segunda-feira, novembro 05, 2007
O perigo do evangelho



Às terças-feiras dá um comentário fantástico na RTP 1, sobre a guerra em Angola, onde se percebe o quanto o protestantismo despoletou a necessidade de independência e liberdade. Cru e nú.
Os líderes revoltosos tinham a certeza de que as balas brancas não tinham poder contra eles, gritavam como Gedeão, cantavam hinos da igreja, os pastores apoiavam e enfrentavam de peito nu e catanas as armas portuguesas. Feio e brutal. A guerra segue durante anos.
Em Portugal ouvi alguns pastores que tinham lá ido em missão, interrogarem-se como é que um país onde o protestantimos estava tão arraigado (muito mais do que em Moçambique) se podia ter envolvido em lutas tão sangrentas? Inocência e candura.
Sempre que o evangelho chega, a liberdade passa a ser uma necessidade. Foi assim com a revolta dos camponeses (Bauernaufstand), é assim em muitos países do terceiro mundo onde surgem teologias da libertação e guerras que lutam contra a injustiça. Não é bonito, mas o evangelho é algo muito perigoso.
posted by @ 2:23 da tarde  
10 Comments:
  • At 5 de novembro de 2007 às 17:46, Blogger cbs said…

    O Protestantismo estava assim tão arreigado em 1961 em Angola?
    desconhecia por completo.
    não haverá exagero?

    Segundo pude ler havia uma influencia preferencial dos Baptistas nos Bakongos do Norte (UPA/FNLA), dos metodistas nos kimbundus no Bengo e Kuanza (MPLA) e dos chamados congregacionalistas nos Ovimbundu do planalto central (UNITA).

    Mas por um lado os cristãos chamados progressistas incorporavam também muitos catolicos como são exemplo Alexandre do Nascimento, futuro cardeal de Luanda e Franklin da Costa, futuro arcebispo do Lubango.

    Por outro o MPLA de raíz marxista originados nos circulos universitários de Lisboa, sempre se demarcaram da influencia cristã.

    Ainda noutra perspectiva, no assalto original da UPA no Norte, apartir do Congo Belga, os chefes tribais desempenharam um papel muito relevante em termos de misturar a vontade de libertação (nacionalismo africano), com o messianismos de origem protestante (kimbanguismo e tocoísmo) e com superstições do imaginário sobrenatural autóctones.

    De qualquer modo, muitos dos militantes dos 3 movimentos de libertação eram protestantes de facto.

    Interessante informação aqui:
    http://www.lusotopie.sciencespobordeaux.fr/schubert.pdf

     
  • At 5 de novembro de 2007 às 19:39, Anonymous Anónimo said…

    A versão clássica que conheço sobre a influência dos protestantes em Angola tem a ver com a alfabetização e a escolaridade proporcionadas pelas Missões. Numa altura a Educação estava vedada aos nativos, as Missões acabaram por formar, e influenciar, as elites.

    Pedro Leal

     
  • At 6 de novembro de 2007 às 00:09, Blogger Nuno Fonseca said…

    Mais perigoso que o Evangelho nas mentes pós tribais, é este tipo de posts, que me lembram como a estultícia é um crime para com a república, e um pecado perante Deus.

    Como podes provar que o Cristianismo Evangélico, que condena com o inferno o homicídio, foi responsável, por mais subtil e indirectamente que seja, com as milícias de libertação das ex-colónias?

    É por causa destes revisionismos históricos desalgibeirados que me mudei do ensino público para o jornalismo.

    Not on my watch, man, not on my watch.

     
  • At 6 de novembro de 2007 às 01:22, Blogger PmCDP said…

    Ah ah ah! Tu queres ver?!

     
  • At 6 de novembro de 2007 às 01:25, Anonymous Anónimo said…

    Não é bonito, mas o evangelho é algo muito perigoso.

    Principalmente quando financiado pela Cia

     
  • At 6 de novembro de 2007 às 08:53, Blogger mulheres_estejam_caladas said…

    instrução e dignidade humana. É difícil escravisar um povo instruído.

     
  • At 6 de novembro de 2007 às 09:00, Blogger mulheres_estejam_caladas said…

    Não estou a dizer que o protestantismo foi o directo responsável pela revolta em Angola, o responsável directo foram as políticas colonialistas, paternalistas e injustas do Estado Português. Mas que o protestantismo educou, e levou ideias de dignidade humana ao destribuir a Bíblia é algo incontornável. E que as elites tinham passado pelas escolas das missões, que mesmo no mato os sobas e o povo se sentia como o povo de israel a combater filisteus, é um facto.
    Talvez fosse mais cómodo pensar que os alunos das missões e que o evangelho tinha produzido homens de paz e esperando uma libertação escatológica, mas a verdade é que quiseram a liberdade a custo de vidas.

     
  • At 6 de novembro de 2007 às 12:39, Blogger David Cameira said…

    Neste ponto a Begina tem razão.
    Já dizia o Abie Lincolnque é muito dificil escravizar um povo liberto pela BIBLIA ( palavra de DEUS )

    Mas eu tb acho q o Kgb teve alguma influencia nisto tudo e naoapenas a CIA ( de recordar q se não fosse a CIA, pelo menos a fornecer informaçõesseguras e em tempo real ainda hoje não tinham conseguido o cobarde assacianto do PRESIDENTE JONAS MALHEIRO SAVIMBI

    VIva a libertação completa de angola

    Viva o povo angolano

     
  • At 6 de novembro de 2007 às 13:51, Anonymous Anónimo said…

    Foi responsável e financiado pela Cia. Os diamantes sempre tentaram muito os lobbies.

    E os evangélicos sempre andaram demasiado a custas da Cia.

    Essa história dos grandes massacres de Angola é responsabilidade dos pastores que trabalhavam para a Cia.

     
  • At 6 de novembro de 2007 às 14:16, Blogger David Cameira said…

    Anónimo ( isto de os anónimos andarem a denunciar as falhas alheias,lol....9

    Isso tb não sei se foi tt assim pq nao tenho informações que mo permitam afirmar .... apenas insinuar....

    No entanto é, até certo ponto, " natural " que sendo todos crentes no mm DEUS sejam todos amigos, se entreajudem mutuamente e colaborem igualmente para um objectivo comum

    No entanto , para não falar só dos " estranjas " comvém enquadrar aqui tb a obra da PIDE-DGS nas ex-colónias de Africa

     
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