe uma condição diferente da espécie biológica.
O Bergsonismo é uma filosofia da percepção e assim, se Deus existe, deve ser experimentado, e não objecto de uma demonstração intelectual. Deus é um dado imediato da alma que experimentou uma ascese: o místico tem a intuição de Deus.

O misticismo antigo, tanto o platónico como o oriental, era de contemplação: não acreditava ainda na eficácia da acção humana. Mas a mística completa dos grandes santos cristãos é acção; para eles não é um ponto de chegada, mas o ponto de partida para a acção eficaz no mundo.

Porque crêem tê-Lo percepcionado, os grandes místicos não guardarão para si, tentarão dar testemunho da descoberta aos outros. Apelam para algo que existe latente em nós, querem passar o facho para que cada alma, por sua vez, se ilumine também; e mesmo quando não chegam aos outros, a sua força criadora tende a subtraí-los ao formalismo da religião estática, produzindo formas intermédias de religião.

O amor do santo pela humanidade é o próprio Amor de Deus: é um amor que não problematiza nem congela em mistérios, mas jubilosamente continua a obra de criação divina; armado com uma sensatez actuante e saturada de bondade, o santo é um apaixonado, e nunca um fanático.
Pode ser difícil verificar o que afirmam esses homens, mas podemos também notar a concordância dos seus testemunhos que, não transportando uma certeza definitiva, trazem contudo uma probabilidade – diferente, mas não tão longe assim, da “certeza” científica – que permite pelo menos justificar a esperança.
O acordo entre os místicos, não só os santos cristãos, como os de outras religiões, é “o sinal de uma identidade de intuições, que se pode explicar do modo mais simples, pela existência real do Ser com o qual crêem estar em comunicação”
(Deux Sources, p. 265).

A alma mística é o eixo da vida religiosa e a experiência mística fornece a única prova possível da existência de Deus: “Deus é Amor e é objecto de amor: aqui reside toda a Mística” (Deux Sources, pag. 270)
cbs

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Em direcção a uma Antropologia Teológica. First things first.
É tendência humana, ao falar de Deus, colocarmo-nos como centro dessa descoberta. O Eu torna-se o centro para a existência de Deus e a Sua descoberta. Chamemos-lhe (como alguns o fazem) de Teologia Antropológica. Tomemos Séneca, o estóico, como exemplo.

Consideremos a possibilidade de uma Antropologia Teológica. Deus é o centro e o Homem a Sua criação. Neste ponto de vista, a medida do conhecimento do Homem faz-se conhecendo Deus e não vice-versa. Tomemos o Apóstolo Paulo como referência.

Também aqui somos, por vezes (senão tantas vezes – veja-se este mesmo blog), mais estóicos do que cristãos. Citando Sevenster, o pensamento de Paulo segue assim: “Paul never writes about this subject from a theoretical anthropological interest… even when he does write about man he is really concerned with one thing only: God’s salvation in Christ.” Ou, tão simplesmente: “Paul does not refer to man without referring to God and Christ. Anthropology is indissolubly bound up with the whole of Paul’s kerigma.”

Para Paulo a compreensão do Homem faz-se a partir de Deus. Mas, pela nossa tendência egocêntrica: “when there is a lack of anthropological material, a strong inclination arises to determine exactly how much anthropological information can be distilled from the relatively few passages that seem to possess anthropological significance. But with his passages this becomes immediately obvious that such an interest in really out of proportion to Paul’s own interest in this subject, and the anthropological aspect, witch is certainly not of prime importance in his texts, is being placed in the foreground.”

Em Séneca, mesmo que não o conheçamos muito aprofundadamente, é fácil perceber o contraste com Paulo a partir do título das suas obras. O Homem é o centro das suas considerações. Veja-se: De Vita Beata, De Tranquillitate Animi, De Constantia Sapientis, De Otio, De Brevitate Vitae, De Ira, Epistulae Morales… É o Homem, a sua felicidade, a sua paz de espírito, a sua constância, as suas emoções. Deus (ou a Natureza, ou divindade, ou a razão, ou seja o que lhe chamar) aparece como secundário em relação ao Homem e as suas considerações sobre aquele são todas Antropo-lógicas.

Finalizando: “Séneca always speaks first of man and from man’s point of view and only in connection with this – and then usually in passing – does he speak in the divinity; for Paul, what God as done, does and will do in Christ is always of prime importance and man is only mentioned insofar as is necessary in this connection.”

A respeito disto me ouvirão noutra ocasião.

Tiago Oliveira
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segunda-feira, dezembro 03, 2007
Uma teoria da religião 1: a rigidez totémica
Henri Bergson escreveu o essencial da sua filosofia em quatro livros:
“Ensaio sobre os dados imediatos da consciência”
1889, “Matéria e Memória” 1896, “A evolução criadora” 1907 e “As duas fontes da moral e da religião” 1932.
Foi neste último, que expôs uma teoria sobre moral e a religião, convidando-nos a distinguir aquilo que denominou por moral e religião fechadas, de uma moral e religião abertas, disciplinas do absoluto.
Segundo o filósofo, as sociedades primitivas eram sociedades fechadas, nas quais o sujeito actuava unicamente como parte de um todo, com uma abertura mínima à iniciativa individual. Aí a ordem social modela-se pela ordem material, com regras rígidas a que o indivíduo se conforma automaticamente. Essas regras ou obrigações morais equivalem a hábitos gerados na sociedade para garantir a integridade e sobrevivência do corpo social (estamos longe do imperativo categórico de Kant).

O que na outra grande linha da evolução animal, a Natureza realizou mediante o instinto, dando origem á colmeia e ao formigueiro, na linha da inteligência realizou-o mediante o hábito; um hábito de contrair hábitos com a mesma regularidade do instinto. Esta exigência vital no curso da evolução humana, originou uma função fabuladora que explica os sistemas de mitos (este tema será retomado mais tarde pela antropologia, apartir de Abram Kardiner e dos culturalistas americanos) e as superstições religiosas.
Segundo Bergson, a inteligência humana, dirige-se fundamentalmente ao fabrico de instrumentos artificiais, mas ameaça sempre voltar-se contra a própria vida. Porque o ser inteligente é levado a pensar apenas em si mesmo e a desprezar os laços sociais. A religião é uma reacção defensiva da Natureza, contra o poder dissolvente da inteligência; os seus mitos e superstições servem para impelir o homem para os semelhantes, subtraindo-o ao egoísmo em que a inteligência o faz cair.
Além disso, a inteligência mostra-nos claramente a nossa natureza mortal, e isso representa para uma mentalidade primitiva um segundo perigo, contra o qual reage a religião com o culto dos mortos e a crença na imortalidade.
Em terceiro lugar, a inteligência faz-nos perceber a imprevisibilidade do futuro, o carácter aleatório de todos os nossos empreendimentos. A religião exerce aqui também uma função defensiva, dando ao homem o sentido de uma protecção sobrenatural, que o subtrai à incerteza e perigos do futuro.
Finalmente, nas sociedades primitivas a religião fornecia, mediante crenças e práticas mágicas, a possibilidade de influenciar a natureza de uma forma superior à que o homem podia alcançar pela técnica.

Uma religião assim constituída alivia aquilo que há no exercício da inteligência, de deprimente para o indivíduo e de dissolvente para a sociedade; É uma religião natural no sentido de que é um produto da evolução antropológica, mas é também uma religião estática pois restringe a liberdade criadora do impulso da vida (élan vital), aquilo que permite ao homem ascender e superar a materialidade.
Segundo Bergson, uma tal religião é infra-intelectual.
cbs

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