quinta-feira, fevereiro 14, 2008
Flannery II (das revelações particulares)
When the Protestant hears what he supposes to be the voice of the Lord, he follows it regardless of whether it runs counter to his church's teachings. The Catholic believes any voice he may hear comes from the Devil unless it is in accordance with the teachings of the Church.

josé
posted by @ 12:51 da tarde  
19 Comments:
  • At 14 de fevereiro de 2008 às 14:50, Blogger CC said…

    Nem mais. Roma locuta, causa finita.

     
  • At 14 de fevereiro de 2008 às 18:08, Blogger Tiago Cavaco said…

    Precisamente. Abençoado protestantismo.

     
  • At 14 de fevereiro de 2008 às 18:49, Blogger CC said…

    Abençoado por quem?

     
  • At 15 de fevereiro de 2008 às 09:36, Blogger josé said…

    um casal sueco ouve uma Voz falar-lhes de Lisboa, e pumba, eles obedecem à Voz e descem logo cá abaixo para apascentar um rebanho pentecostal e Deus é o Senhor, é a relação pessoal com Ele e tudo isso é passa pelo estreito escopo teológico evangélico. Agora já a Lúcia mais a Jacinta e o Francisco veem a Nossa Senhora que fala com eles e parece que mesmo uma multidão vê no Sol o ressalto da grandeza de Deus e, claro, lá está o paganismo tosco e campesino do Catolicismo português.
    como perceper a invocação duma Ebba a quem se irrita todos os dias com uma Lúcia?
    valha-nos a Flannery para nos explicar estas coisas...

     
  • At 15 de fevereiro de 2008 às 09:40, Blogger josé said…

    aliás podem agora perceber a diferença entre a Irmã Lúcia e a santa da Ladeira: o escrutínio eclesial duma revelação particular não é suficiente para que eu acredite mas é sem dúvida necessário.
    voices in my head também eu as tenho tido e desconfio bastante delas.

     
  • At 15 de fevereiro de 2008 às 11:33, Blogger CC said…

    Como diz o grande Jarvis Cocker, «No I don't
    believe in voices, / because I hear / them all the time
    ».

     
  • At 15 de fevereiro de 2008 às 11:35, Blogger CC said…

    Adenda: na canção «There's No Emotion», do álbum «Freaks».

     
  • At 15 de fevereiro de 2008 às 12:05, Blogger Tiago Oliveira said…

    Caro José,
    confesso que não pude deixar de ter um sorriso nos meus lábios ao ler este teu post.

    Em primeiro lugar, porque concordo com o Tiago Cavaco: "abençoado protestantismo".

    Depois não pude deixar de verificar uma curiosidade que desmascara o que dizes. Então vejamos:

    - O católico, segundo dizes nas palavras de Flannery, considera que a voz de Deus é apenas ouvida através da santa madre e, como tal, tudo o que acredita como verdade é o que a igreja diz que é verdade. O católico diz que o papa é o representante de Cristo na terra e quando fala é como se Cristo falasse.

    - O protestante, por seu lado, embora respeite a igreja, considera como responsabilidade sua analisar todas as coisas e se considerar que Deus espera algo dele falo-á independentemente da igreja estar ou não com ele.

    Pois é meu caro, o cómico em relação a isto é o seu resultado prático.

    O católico considera aquelas coisas em relação à igreja e ao papa, no entabto desrespeita a igreja, da qual diz ser a detentora da voz de Deus, a cada passo que dá. Veja-se os católicos aqui do blog. Retiranto uma ou duas excepções, o católico pensa como lhe apetece, vive como muito bem entende, mas diz que Deus apenas é ouvido através da santa madre. Cómico não é? Vejam-se as diferenças doutrinais que se verificam neste blog entre os católicos e essa frase que colocas só dá vontade de rir. Vocês discordam do papa a torto e a direito, mas dizem que ele é como Cristo, é o seu representante. Belo respeito que têm por cristo. Se alguma marca se pode atribuir à maior parte dos católicos é que a igreja não tem qualquer influência sobre a sua vida. Para um católico é normal dizer que o papa está errado (o que segundo a doutrina católica é o mesmo que dizer que cristo está errado).

