sexta-feira, janeiro 30, 2009
Rezo pelo Papa
Existe na psiquiatria, psicologia e ciências afins dois termos que designam uma realidade difícil. São eles "conflito positivo" e "conflito negativo". O conflito positivo ocorre quando queremos e podemos fazer bem a alguém mas existem vários candidatos e apenas podemos, por força das circunstâncias factuais, fazer bem a um, implicitamente excluíndo os restantes (ou então não fazendo bem a nenhum). O conflito negativo ocorre quando existe algo de mal que vai necessariamente ocorrer e apenas podemos escolher a quem é que o mal vai cair (o exemplo típico no direito penal é o caso do agulheiro que vendo um comboio ir contra outro com muitas pessoas apenas tem a possibilidade de o desviar para uma linha onde irá embater contra outro comboio com menos pessoas do que aquele contra o qual iria colidir se não interviesse).

Qual o lugar do amor, a essência do cristianismo, o único Mandamento que o Senhor nos deixou, nesta dura realidade?

Todos nós, mais cedo ou mais tarde, somos confrontados com este tipo de conflitos terríveis. O Santo Padre está a viver neste momento, de um modo mediático, um desses conflitos, ao integrar os nossos irmãos tradicionalistas de Lefebvre comprando simultâneamente um conflito com os nossos irmãos judeus.

Sei por experiência própria que neste tipo de conflitos apenas podemos rezar.

timshel
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quinta-feira, janeiro 29, 2009
Re-flexão-zinha: verdades
Essa decisão de duvidar, que foi o princípio da Ciência, o que é senão um acto mimético e semelhante, mantidas as devidas proporções, ao acto pelo qual Deus cria a verdade?
A nossa decisão de duvidar sistematicamente, exprime um poder infinito, o de rejeitar até as proposições em que acreditávamos piamente.
Mas terá fundamento?
Porque esse poder infinito de duvidar de tudo, é um mero poder negativo; quando chegar o momento de construir, essa construção, sendo livre sem qualquer espécie de dúvida, é livre só naquilo em que eu pude abster-me, naquilo em que eu pude recusar a minha adesão.
Contudo, as verdades a que finalmente cheguei - continuando a acreditar piamente numa outra verdade, a da racionalidade universal - as ideias claras que consegui encadear entre as dúvidas, vou encontrá-las já feitas; foram criadas, antes de eu as descobrir: eu descubro, eu reconstruo, eu até re-crio… mas não fui eu quem as criou.
cbs
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A verdade vos libertará
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A Verdade vos libertará

"Disse, pois, Jesus aos judeus que haviam crido nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará." João 8:31-32
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Procura-se. Vivo ou morto. (intervalo :))


Parece que não mas este criminoso tentou assaltar à mão (?) armada e roubar um Mazda 323 (uma viatura de boa memória).

A perigosidade do suspeito (até decisão judicial com força de coisa julgada, todos se presumem inocentes) é aliás manifesta no ar sinistro revelado na fotografia.

Contudo, por detrás deste caso isolado esconde-se uma realidade bem mais ameaçadora. Como refere o dragão, se esta poderosa tecnologia da bodefacção cai nas mãos dos terroristas, a ameaça que pesa sobre a humanidade é grave. Certamente que os criminologistas e outros especialistas que costumam falar nos telejornais irão em breve avançar novos elementos sobre todos os perigos que se aproximam.

Igualmente grave é a ameaça que paira sobre os caprinos (e bem mais grave para os humanos) se os estados "civilizados" se lembram de promulgar mais legislação anti-terrorista para prevenir a possibilidade de os terroristas virem a usar esta nova tecnologia. A seguir o preço do cabrito nos supermercados.

timshel
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terça-feira, janeiro 27, 2009
Estreia do ano
Não tenho escrito e venho logo mandar disparates, eu sei, mas não resisto partilhar o que ouvi sem querer na fila de caixa número 23 do hipermercado...

Cliente para a caixa: O que se chama um plano de estímulo económico na ordem de 800 bilhões?

Caixa, sem pausa alguma: uma "Obamanação"

Nem sou a favor nem contra o novo presidente (logo se vê), mas uma coisa está clara... estou ainda no Texas onde o Bush é recebido como heroi "contudo e todos."

