sábado, novembro 10, 2007
Reflexões sobre a Fé e a Ciência
O gentil censor anónimo que dá pela graça de Demo, deixou-me a pensar sobre "embustes da religião". Cá está um tema que me motiva :)
Quero deixar claro desde já que reconheço evidente o valor da Ciência e, menos evidente, o valor da Fé. Contudo, evidência não significa valor, apenas visibilidade e esta é muitas vezes só aparência.
Direi também que, tanto em questões de Fé como nas da Ciência me parece essencial a humildade. Repito: humildade

Ao contrário de muitos colegas de vida, sempre me pareceu a que a Ciência pode bem aproximar de Deus. O conhecimento científico superficial poderá afastar, mas os que sabem muito, poderão mesmo ver na Criação um grande atractor para o Criador.
Entre vários fenómenos científicos que me impressionaram, um relaciona-se com a teoria matemática do Cálculo de Probabilidades.
Se eu lançar cem vezes uma moeda ao ar, 54% das vezes cai uma face, 46% cai a outra, por exemplo;
Se lançar mil vezes, os dois valores aproximar-se-ão mais ainda;
Se lançar dez mil vezes tornam-se praticamente iguais.
Porquê? ninguém explica…
Cem lançamentos, mil, dez mil, e o acaso deixa de o ser, os valores tornam-se idênticos, rigorosamente… pergunto-me onde residiu a memória disto, porquê, uns após outros, os lançamentos resultam metade para cada lado, como se soubessem dos anteriores?
Não estou a pretender que é Deus, nem lá perto, até porque distingo o Criador da criação.
Digo apenas que, por vezes, me parece que o Universo quase pede para ser inteligido, quase nos puxa pelo braço para que o compreendamos.
Se não me engano, esta teoria apareceu por causa dos jogos e na altura puseram-se questões assim. Depois, a Filosofia ficou para trás e passou-se rapidamente para o experimentalismo prático porque aí, o conhecer torna-se mais fácil, menos complexo, mais factual.
No entanto as questões profundas ficaram, permanecem…
Parece-me que se passou o mesmo com a generalidade do saber científico durante o século XX. A praxis ultrapassou a filosofia, mas é lá que residem as perguntas essenciais (inúteis na prática); no fim acabou mesmo por substituí-la, declarando-se “filosofia positiva”.

Ora toda esta conversa do Demo, foi-me sugerida pelos comentários do próprio...
E porque sorria eu da ironia com que referiu “a «miserabilidade» do Homem “acreditar” em Deus” e “o «endeusamento» que o Homem faz do embuste que é a religião”?
Pois. E se fizermos mais uma transformaçãozita nas orações?
- “a «miserabilidade» do Homem “acreditar” na Ciência
- “o «endeusamento» que o Homem faz do embuste que é Positivismo

Porque o cientista, caro Demo, é também um fidéista que acredita piamente no mundo ser inteligível; e acredita que tem na tola a máquina de “inteligere”.
Claro que o amigo dirá que ao contrário da Religião, a Ciência é “algo de real, algo provado, algo que existe e com provas dadas”, e também algo que usamos…
É verdade, mas não sabemos tudo e o facto de ser utilizável não significa que seja verdadeiro em sentido absoluto, significa apenas que nunca antes falhou essa relação fenomenal... repito, antes. Quando um dia falhar como acontece, o cientista vai acreditar, repito, acreditar… que o impasse será ultrapassado: fides!

Vais outro exemplo?
“Durante os últimos trinta anos da sua vida, Albert Einstein tentou implacavelmente encontrar a Teoria Unificada do Campo – uma teoria capaz de descrever as forças da Natureza dentro de um formalismo único, coerente e englobador. Einstein não foi motivado pelas coisas que vulgarmente associamos aos empreendimentos científicos, tais como tentar explicar este ou aquele aspecto de alguns dados experimentais. Pelo contrário, ele foi guiado por uma crença ardente de que o conhecimento mais profundo do Universo iria revelar a sua mais verdadeira maravilha: a simplicidade e o poder dos princípios em que é baseado. Einstein queria explicar a forma de funcionar do Universo com uma clareza nunca alcançada, permitindo-nos a todos nós contemplar respeitosamente toda a sua beleza pura e elegância.
Mas Einstein nunca concretizou o seu sonho…”
in Brian Greene, O Universo Elegante, Gradiva 2000

Essa teoria unificadora única, capaz de descrever todos os fenómenos físicos, crê-se ser a hoje famosa – mas para muitos físicos, ainda incrível! – Teoria das Super Cordas.
Mas o ponto aqui é este: no século XX, em função dos avanços técnicos, e das aplicações resultantes do método científico, o Homem passou a acreditar mais na ciência e no dinheiro, os novos ídolos. Acredita no que se vê (provas segundo o Demo).
E um segundo ponto é o seguinte: o Homem é sempre movido por algum tipo de fé e a Ciência não passa também de um fideísmo.
Procura-se sempre resolver a questão de fundo: que fazemos aqui se não houver uma finalidade?
Daí a fé caro Demo, até a tua… apesar de uma fé menor…prática, mas filosóficamente um pequeno embuste.
cbs
posted by @ 1:17 da manhã  
9 Comments:
  • At 10 de novembro de 2007 às 14:20, Anonymous Anónimo said…

    Reflexões sobre a fé – argumentação 1

    Caro cbs

    Confesso que conseguiu surpreender-me, pela negativa mas surpreendeu-me. Melhor, estou duplamente surpreendido, ainda pela negativa, mas mesmo assim surpreendido.