    Pelo contrário, o protestante acredita no que já mencionei. No entanto, a ironia disto tudo é que, com todas as diferenças de opinião que temos, verificarão que um protestante respeitará muito mais a igreja do que um católico. Por exemplo, os baptistas que aqui postam afirmam professar os princípios baptistas. O ensino da igreja foi, na realidade, importante e formador do que são enquanto pessoas hoje.

    A conclusão prática disto é que eu sou baptista e professo as doutrinas baptistas. Vocês são católicos e professam o que muito bem entendem e estão-se perfeitamente a barinbar na prática das vossas vidas do que o papa ou a igreja pensam sobre elas.

    Caros católicos, respondam a esta simples pergunta: quantos de vocês católicos aqui professam integralmente os ensinos da santa madre (que é, segundo o José e a Flannery, os ensinos do próprio Deus)?

     
  • At 15 de fevereiro de 2008 às 12:33, Blogger CC said…

    Credo! Que confusão fazes, Tiago.
    «Para um católico é normal dizer que o papa está errado (o que segundo a doutrina católica é o mesmo que dizer que cristo está errado).» Onde é que foste buscar isso à "doutrina católica"? Não me digas que também ouves vozes.

    E que "católicos" conheces, Deus meu!, para os quais «a igreja não tem qualquer influência sobre a sua vida».

     
  • At 15 de fevereiro de 2008 às 13:10, Blogger Tiago Oliveira said…

    Ó CC,

    é óbvio que exagerei nas alavras que usei, mas apenas o fiz para mostrar o contraste entre o que se professa e o que se vive. Obviamente estrapolei o "representante de Cristo na terra" para "aquilo que o papa diz é como se fosse Cristo a dizer". No entanto isso não retira nada ao meu argumento.

    Por outro lado, obviamente que conheço excepções, mas, na prática, que influência a igreja exerce na vida da maior parte dos católicos. Mais uma vez, qual a influência prática e substâncial nos católicos deste blog (mais uma vez reconheço as exepções)?

    Um pequeno exemplo mas que retrata esta realidade: o facto de a igreja proibir o uso do preservativo diminuiu a venda deles no nosso país (de larga maioria católica)? A malta deste blog que mantém uma vida sexualmente activa não o usará caso precise?

    Na prática à que admitir, caro CC. Para a maioria dos católicos cada um deve viver a vida como muito bem entender e a igreja é um amuleto.

     
  • At 15 de fevereiro de 2008 às 13:46, Blogger CC said…

    Bom exemplo, Tiago. Diz-me lá onde viste que «a Igreja proíbe o uso do preservativo», por favor.

     
  • At 15 de fevereiro de 2008 às 14:03, Blogger Luís said…

    Ai não diz Carlos? A única situação onde está minimamente em discussão a questão do preservativo é em África e no estrito domínio da sua utilização como forma de evitar a propagação do vírus da SIDA. É mesmo precisar apontar as fontes que claramente afirmam que a Igreja é contra qualquer forma de controlo de natalidade "não natural"?

    Mais uma vez concordo inteiramente com o Tiago.

     
  • At 15 de fevereiro de 2008 às 14:15, Blogger CC said…

    Não, não é. A Humanæ Vitæ é moça do meu tempo.
    Eu pedi foi para o Tiago me dizer onde leu que «a Igreja proíbe o uso do preservativo».

    Já agora peço-te o mesmo a ti, Luís. E diz-me onde é que se definem competências territoriais para as excepções. É na África toda ou só na sub-sariana? Em Marrocos pode usar-se o preservativo mas em Timor não? E na minha rua não posso usá-lo, mas se for a Fez já posso? É isso?

    Ou, pelo contrário, não estarás tu a falar do preservativo enquanto contraceptivo, mas apenas como meio (não muito) eficaz de prevenir a propagação de doenças sexualmente transmissíveis (independentemente do local geográfico, acrescento eu)?

     
  • At 15 de fevereiro de 2008 às 14:24, Blogger Tiago Oliveira said…

    Caro CC, segundo consigo ler, no "Compendium OF THE CATECHISM OF THE CATHOLIC CHURCH", que podes encontrar aqui (http://www.vatican.va/archive/compendium_ccc/documents/archive_2005_compendium-ccc_en.html), podemos ler estas duas perguntas/respostas:

    "497. When is it moral to regulate births?

    The regulation of births, which is an aspect of responsible fatherhood and motherhood, is objectively morally acceptable when it is pursued by the spouses without external pressure; when it is practiced not out of selfishness but for serious reasons; and with methods that conform to the objective criteria of morality, that is, periodic continence and use of the infertile periods.