Scott
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sábado, janeiro 24, 2009
deslizes
"Ter-se-á escrito quase à tripa forra que o Sr Cardeal apenas disse o que a maioria dos católicos pensam e diriam, do alto do seu bom senso, aos seus filhos. Ora fodasse; católico que assim pense genuinamente nem merece ser mormón; em cada cristão deve haver uma alma missionária. Chega de apostolados de bancada: «meninas não casem fora da paróquia, meninos não ponham borracha à volta da pilinha». Foi um deslize, vamos pensar que foi um deslize, Sr. Cardeal; um deslize calculista e pouco católico. Mas até os banqueiros têm deslizes, siga.

Se o Cristianismo se despojar do seu lado épico e romântico fica a parecer uma religião de ervanária."

no espalhador de ovelhas


PS: em bom português, penso que este texto tem um erro: não é "dasse" mas "da-se"; do modo como se encontra escrito deveria soar aos nossos ouvidos qualquer coisa como "dásse" - ora o problema é que o Sr Cardeal não quer dar nada: só quer ficar com. é portanto "da-se" e não "dasse". A sorte do espalhador de rebanhos é eu existir para transformar palavras sem sentido em ordinarices sérias.

timshel
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sexta-feira, janeiro 23, 2009
Reflexãozinha III
Console-toi, tu ne me chercherais pas si tu ne m'avais trouvé
Pensées 553 (Section VII - La morale et la doctrine)

Blaise Pascal pôs nos lábios de Jesus esta bonita frase: Anima-te, tu não me procurarias, se não me tivesses encontrado.
Para encontrar é essencial procurar...
cbs
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Petite reflexion II
Enfer chrétien, du feu.
Enfer païen, du feu.
Enfer mahométan, du feu.
Enfer hindou, des flammes.
A en croire les religions, Dieu est né rôtisseur.

Victor Hugo, Choses vues
cbs
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Reflexãozita I
Se Jesus Cristo tivesse sido condenado à morte, há menos de um século, muito provávelmente hoje, os cristãos trariam ao pescoço uma pequenina cadeira eléctrica. Também de madeira...

cbs
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terça-feira, janeiro 20, 2009
Ilustrações
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A Bíblia e o Punhal
A Bíblia e o Punhal
Bíblia numa mão, punhal na outra. Os cruzados modernos.

Weapons of Our Warfare
Weapons of Our Warfare
"Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas, sim, poderosas em Deus, para destruição das fortalezas; Destruindo os conselhos, e toda a altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo o entendimento à obediência de Cristo"
II Coríntios 10:4-5
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segunda-feira, janeiro 19, 2009
'Todas as coisas concorrem para o bem dos que amam a Deus'. Até o mal.
Para ser franco, sempre me turvou a problemática do mal. Não tanto o porquê da existência dele entre nós e da relação que o Criador de tudo tem com o maligno, mas a polémica que tanto no teólogo competente como no laico humilde desponta:

'Eu sou o Senhor, e não há outro. Eu formo a luz, e crio as trevas; eu faço a paz, e crio o mal; eu sou o Senhor, que faço todas estas coisas. Destilai vós, céus, dessas alturas a justiça, e chovam-na as nuvens; abra-se a terra, e produza a Salvação e ao mesmo tempo faça nascer a Justiça; eu, o Senhor, as criei: Ai daquele que contende com o seu Criador! o caco entre outros cacos de barro! Porventura dirá o barro ao que o formou: Que fazes?' (Isaías 45:6-9).

Imagino que a confusão jaz no erro de se pensar que mal sinonima o pecado, mas tal não se verifica. Ou melhor; não quando é o Senhor que o autora: Ele nada e ninguém deseja, por não ter carências, logo não cobiça; nem furta Ele coisa alguma, se tudo Lhe pertence, incluindo a vida humana - logo, e pela mesma razão, nunca se pode julgar como assassino o Senhor que genocidou os inimigos de Israel. Contudo, e partindo do mesmo equívoco, normalmente se insurgem as falácias ateias, basiladas no seguinte silogismo:

a) O Criador é omnibenevolente;
b) Existe, entre a criação, o mal;
c) Logo, não existe Deus.

Para a qual, erroneamente, se faz a seguinte apologia teísta:

a) O Criador é omnibenevolente;
b) Existe, entre a criação, o mal;
c) Logo, Deus não criou o mal.

Ambos partem de pressuposições abíblicas, não ponderando o seguinte:

a) O Criador é omnibenevolente;
b) Existe, entre a criação, o mal;
c) Logo, Deus tem um propósito no mal.

