sábado, junho 23, 2007
Tiago, dou-te razão...
"Com a profundidade filosófica europeia continental (sobretudo alemã mas também francesa) que isenta os fiéis de se identificarem palpavelmente com algo protegendo-os nas suas perplexidades, dúvidas e toda a sorte de oásis temporários podem então os católicos viver aberta e mundanamente fora da disciplina da Igreja, proclamando heresias sob o sol mediterrânico uma vez que a certeza está na impossibilidade de ela existir.
Sob a capa da tolerância e de uma fé contemporânea podem desprezar todos os outros que assumem consequências quotidianas de uma opção religiosa (a esta nova técnica de maquilhagem podemos chamar o fundamentalismo do anti-fundamentalismo)"


Dou-te razão, mas ao fundamentalismo do anti-fundamentalismo, parece-me que bastará chamares-lhe Cepticismo (anti-dogmático).
Mas deixa acrescentar que o Cepticismo não é recente, e coexistiu com a convicção da possibilidade de conhecimento universal, quer por via exclusiva da Razão, quer por via da Razão com Fé.
O Relativismo cultural, que se desenvolveu com a expansão europeia induziu progressivamente, a descrença absoluta (Niilismo).
Foi o próprio paradigma da civilização clássica ocidental (a existência da Verdade fundamental) que foi posto em causa, quando alguns filósofos puseram em questão a possibilidade de conhecer (Kant e o Relativismo Fundamental) advogando outros até, o fim da Filosofia (Comte e o Positivismo).
Ficámos em presença simultânea da negação da validade racional da iluminação divina e da afirmação da contingência absoluta da natureza humana, o que atinge o cerne do próprio Conhecimento: a certeza está na impossibilidade de ela existir, como dizes.
Este modo de pensar busca a dissolução da Religião na Filosofia.

Já não falamos da Secularização como separação do religioso e do laico, que a Teologia propunha ao tentar racionalizar a Revelação (fundamento do Cristianismo) mas na presença de uma Laicidade (anti-religião) nos próprios fundamentos do religioso, que é a Verdade revelada:
“Tu crês no amor como uma propriedade divina porque tu próprio amas; crês que Deus existe, que é portanto um sujeito – o que existe é um sujeito, seja este sujeito determinado e designado como substancia, ou pessoa, ou essência, ou de outro modo qualquer – porque tu próprio existes, tu próprio és sujeito”
“A fé no Deus que se fez homem por amor – este Deus que é o ponto central da religião cristã – não é senão a fé no amor, mas a fé no amor é a fé na verdade e divindade do coração humano”
Ludwig Feuerbach, A essência do Cristianismo, Lisboa FCG 1994

Este gajo, no final do séc. XIX, propunha a desmistificação da transcendência da religião, reduzindo-a à própria natureza do Homem.
cbs
posted by @ 3:37 da manhã  
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