domingo, abril 29, 2007
A sarça ardente (a fogueira é boa para aquecer noites de acampamentos)
Nossa Senhora, rogai por nós (como pode ser bonito orar em frente deste bezerro)

Nem patrão, nem dogmático, detesto fogueiras, boas apenas para aquecer noites de acampamentos, mas isso já lá vai; de fogueiras, prefiro a sarça ardente, mas o Nuno, que desdenhou das referências do CC atira-se afinal (mais uma vez) à inquisição: saudades?

Dizia eu, sou muito pouco patrão e dogmático para desespero de amigos católicos e evangélicos, nesta casa. A sua verborreia bíblica (poupe-me) faz de si um bibliólatra anónimo, digno do reader's digest como escrevi, muito próprio de quem gosta de excomungar os outros, sem cuidar da humildade: já me mete no saco de arianos, testemunhas, depois dos pagãos sincréticos, e agora obscurantista por via de Antero de Quental. Errei na sua idolatria: o Nuno vomita referências literárias para denegrir a argumentação de outros. Conheço o estilo, evito-o. Não tenho a presunção de ser intelectual nem académico, pretendo humildemente viver a minha fé, não apostatizo os outros.

Eu tenho de me defender de quê, meu caro?! Gosto desse tom: condenado até prova em contrário. Sabe, talvez saiba, estou desempregado, sou obrigado a apresentar-me como criminoso de 15 em 15 dias, passo bem sem estar a dizer que como católico não adoro o bezerro de ouro. De si, não posso dizer o mesmo: detesta a estatuária das igrejas, eu também acho que algumas são bem feias, mas se for preciso posso recolher-me a elas, para orar, caso me sinta inspirado, como me senti nos Picos da Europa, ou em frente aos nenúfares de Monet no MoMA. Do Warhol gosto muito de me recolher junto da Marilyn, por motivos óbvios.

[O Bush não é preconceito, é facto, atestado neste blogue. Posso ofender assim?!]

Hoje, o frei Bento (mais um apóstata, pagão sincrético, ariano, testemunha de Jeová, obscurantista) diz-nos no Público como as ossadas de Cristo interessam pouco para a ressurreição: «Onde houver gente necessitada, gente que precise de presença, de cuidados, há um lugar maldito que é preciso santificar. [...] A Igreja só testemunha a ressurreição quando participa na insurreição contra tudo aquilo que estraga a vida das pessoas.» Uma citação, uma excitação para si: esta é a minha idolatria, o meu politeísmo, a minha bibliolatria. O resto, aquilo que quer dizer de mim, não colhe, como não colheu no passado.

Acho giro, que goste de atirar pedras, digno dos fariseus mais empedernidos. Quando falei de equilíbrio no disparate, estava a falar de mim, meu caro. E dos outros trentinos todos: "veio equlibrar" - percebeu o tempo verbal, ou tenho de citar um versículo?!

Miguel Marujo
posted by @ 3:44 da tarde  
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