    498. What are immoral means of birth control?

    Every action - for example, direct sterilization or contraception - is intrinsically immoral which (either in anticipation of the conjugal act, in its accomplishment or in the development of its natural consequences) proposes, as an end or as a means, to hinder procreation."

    Segundo leio, a única froma aceitável de contracepção é "periodic continence and use of the infertile periods.". Isto quer dizer que todos os métodos de contracepção chamados "artificiais" são condenados.

    Tenho impressão que precisas de ler o catecismo da tua própria igreja.

     
  • At 15 de fevereiro de 2008 às 14:27, Blogger Luís said…

    O problema aqui Carlos é que não se trata de uma proibição isolada mas de todo um estilo de vida que deve ser conforme aquilo a que um cristão é chamado a ser (aliás o mesmo se pode dizer em relação a qualquer outra questão controversa).

    Lembro que supostamente relações sexuais têm-se dentro do matrimónio. Lembro que supostamente um casal católico deve ser aberto a ter filhos e que também por ser católico não deve estar demasiado preocupado em dar-lhes todas as playstations e outras tralhas possíveis. É todo um sistema de vida onde isto faz sentido. Claro que se retirares do contexto é visto como uma medida restritiva e arbitrária. E julgo ser essa a grande falha da Igreja nesta matéria, a tendência para não integrar isto numa proposta de estilo de vida radicalmente diferente (e aí caríssimo irmão, digamos o que dissermos dos evangélicos, estes dão-nos uma coça na matéria).

    A questão de África prende-se com o alastramento epidémico da SIDA. E claro que pode ser em África como na Ásia como aqui ou noutro lado qualquer, em sítios por onde a epidemia alcança proporções imensas. Mas alcança proporções imensas por falta de um integrado comportamento católico e a posição da Igreja é mais uma concessão às práticas do mundo (e tanto nisto como no aborto é apenas inevitável) mas nunca, nunca poderá ser uma transigência para com quem se quer afirmar como cristão e como católico.

     
  • At 15 de fevereiro de 2008 às 14:31, Blogger Tiago Oliveira said…

    Mas já agora CC, agora que te mostrei onde podes ler o catecismo da tua própria igreja, respondes ou não à pergunta de base:

    é ou não verdade que para a maioria dos católicos em Portugal a igreja não tem influência real na sua vida prática? É verdade ou não que para a maioria dos católicos a verdade da igreja só é a verdade se eu achar que é verdade? Onde é que está essa ideia da Sra Flannery de que todas as vozes são do Mal a não ser que a esteja de acordo com os ensinamentos da Igreja na vida da maioria dos católicos?

     
  • At 15 de fevereiro de 2008 às 14:33, Blogger Luís said…

    Mas tenho que escrever mais sobre isto. Até porque há outras condicionantes. Como ninguém faz isto aqui em Portugal ou na Europa em geral, quem quer fazer não tem qualquer comunidade de suporte (porque isto nunca é possível sem toda uma comunidade a suportar) e está absolutamente entregue a si mesmo, visto como um tipo estranho e "fundamentalista". Claro que assim ninguém se aguenta.

    Por isso é que sou claramente a favor que a Igreja católica diminua para os seus números reais. Não só por uma questão de honestidade, mas porque permitirá aos católicos confessos que andam dispersos por vários movimentos e grupelhos de se juntarem e formarem comunidade. Só assim vamos a algum lado (e com a graça de Deus claro) por melhores que sejam as nossas intenções iniciais.

     
  • At 15 de fevereiro de 2008 às 14:34, Blogger Luís said…

    Tiago as "vozes que são do Mal" a que a Flannery se refere dizem respeito às vozes supostamente divinas que as pessoas julgam ouvir e não às vozes das pessoas em geral.

     
  • At 15 de fevereiro de 2008 às 14:43, Blogger CC said…

    Obrigado pelo conselho, Tiago. Mas olha que vem tarde. Tenho um Catecismo velhinho, em português e tudo. Nem sequer é um "compêndio". E até o leio, vê lá tu! Mas aquilo é um catecismo, homem. Não é o decálogo.

    Em português: http://www.vatican.va/archive/compendium_ccc/documents/archive_2005_compendium-ccc_po.html

     
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