Não passo de um gajo que o tempo deixou apreender alguma coisa, em parte erros certos. Que fique claro: não sou padre, nem cientista, nem filósofo. Mas, como todos, penso, o que de algum modo me permitiu reconhecer Deus-Pai, e o Humano como irmão; e também aceitar religião e ciência; e igualmente, sintetizar tudo isto em filosofia. Modesta filosofia, contudo, para mim necessária.
O “aparecer no mundo” funda a religião; que se aprofunda pela filosofia; que se específica em ciências. Simétricamente a ciência, na qualidade mais funda, desagua sempre de novo em filosofia; e a filosofia desenvolvendo-se, só pode culminar de novo na religião. É o que eu penso: - O aparecer no mundo é o fundamento da religião - O aparecer no mundo é o mistério último da ciência - Entre a religião e a ciência paira a filosofia
Pode-se dizer com Kant que “o fenómeno é o que se manifesta do númeno. Este é que é fundamento de tudo”. Mas o que se mostra é o fenómeno! Repetindo o grande filósofo “se eu remover o sujeito pensante, todo o mundo material imediatamente desaparece, porque nada mais é do que uma aparição fenomenal na nossa sensibilidade de sujeitos, uma forma ou espécie de representação” É neste sentido que me permito dizer que o fenómeno é fundamento e mistério. Porque funda a crença de que existe algo mais além do fenómeno, seja a realidade última em si mesma – o númeno inatingível, por definição… kantiana – e como esse algo não se mostra inteiro, fica mistério. cbs
O aparecer no mundo, a que Immanuel Kant chamou phainomenon, é simultâneamente o fundamento da religião e o mistério último da ciência. P’lo meio pairam filósofos... cbs