sábado, maio 01, 2010
Verdade e laicidade II
O papa João Paulo II via a propensão do pensamento contemporâneo para “sublinhar as suas (do Homem) limitações e condicionalismo” em vez de “orientar a sua pesquisa para o ser”. Estas limitações são causas de agnosticismos e relativismos “que levaram a investigação filosófica a perder-se nas areias movediças dum cepticismo geral” (Razão e Fé, p 11). O que o Papa criticava era a contestação, ou como diz, a desconfiança na Verdade. Nas suas palavras: “A legítima pluralidade de posições cedeu o lugar a um pluralismo (…). Como consequência, despontaram, não só nalguns filósofos mas no homem contemporâneo em geral, atitudes de desconfiança generalizada sobre os grandes recursos cognoscitivos do ser humano”

O relativismo, não só filosófico, mas cultural, constitui pois uma das dominantes da modernidade. Por outro lado, a quebra da unicidade da verdade religiosa, com a emergência de outros credos – até entre cristãos – disputando entre si o domínio da verdade absoluta, bem como a dissolução do seu horizonte no quadro da filosofia, põem em causa a simbiose entre a razão e a fé na civilização de hoje. De resto, a filosofia desde a sua libertação de “auxiliar da Teologia” tem-se centrado no Homem, como principio e fim em si mesmo (embora no racionalismo iluminista se lhe atribua validade universal) tendendo progressivamente para o cepticismo niilista.

Fernanda Enes por cbs

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