Qual o propósito? Um dos textos que dialoga com o anterior é o de Romanos 9, em que o apóstolo Paulo lembra o porquê de Deus, por vezes, fazer bem ao homem íniquio aos Seus olhos, e o mal a todo o homem santo até, que é feito bom segundo a Sua graça. No entanto, é para o bem dos Seus vasos da misericórdia que tudo o que acontece, acontece; e é para o mal dos vasos da ira que tudo quanto passa, passa:

'Diz a Escritura a Faraó: "Para isto mesmo te levantei: para em ti mostrar o Meu poder, e para que seja anunciado o Meu nome em toda a terra". Portanto, tem misericórdia de quem quer, e a quem quer endurece. Dir-me-ás então. Por que se queixa Ele ainda? Pois, quem resiste à Sua vontade? Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim? Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para uso honroso e outro para uso desonroso? E que direis, se Deus, querendo mostrar a Sua ira, e dar a conhecer o Seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição; para que também desse a conhecer as riquezas da Sua glória nos vasos de misericórdia, que de antemão preparou para a glória, os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios?' (Romanos 9:17-24)

O Senhor, meu irmãos, tem uma agenda eterna: será glorificado por todos os homens - por uns, como Salvador misericordioso; por outros, como Condenador justo. A Cruz, apenas, decide quem.

A benignidade e/ou a malignidade do presidente Bush concorre para o bem dos filhos de Deus, e servem a glória de Quem criou a Lei que os define, não sendo assenhorado nem por ela, mas sendo o Soberano sobre tudo, pois de tudo é o Senhor o autor.

Nuno Fonseca
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sexta-feira, janeiro 16, 2009
o Bem e o Mal
Pareceu-me escutar no último discurso de Bush qualquer coisa no género de "Como sabem, o Bem e o Mal eram palavras que apareciam com frequência nas minhas declarações. Porque entre o Bem e o Mal não pode haver qualquer tipo de compromisso."

Pergunto-me se a última frase desta declaração é uma manifestação do Bem ou do Mal.

timshel
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quinta-feira, janeiro 15, 2009
Ainda outra achega sobre amor e mandamentos
“Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são pesados.”
I João 5:2

João, o apóstolo do amor, parece que não gostava de platonismos (lá voltamos aos gregos…): o amor é para ser concretizado. Se amamos Deus, como Deus, como podemos deixar de querer fazer o que Ele, como Deus, ordenou que fizéssemos?
Por outro lado, João também conhecia a natureza humana. E desmonta, desde logo, a desculpa mais previsível: a fraqueza. Afinal não é preciso ser super-herói para carregar com os mandamentos de Deus. Eles não são pesados.

Pedro Leal
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terça-feira, janeiro 13, 2009
Do servo e livre arbítrio 2
Temos um espelho curioso e tenaz. Porém em nós, somos a tensão de manipulação do outro em nosso proveito, em nosso máximo proveito. Somos os violentadores do outro, os salteadores da sua carne, deuses déspotas do nosso fechado e fugidio universo. Por dentro tanta maldade e confusão, susto mortal. Tudo depende do tamanho da nossa mentira, da tenacidade espelhada. Nenhum de nós, mesmo nenhum, aguentaria ver-se a si próprio na verdade, nem sequer num piscar de olhos. E é sabendo disso, que de tal fugimos como o diabo foge da cruz, precisamente aliás. A ética e a estética, claro. Não passam da imagem da nossa mentira. O sorriso que espelhamos, pobres de nós, as tretas que contamos uns aos outros. Os mais convictos são evidentemente os mais perigosos, os que propagam o mal com mais cegueira. Mas o que é incompreensível, absolutamente, é que o inverso seja igualmente verdade: o sentido de todos os nossos anseios, ser a bondade e a beleza. E no entanto, é confusamente o que se passa, e nenhum juízo humano pode dar conta de tal. Isto também se propaga, também se desenha, e só a voz dupla nos dá rosto, a beleza e a maldade, o crime e a santidade, a ira e a ternura. Olhar a história da humanidade, assim como a nossa própria e pessoal, é contemplar o impossível desenrolando-se. O assassinato e violação contínuos entre mães, pais, filhos, assim como o seu mútuo amor e alegria. É por isso que só a cruz nos define, uma negação, uma intercessão de contrários. A monstruosidade esplendorosa de que falam os mais lúcidos, os da lucidez que dói mais. E o mais estarrecedor, é sabermos que não estamos em nós, em nenhum momento, nem quando destruímos e oprimimos, nem quando cuidamos e libertamos. Onde afinal o nosso lugar, dá ideia que não sabemos, mas apenas entrevemos, sonhamos. Isto parece um monólogo de bêbedo, claro, ou uma impressão deprimida duma solidão assustada, o que pode confirmar-se pelo próprio sentido do que é dito: são precisamente os mais perdidos dentre nós, que sabem o que se passa connosco, eles que tocam o fundo. São aliás eles, os primeiros a reconhecer o deus que revela, e não os legalistas, que com o seu saber, expulsam a verdade dos templos.


