quarta-feira, novembro 07, 2007
Sobre o ouro
Tiago, com o tempo que tenho, só tu me fazias ler e comentar um texto deste tamanho em inglês… Mas valeu a pena. Como tu dizes, há ouro por ali. Duas ou três notas, por agora, que o resto fica em digestão para nutrir futuros posts.
Sim, é importante perceber que o movimento evangélico é transversal às igrejas. Um pouco como o pentostalismo, nascido entre evangélicos e estendido a toda a Cristantandade (ocidental, pelo menos).
Evangelicalism is characterized by the born-again experience and a high regard for the Bible. These traits have made Evangelicalism essentially anti-formal. What matters is one’s personal relationship with Jesus instead of belonging to the church.
Isto implica que para além dos crentes das igrejas denominadas evangélicas existam presbiterianos. anglicanos, metodistas que também são evangélicos. Se algumas igrejas denominadas evangélicas eventualmente perderem o norte (“Evangelicals seem to have reduced sin to dysfunction. In this context, Jesus is not the savior from the curse of the law, but a life coach who leads us to a better self, better marriages, and happier kids”) há operacionais espalhados por outras denominações. Esta comunhão inter-denominacional é uma das principais forças do movimento.
When Evangelicals strove to put together a movement of conservative Protestants around 1950, they were clearly in opposition to liberal Protestantism, secularism, and Roman Catholicism.
The only enemy of those three that remains is secularism. This could be a sign of growing ecumenism among Evangelicals. I take it instead as an indication of theological confusion and the triumph of an impoverished view of tolerance
.”
Não sou negacionista. Nem fico admirado com fascínios alheios. Reconheço a atracção forte que, conforme o vento histórico, o “open mind” do liberalismo Protestante e o conforto do ritual e da tradição católica ou ortodoxa produzem (mas quem causa mais baixas é mesmo o secularismo). A história, no Cristianismo, nunca foi uma recta em contínua ascensão. Os altos e baixos sucedem-se, resta ao cristão não cavalgar a onda (repara no tom semi-desolado, paradoxal quando os evangélicos são o grupo religioso com maior crescimento mundial. Outra característica nossa: a essência vale mais que a quantidade). No fundo, trata-se de resistir ao canto da sereia das auto-estradas e permanecer no caminho estreito e difícil (cá está outra casmurrice evangélica). É isso: quanto à doutrina sou forreta, não pago portagens.
Só mais uma coisa. Para que esta análise possa ser transposta para o panorama luso é necessário caldeá-la com a realidade evangélica brasileira que sempre teve influência sobre nós. Aí temos, para além do já observado nos EUA, particularidades relevantes: o meio maioritariamente católico, o crescimento exponencial (os evangélicos tornaram-se em poucos anos 20 a 30 por cento da população), e a apropriação da superstição romana pelos pastores milagreiros tipo IURD.

Pedro Leal
posted by @ 11:50 da tarde  
2 Comments:
  • At 8 de novembro de 2007 às 02:04, Blogger cbs said…

    "What matters is one’s personal relationship with Jesus instead of belonging to the church."
    Ora aqui está uma que (quase) subscrevo sinceramente.
    Mas quase, porque não vejo necessidade do segundo termo: "instead of belonging to the church."
    "Instead" porquê? por mim não vejo oposição, sou católico e o que me interessa é Jesus comigo.

    Confesso mesmo, que antes desta coisa do Trento andava até mais afastado e descontente com a Igreja Católica. Após ter tido a felicidade de vos encontrar, pude reencontrar a minha Igreja com muito mais afecto e compreensão mutua do que antes, sem me afectar em nada a independencia mental. Não percebo muito bem este mecanismo, nem digo isto com menosprezo, pelo contrário, os evangélicos têm-me ajudado na Fé, mas simultaneamente, como que me empurrando de novo para as portas de Roma, talvez porque as coisas não sejam de todo como vós as vedes de fora. Roma é calor e afecto, não é a frieza de que fala a Hadassah.

    Bem hajam, meus irmãos em Cristo :)

     
  • At 8 de novembro de 2007 às 11:26, Blogger João Leal said…

    Nota: a relação com Jesus ou com Deus Pai?

    Muito fixe, Pedro

     
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