quarta-feira, maio 05, 2010
O falhanço necessário
- Sabes que Antony Flew dizia que existem cada vez mais provas que Deus existe e que apresenta características de poder e de inteligência?

- Acredito que Deus criou o Universo. Mas acho que Lhe falhou alguma coisa.

- Sim, mas se calhar tinha que falhar.

timshel
posted by @ 8:54 da tarde  
3 Comments:
  • At 5 de maio de 2010 às 22:16, Blogger cbs said…

    esse problema equaciona-se assim, para mim:
    - Deus é perfeição (sem que nós consigamos compreender bem o significado disso)
    - dando graus de liberdade à sua criação (feita à sua imagem) de alguma forma, abdica da perfeição
    - Mas não me parece que as categorias racionais humanas, como perfeição, ou erro, ou falha, encaixem, ou tenham sentido, no mistério do Ser.

    No fundo, de alguma forma, tinha que suceder o que sucede, para a criação divina ser perfeita.´
    É como se o Todo existisse antes das partes, ou de outra forma, o Eterno antes do Tempo. Na realidade, a Eternidade inverte os termos da equação racional... parece-me...

     
  • At 6 de maio de 2010 às 19:29, Blogger Jorge Oliveira said…

    Na minha pobre compreensão de Deus não existe a possibilidade de conjugar o verbo falhar no que a Ele diz respeito. O que Ele faz, diz ou não faz ou não diz é perfeito. Portanto, dizer que "Lhe falhou alguma coisa" e que "algo tinha que falhar" para mim é um tremendo erro teológico.

     
  • At 7 de maio de 2010 às 09:33, Blogger cbs said…

    Jorge
    não necessáriamente. repara que nós não sabemos bem o que é a perfeição no sentido absoluto. O melhor que julgo aproximar-se nem é racional, é um sentimento, o do Amor...
    depois, o fim ultimo é a união com o Pai, mas também aí não compreendemos. a minha metáfora (que não é minha, é de Bergson) é esta: normalmente constrói-se algo (o Universo, por exemplo) conjugando parcelas. é assim para algo que não está feito, que vai ser feito. mas no criação divina, talvez o Todo seja antes das partes; ou seja todo este caminho aparentemente errado e imperfeito não seria mais que um ciclo para regressar ao Todo. mas mais imcompreensível ainda é a Liberdade, porque aí, o Pai aparentamente arrisca, uma vez que nos delega o poder, abdica do controlo da criação. E no entanto a Sua Glória é certa...
    algo falha, porque algo tem mesmo que falhar,para conjugar a Prefeição com a nossa Liberdade (sempre do Amor do Pai); não precisa, do meu ponto de vista, de ser um erro teológico, mas sim um mistério por desvendar.

     
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