    Em relação ao comentário do último post permita-me referir esta pérola:
    [Meu caro “Demo”, agradeço-lhe as suas certezas sem fé, e faz muito bem em citar o Friedrich, uma autoridade que como sabemos acabou “livre”.]
    Postas as coisas assim subentende-se que será possuidor de uma “conhecimento superior” (quiçá algum dom divino) e que, no mínimo se não foram colegas de carteira (na escola) a obra de Friedrich estará “intimamente” partilhada, de tal forma que conseguiu nota máxima atribuída pela “Hadassah”… (olha o ego!!!)
    O que a “Hadassah” e a maioria dos leitores não sabe é que esse tal Friedrich é um ser imaginário que existe apenas no “cérebro” (?) do “cbs” e que terá sido usado apenas, para impressionar e permitir uma saída de uma situação menos favorável.
    Este tipo de atitudes arrogantes de falso conteúdo é próprio dos crentes que sentem os seus domínios ameaçados e recorrem a “falácias” para sobreviverem.
    Deste modo lanço o desafio ao “cbs” para identificar perante todos – de forma a não passar por impostor –, esse tal de Friedrich, qual a sua obra e donde terei retirado a referida citação…
    Desculpas como equívocos ou sei que é mas não encontro, não serão aceites. Se foi lesto a “referir” terá que o ser também a justificar.

    Caro “cbs”, o meu primeiro impulso foi compará-lo a uma das maiores relíquias da religião, o sudário de Turim. Você é para a religião o que o sudário é para “Cristo”… uma fraude.

    Quanto a si terei ficado esclarecido…
    Saudações
    Demo

    Reflexões sobre a fé – argumentação 2

    Caro cbs

    Sinceramente gostaria de comentar o seu post mas perante tal “salganhada” e falta de conteúdo apenas me foi possivel reter dois pontos:
    1.A necessidade de humildade – que é coisa que você não tem –, e pela qual me abstenho de comentar o “absurdo” que terá escrito (absurdos não se comentam). Faça uma reciclagem e leia muito e acima de tudo com atenção… não seja incoerente.
    2. A teoria do “Cálculo das Probabilidades” poderá ser posto do seguinte modo, quanto mais longo for o texto que escreve, mais probabilidades terá de cair no ridículo.

    A sua dificuldade em expressar-se (metendo os pés pelas mãos) revela deficiências ao nível da convivência saudável, provavelmente pela acção conjunta de uma “soberba” autista e de uma “intolerância religiosa” que o impedem de ser racional… e livre.

    Você tem toda a liberdade de expressão para dizer disparates, o que não tem é o mínimo direito de impor os seus disparates aos outros. Aceitar que fomos criados por um ser supremo que não conseguimos explicar é um delírio que cada um deve manter para si próprio.

    Saudações
    Demo

     
  • At 10 de novembro de 2007 às 14:32, Anonymous Anónimo said…

    o blog do mafarrico ignaro

     
  • At 10 de novembro de 2007 às 15:01, Anonymous Anónimo said…

    Força Demo descobre-lhes as carecas que isso é tudo um grupo de aldrabões

     
  • At 10 de novembro de 2007 às 17:19, Blogger Hadassah said…

    Rectificação ao comentário do Demo anónimo: A nota máxima dada pela Hadassah foi dada ao João (Leal) e não ao CBS...

     
  • At 10 de novembro de 2007 às 18:25, Blogger cbs said…

    Meu caro Demo
    O Friedrich Nietzche é um filósofo conhecido cujas tentativas de demonizar o Cristianismo e divinizar o Homem são conhecidas. Bem assim como o rude golpe que essas mesmas tentativas sofreram com a final perda de equilíbrio na sua própria pessoa. Essa coisa que soletras aparece precisamente no final do "Anticristo".
    A trágica conclusão da vida desse filósofo é uma lição tão ou mais fecunda do que as palavras que escreveu.

    No resto tens razão, meto os pés, meto as mãos, em especial quando não tenho cuidado, e queria tanto ser humilde mas, sem motivo, fico-me aquém. Assumo igualmente que sei pouco… por isso peço-te que, pacientemente da tua cátedra, ensines.