Vítor Mácula
posted by @ 11:48 da manhã   2 comments
sábado, janeiro 10, 2009
Vamos lá a ver se consigo fazer sentido...
Heureux le pauvre en esprit!
Ce qui est beau, ce n’est pas d’être privé, ni même de se priver, c’est de ne pas sentir la privation.
L’acte par lequel l’âme s’ouvre, a pour effet d’élargir et d’élever à la pure spiritualité une morale emprisonnée et matérialisée dans des formules (…)
Et nous avons d’un coté le clos, de l’autre l’ouvert.
La morale courrant n’est pas abolie, mais elle se présente comme un moment le long d’un progrès (BERGSON, Henri, Les deux sources, p. 58)

Parece nada ter a ver com a discussão anterior, mas em termos morais, que são também religiosos, tem. Eu não recuso o velho, integro-o, mas num todo mais geral ; assim é, quando o dinâmico reabsorve nele o estático, formando um todo completamente novo.
Diferentemente da velha fórmula de Lavoisier (por acaso, até errada) aqui, nada se perde, mas a transformação cria mais!
Aí reside uma diferença entre Natureza e Espírito, creio.
cbs
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sexta-feira, janeiro 09, 2009
Entre o Karma e a Graça.
O Karma diz que temos por direito o quanto damos.
A Graça diz que a nada temos direito, e o que nos é dado é imerecido.

O Karma diz que o nosso bem é sempre retribuído.
A Graça diz que não somos capazes de bem nenhum; nem tão-pouco o de recebê-lo.

O Karma diz que só é malvado quem faz o mal.
A Graça diz que todos são malvados; e é por ser-se mau de nascença que se é capaz desse mal.

O Karma enche todo o homem de dignidade, e é fácil de aceitar a qualquer um.
A Graça mostra todo o homem como indigno, e é uma ofensa para todos.

O Karma é possível de ser amado por toda a criatura viva.
A Graça é impossível de ser amada pelos homens; e só por um acto de Graça do Deus omnipotente é que pode o homem fazer o impossível - e amá-la.

O Karma opera para a glória, honra e louvor do ser humano.
A Graça tem como fim a glória, honra e louvor de Deus.

Nuno Fonseca
posted by @ 2:11 da tarde   1 comments
A Palavra
É uma ilusão supor que podemos adoptar, em directo, o ponto de vista de Deus e, a partir daí, distinguir o que é humano e o que é divino, como se fôssemos entidades que os transcendem e os fiscalizam. As consequências dessa ilusão manifestam-se quando seres humanos colocam na boca de Deus aquilo que eles dizem e escrevem como se fosse o próprio Deus a dizer e a escrever. A Bíblia está cheia de declarações desse teor. Por vezes, o que é posto na boca de Deus só ficava bem na boca do Diabo. Quem assim faz, pensando glorificar a Deus, está a ofendê-lo e a tornar impossível reconhecê-lo como a verdade e a beleza do amor infinito. Por outro lado, quando se tomam as afirmações bíblicas como ditados divinos, perde-se, irremediavelmente, o sentido da transcendência de Deus e dos ziguezagues da história humana.
Frei Bento Domingues, Público, 30/11/2008

Já nem chamo à conversa a teologia e a ortodoxia. Já muito falámos sobre o assunto. O que destaco neste trecho é a irritação, uma espécie de amargura miudinha, que borbulha por baixo das palavras. Os Bentos Domingues deste mundo gostavam que a Palavra de Deus encaixasse na sua agenda, que carimbasse a suas elucubrações religiosas. Que, aí sim, tivesse autoridade, mas uma autoridade sancionada por eles. Pregadores do desassossego, gostavam de ter uma Palavra submissa. Mas… a Palavra de Deus não é assim. Ela é que exige submissão. Ela é que tem, em si, autoridade. Em vez de ser o tal discurso humano sobre Deus, como eles gostavam, é a revelação de Deus aos homens.
Bentos Domingues deste mundo, porque ficam de fora a remoer e não vêm experimentar?

