segunda-feira, outubro 29, 2007
Ainda o Writer's Block
Antonius Block, o católico com que mais concordo neste estaminé, deu para os habituais resets históricos romanos. Diz que "os estados mais desenvolvidos dos EUA são precisamente aqueles em que a percentagem de protestantes é menor"; que na Inglaterra "a maioria da população cristã é já católica e não protestante, segundo as estatísticas"; que na Alemanha "a Baviera é o estado mais próspero, e é de maioria católica" e por aí fora.
O Antonius pode estar certíssimo destas estastísticas todas (não me falta a fé para crer nelas) mas isso não retira uma vírgula à minha afirmação de ser "óbvio que o protestantismo dá países mais evoluídos". Por uma única razão. Como os católicos valorizam, tome-se o passado em conta. O relógio desta distinção tic-taca desde o Século XVI. Ou seja, o facto de muitas destas nações boiarem hoje em secularismo, relativismo teológico ou fascinação por novas religiões não belisca que o protestantismo as tenha emancipado. A decadência é um exclusivo daquele que a alguma altura ascendeu.
Preciso de continuar justificando o evidente ou posso ser poupado a brincar aos Maxes Webers e Émiles Durkheims?

Tiago Cavaco
posted by @ 8:40 da tarde  
6 Comments:
  • At 29 de outubro de 2007 às 21:47, Blogger cbs said…

    Não quero tomar partido nisto, mas levantas-me dois reparos, Tiago.

    Que significa ser mais evoluido? Não se confunde certamente com emancipado; a Grécia clássica era escrava de Roma (literalmente nos escravos-pedagogos) e no entanto o Império em nada ultrassou o saber grego, ao contrário foi seu tributário.

    Desde quando a História está feita? Voltando a Roma, no alto da sua decadencia (como dizes, por ter subido)perseguia e menosprezava uma "seita de ateus" originada nas terras "selvagens" da Judeia; todos sabemos quem é hoje o Supremo Pontífice.

    Moral da história: há mais marés que marinheiros,lol

     
  • At 30 de outubro de 2007 às 08:10, Blogger Henrique Dória said…

    Escreveu o Timóteo, no timshel, um blog que saúdo:



    Em fins da década de 80 eu era um neoliberal ferrenho. Também era ateu. Embora tivesse chegado ao ateísmo através do marxismo, após ter abandonado o marxismo, o ateísmo foi-se reforçando ainda mais, sobretudo pela leitura de autores neoliberais e "não-teleológicos", darwinistas, positivistas, comportamentalistas, objectivistas e afins. Nesses tempos pensava eu que a moral era um subproduto da vida do homem em comunidade e, consequentemente, destítuida de qualquer valor que não a utilidade



    Eu devia tentar ganhar o máximo de dinheiro possível e viver de acordo com esses padrões. Finalmente, toda a realidade à minha volta se media pela utilidade para o meu conforto e para o meu bem-estar.

    Em virtude de uma série de circunstâncias, foram aparecendo vários pauzinhos nesta engrenagem. Vou enumerar apenas alguns.

    O primeiro. A reflexão sobre Deus, sobre a vida e a Palavra de Cristo, e a consequente aproximação à Igreja Católica.



    Estou de acordo com a ideia de que o liberalismo económico conduz ao poder dos mais fortes, ao egoísmo e estupidez semelhantes aos dos ricaços romanos que comiam como bestas, e vomitavam depois o que comiam para voltarem a comer como bestas.

    Mas entendo que o desejar a felicidade do Homem ou, tão só, uma humanidade decente é incompatível com a crença em Deus e, muito mais, com a Igreja Católica.

    Quanto a Deus:

    Se Deus existisse não permitiria que os homens, seus filhos, sofressem como sofrem. Trata-se de uma questão de decência. Então eles não pediram para nascer e ainda são condenados pelo pai a sofrer?

    Como disse Afonso X, o Sábio, avô do nosso rei D. Dinis, qualquer homem decente, se tivesse os poderes que são atribuídos a Deus, faria um mundo melhor.

    Quanto à Igreja Católica:

    Maior incoerência ainda.

    A doutrina católica funda a sua doutrina no pecado e na culpa. Ora qualquer mau Código Penal afirma aquilo que é moralmente inquestionável: só se pode ser culpado das suas próprias culpas, e não das dos outros.

    Isto é, qualquer mau Código Penal é mais decente que o essencial da doutrina católica.

    Depois: basta conhecer um pouco de história para se perceber que a maior parte dos papas não acreditava em Deus.

    Então esse dogma de o papa ser escolhido pelo Espírito Santo daria para rir se não fosse uma piada de mau gosto. Os papas grandes criminosos da História, Inocêncio III, Clemente V, Alexandre VI … e a maior partes dos papas, criminosos maiores ou menores, escolhidos pelo Espírito Santo? E quando havia 2 ou 3 papas, como no caso do Grande Cisma do Ocidente, todos foram escolhidos pelo Espírito Santo?

    Como é possível a uma sã consciência ser partidária da instituição que, ao longo da sua história, mais crimes perpetrou contra a humanidade? Só por engano

     
  • At 30 de outubro de 2007 às 15:25, Blogger João Leal said…

    "Como é possível a uma sã consciência ser partidária da instituição que, ao longo da sua história, mais crimes perpetrou contra a humanidade?"

    A resposta é fácil: porque dá jeito.

     
  • At 30 de outubro de 2007 às 18:17, Blogger cbs said…

    é pá! essa afirmação de "instituição que, ao longo da sua história, mais crimes perpetrou contra a humanidade" é no mínimo carente de demonstração, senão é uma treta.

    Primo: definir crime contra a Humanidade e perceber em que século se formou o conceito, porque antes disso há mal e há bem, mas não "crimes contra a Humanidade".

    secondo: Há ou não há concorrência para esse podium? Nomeadamente alguma potencia, alguma civilização deste mundo esteve isenta de cadastro? alguma cultura, alguma religião das grandes está virgem nesse domínio do sofrer e fazer sofrer?

    tertio: Há ou não há actos de bem perpetrados pela Igreja Católica pela Humanidade ao longo dos séculos? Trouxe ou não o cristianismo, e em particular o catolicismo algum valor acrescentado ao desgraçado do Homo sapiens?

    Quem é que já fez estas contabilidades com seriedade?
    Bullshit... é treta não é ó manos?

     
  • At 30 de outubro de 2007 às 22:33, Blogger Henrique Dória said…

    Que a Igreja Católica é instituição que, ao longo de cerca de 2.000 anos de existência, mais crimes praticou contra a humanidade está demonstrada pelos números terríveis. Por exemplo, só em Beziérs, onde estive recentemente, E NUM SÓ DIA, foram massacradas 20.000 pessoas: homens, mulheres, velho, crianças, tudo foi passado a fio de espada por ordens do santos bispo Arnaldo Amaury.
    Francisco de Assis é excepção à regra. E, aliás, como é sabido, esteve vai não vai para ser declarado herético e ser queimado vivo.

     
  • At 31 de outubro de 2007 às 11:08, Blogger cbs said…

    Henrique
    em 2000 anos houve crimes de todas as partes. De qualquer forma não é essa a postura actual da Igreja. Nem me parece que seja muito útil. contabilizar agora quantos mortos sofreu a cristandade e quantos provocou em nome de Cristo, dos quais hoje se envergonha.

    É pela Fé que se é cristão e católico, não pelas contradições que todos temos, penso eu.

     
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