    Contudo, apesar das minhas dificuldades na fala, nem tocaste nas questões - disparates? ao menos porquê senhor - que coloquei, nomeadamente:
    - O facto curioso da frequência relativa de dois acontecimentos alternativos se tornar exactamente igual, quando cresce o número de repetições.
    - A “crença ardente” dos cientistas na existência de uma teoria unificada e a questão na Ciência da "fé" na inteligibilidade do Universo.

    Encaixas-te é bem na frase que utilizaste: “Atacar o autor do argumento em vez de atacar o argumento”.

    Dizes que não tenho “o mínimo direito de impor os seus disparates aos outros” e logo em seguida sais-te com a frase, esta sim impositiva: “Aceitar que fomos criados por um ser supremo que não conseguimos explicar é um delírio que cada um deve manter para si próprio”.

    Tamos conversados, ai pois estamos!...
    Os melhores cumprimentos

     
  • At 10 de novembro de 2007 às 18:37, Anonymous Anónimo said…

    Hadassah

    Peço desculpa pelo lapso, o que apesar de tudo não vai alterar em nada o que terei escrito.

    Quanto aos argumentos falaciosos do João Leal, a táctica é a mesma embora mais “soft”.
    O autor confunde os argumentos entre religião e ciência de modo a mostrar que conseguiu refutar a minha “teoria”, mas no fundo sem sequer chegou a abordá-la.
    Senão vejamos: eu argumentei que – e pela terceira vez –,“ acreditar em algo com base na fé, é acreditar em algo sem ter razões que estabeleçam a sua verdade” o que dito de outra forma, significa que acreditar em algo sem provas que o justifiquem permite-me acreditar que as galinhas possam ter dentes, afinal não serão necessárias provas basta estar escrito algures.
    Que contra argumentos foram aqui transcritos: meras tentativas em fazer desacreditarem o autor dos argumentos e um jogo de equipa tentando sobrepor-se á verdade. A prova provada de que religião é intolerância.

    Permitam-me terminar com um “texto” gnóstico [Ensinamento Legitimo / Diálogo do Salvador], anterior ao aparecimento do Cristianismo e que está publicado no “evangelho gnóstico” designado “O Livro Secreto de João”:

    “Aqueles que se limitam a acreditar na pregação que ouvem, sem se colocarem questões, e aceitam o culto que lhes é apresentado, não apenas se mantêm eles próprios ignorantes mas, “caso encontrem alguém que sinta dúvidas sobre a sua salvação”, agem imediatamente de forma a censurá-lo e silencia-lo

    Apesar de ter sido escrito á mais de 2000 anos, este lamento sobreviveu, constantemente actualizado, ás agruras dos tempos.
    Passem bem
    Demo

     
  • At 10 de novembro de 2007 às 19:39, Anonymous Anónimo said…

    Caro cbs

    Por uma questão de princípios – educação até –, vou mais uma vez tentar “esgrimir” argumentos contigo, e desta vez permite-me responder-te de forma aleatória.
    Comecemos pelo fim.
    [“ Aceitar que fomos criados por um ser supremo que não conseguimos explicar é um delírio que cada um deve manter para si próprio.”]
    Dá-me uma razão, uma apenas, de que “deus” existe a não ser na mente dos crentes. Uma prova, o testemunho de alguém, uma única mas palpável e eu converto-me de imediato…
    A religião é um acto de fé, acreditar em “deus” é – como diria Orígenes –, acreditar em algo puramente imaterial.

    Quanto á humildade
    Mais do que ser ignorante, a falta de humildade leva-nos a privilegiar essa própria ignorância.
    No comentário anterior – e por uma questão de cortesia –, não fiz qualquer referência ás tuas “teorias” que teimosamente pretendes expor. Lê-as novamente e volta relê-las com muita atenção, faz a tua própria análise crítica (ignora a dos outros) e depois conversamos, mas tem sempre presente aquilo que é designado por “o argumento da melhor explicação”…

    Quanto ao Nietzche
    Realmente foi um filósofo que “bateu” na religião, mas nunca se referiu á animalidade humana como princípio fundamental do desenvolvimento humano. As tuas leituras (?) são alvo de interpretações deturpadas provavelmente por serem vistas através dos olhos da fé, ou seja fechando os olhos á razão. [Sinceramente não acredito que tenhas lido Nietzche]
    Quando falei na animalidade humana tive em conta o pensamento de “Bakunin” (outro filósofo que desmistifica a religião) ao considerar (o mito) Adão e Eva como, senão primatas, parentes muito próximos.
    Saudações
    Demo

     
  • At 10 de novembro de 2007 às 19:49, Blogger cbs said…

    Muito obrigado pela cortesia caro Demo. como vê não custa nada, lol

    Sem argumentos, dou-me então por vencido.
    Faça-me o favor de levar a taça.

    melhores cumprimentos

     
  • At 12 de novembro de 2007 às 16:13, Blogger João Leal said…

    Este comentário foi removido pelo autor.

     
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