Pedro Leal
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segunda-feira, janeiro 05, 2009
Subversão da família?
O último artigo de Frei Bento Domingues, no Público do dia 28 de Dezembro passado, intitulado “Subversão da família?”, cita-nos as palavras que o Novo Testamento põe na boca de Jesus sobre o papel da família.
Este artigo parece-me ser, numa primeira vista, o contraponto às últimas tomadas de posição do Papa Bento XVI sobre a homossexualidade e a família cristã.
(…)
É claro, para qualquer um, que o mundo acabaria se todos fossemos homossexuais – a tal visão ecológica de que o Papa fala – mas também é claro que Jesus propalava, como Frei Bento escreveu, que aprendêssemos a fazer família com quem não é da família, abrindo assim, o espaço a todo o género de uniões desde que baseadas no amor.
A revolução cultural e religiosa que Jesus trouxe no seu tempo não pode ser hoje posta em causa pela “própria” igreja, sob pena de esta se transformar numa seita de “iluminados”.
(…)
A abolição do celibato obrigatório dos padres e a possibilidade do sacerdócio das mulheres são apenas alguns passos que considero imprescindíveis para tal evolução.
Quanto á homossexualidade preferia que o Papa pusesse mais ênfase na necessidade de os governos ajudarem, de facto, as famílias heterossexuais na sua nobre missão de criarem novas vidas, deixando aqueles que não sentem esse chamamento em paz com a sua consciência. Porque, parafraseando Frei Bento, sagrada é a condição humana seja ela de quem for!

José Carlos Palha, na secção Cartas ao Director, Público de 3-01-2009

Parece-me interessante comentar este comentário ao artigo do frei Bento, ele próprio comentário ao Papa.
Passando sobre as questões do “celibato dos sacerdotes” e do “sacerdócio das mulheres”, que julgo menores, não essenciais e apenas fruto da moda - sobre as quais a minha opinião é simples, quem não quer que não participe – prefiro focar outras questões referidas pelo leitor do Público, que creio mais ou menos generalizadas entre católicos:

Começando pelo fim, quando se diz que “a condição humana é sagrada, seja ela de quem for”, é verdade, mas falamos em abstracto. Não é menos verdade, que é pela aceitação de Deus, e pelo comportamento quotidiano depois, que sacralizamos ou profanamos a vida humana. Não é tudo igual ao litro…

Quanto à questão de uma igreja mais fechada numa “seita de iluminados”, ou mais aberta e concordante com a revolução que Jesus trouxe, temos de concluir que a resposta está num meio-termo, aliás, difícil de afinar ao longo dos séculos. Radica aí a questão fundamental do Vaticano II, ou seja, como manter o carácter fundamental e constante da mensagem de Cristo, adaptando-o à linguagem variável de cada tempo, para que seja ouvida. Não é fácil; fácil é subvertê-la com facilitismo… ser cristão é mesmo coisa de “iluminados”!

Finalmente, a questão da homossexualidade.
Para começar, não me parece feliz a imagem ecológica dada por Bento XVI.
É para mim, ponto assente que a Natureza compõe sistemas interactivos maravilhosamente equilibrados, mas cruéis e nessa perspectiva, desumanos. É claro também, que interacção entre o Homem e a Natureza descalibra o planeta. Mas pode melhorar ou pode piorar o Bioma, como tudo o que vêm dos humanos. Aí que entram os valores éticos; é aí também que volto para Deus, como a única fonte valor verdadeiramente humanizante. O resto é andar á toa…
Portanto, os valores cristãos não são necessariamente ecológicos, são mais do que isso, ou o leão nunca conviverá com o cordeiro.

Volto pois ao mesmo, a condenação da homossexualidade é mal suportada na ecologia dos comportamentos, mesmo na procriação – um homossexual pode procriar, aliás, muita homossexualidade não é exclusiva; a condenação desse comportamento pela Igreja católica é, e apenas deve, ser ética.
O que não impede a toda a compreensão, para com os que honestamente assim se sentem. Mas por amor ao próximo. Isso é outra coisa… chamamos compaixão.
Já agora, convinha também distinguir que, quando cristãmente falamos em “abrir espaço a todo o género de uniões desde que baseadas no amor”, a todo o tipo de famílias diferentes do modelo clássico (pai, mãe, filhos), não estamos a falar em relações sexuais. Temos que distinguir, a expressão sexual é uma expressão do amor humano, mas de modo algum a única… senão, ainda acabava na cama com a minha avó.
cbs com votos de um 2009 de Amor
posted by @ 12:16 da manhã   11 comments
quinta-feira, janeiro 01, 2009
Um fantástico 2009
O fim está perto, o fim está perto, o fim está perto, perto do fim.
O presente aberto, o passado curto, o futuro certo e o Eterno perto de mim.

Samuel Úria por cbs


posted by @ 10:07 da tarde   0 comments
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