segunda-feira, maio 21, 2007
Relativismo: a ver se nos entendemos 3
Partindo da classificação das teorias filosóficas quanto aos limites do conhecimento, passemos aos sistemas morais… a ver se isto faz mais algum sentido, tenham paciência. Por ser extremamente limitado, só consigo estabelecer um discurso minimamente coerente, definindo os termos da expressão.

Na sua acepção genérica, Moral designa um conjunto de regras de conduta;
Na sua acepção genérica, Ética designa a reflexão sobre a experiência moral, sobre o que respeita ás regras de conduta e em particular as noções de Bem e de Mal.
E um dos problemas fundamentais que se apresentaram ao objecto da moral foi a questão geral das relações entre o conhecimento e a acção, num plano concreto a relação da Moral com a Ciência, noutro, hoje crítico, a relação entre Moral e Política, origem da teoria antropológica do Relativismo Cultural.
Alguns querem fazer a moral uma ciência como as outras, outros querem restringi-la a uma disciplina filosófica.

Entre os que pretendem cientificar a Moral aparecem duas linhas, os egoístas e os altruístas.
No caso dos egoístas encaixam as morais antigas, mas muito em voga no nosso tempo:
1. O Hedonismo como doutrina do prazer imediato; é Bem o que permite gozar, é Mal o que faz sofrer.
2. O Epicurismo que rejeita o prazer imediato, por transitório, privilegiando o prazer estável, implicando esse conceito a abstenção e a selecção dos prazeres.
3. O Utilitarismo criado pelos filósofos ingleses do século XIX, em particular Benjamim Bentham, substitui o prazer estável pelo prazer maior, preconizando uma curiosa aritmética dos prazeres.

O matemático Henri Poincaré dizia que "a Ciência fala no Indicativo (o que é) e a Moral no Imperativo (o que deve ser)"
Sendo a Moral assente em juízos de valor e a Ciência em juízos de realidade, outros pensadores, os segundos atrás referidos, reduzem-na a um capítulo da Filosofia, uma "ciência" dos valores, que deve estabelecer coerentemente as leis da actividade humana e que desembocará na Ciência Jurídica.
Classicamente destacaram-se três grandes sistemas:
4. O Eudemonismo Racional de Aristóteles que vê o Bem na busca da Felicidade (do grego eudaimonia), o sentimento que resulta da actividade superior racional, diria eu, da realização pela razão.
5. O Tomismo Cristão que retoma Aristóteles, mas corrigindo-o num ponto fundamental; enquanto Aristóteles vê na acção da razão, o próprio Bem (Felicidade), S. Tomás ao contrário, vê a razão como meio de estabelecer o que é o Bem; a moral da felicidade transforma-se na moral do Dever, que não exclui a felicidade, mas como um meio para o Bem, não como o Bem em si.
6. O Imperativo Categórico de Kant, uma obrigação incondicional, independente da nossa vontade ou desejos.
Kant criou um elaborado sistema ético onde o Bem é o Dever (opondo-se ao optimismo tomista que legitimava a felicidade), segundo um critério duplo de universalidade (da regra) e valor (do fim): age sempre como se quisesses que a norma da tua acção se tornasse uma lei universal.

O extraordinário Stuart Mill, partindo de Jeremy Bentham, estabelece a transição entre as morais egoístas (hedonistas) e as morais altruístas (sociais), adoptando a teoria utilitarista mas acrescentando dois conceitos, a qualidade do prazer sobrepondo-se à quantidade, e o interesse geral sobrepondo-se ao interesse pessoal.
Nas morais altruístas, chamadas também sociais, a ideia básica é que a felicidade e o progresso humano são inseparáveis, e aqui entramos pela política dentro:
7. A Benevolência para com o próximo, como fonte de felicidade, de Francis Hutcheson
8. A Simpatia desinteressada pelo próximo, que favorece a partilha, em Adam Smith
9. O Humanismo do dever para com a Humanidade, como base do progresso, de Auguste Comte.
10. A Solidariedade considerando os membros da sociedade numa comunidade de interesses, e como tal cooperadores para o Bem Comum, com Léon Bourgeois

No fundo, neste terceiro grupo das morais sociais, pretende-se que o moralista tenha a atitude do sociólogo, o seu propósito de apenas procurar, analisar e explicar os fenómenos morais, independentemente de qualquer preocupação normativa.
Em abstracto, com já referi, o Relativismo é apenas uma doutrina gnoseológica que discute criticamente a possibilidade de alcançar a verdade absoluta.
Mas é daqui, da concepção sociológica de uma Moral como ciência dos costumes, que finalmente deriva a aplicação do conceito relativista à Ética, através da teoria antropológica de Franz Boas do Relativismo Cultural como determinante moral, que no limite, me parece levar à amoralidade.
cbs
posted by @ 1:37 da manhã  
17 Comments:
  • At 21 de maio de 2007 às 03:38, Blogger zazie said…

    Olha, encontrei um artigo que explica muito bem o relativismo. Vem na página da Opus Dei : Relativismo, verdade e fé

    Ahahahahahhaha

    Mas é verdade que explica isto tão bem que até diz o mesmo que eu. Juro que não o tinha lido.
    ahahahahah


    O que tu escreveste também li na Wikipédia mas aquilo de que se está a falar não é isso.

    Para não ficar um diálogo de surdos podias tentar perceber do que se fala. Não invalida que botes informações de filosofia, apenas serve para se perceber que é de outra coisa que se está a tratar.

    O tema é este que vem na página da Opus Dei eheheh

    Por acaso apercebi-me logo que a grande dicotomia havia de estar entre a verdade e a liberdade.

    Dei-me conta disso durante o debate acerca do aborto. Está aí no Trento uma passagem que escrevi minutos antes de me decidir a votar Não.

    E foi precisamente por esta questão da liberdade ser mais importante que a busca da verdade que achei que devia votar.
    Quem me deu o grande pretexto até foi o MP-S precisamente por sacrificar a busca de uma verdade pelo direito egoísta da liberdade, acerca de algo que depois é tido como relativo.

    Se quiseres posso linkar. Mas é no poste do CC (se não me engano) e aconteceu no próprio dia da votação.

     
  • At 21 de maio de 2007 às 03:41, Blogger zazie said…

    Mas tu confirmas um detalhe: és casmurro. Não te esforçaste o mínimo por perceber a noção de relativismo que se anda a debater. Preferiste voltar à carga com definições de dicionário.

    Ok. Mas isso serve para quê? para que aquilo que até o Papa sabe o que é, deixe de ser e siga o que tu dizes que tem de ser?

    ahahahaha
    ":O)))

     
  • At 21 de maio de 2007 às 03:46, Blogger zazie said…

    Tenho de ler o Ratzinger...

    Olha aqui esta passagem tão pertinente. Até vai directamente ao politicamente correcto. Isto devia ter direito a post .Fazia muito bem ao nosso Miguelinho ler...
    ehehehe
    "A falta de sensibilidade para com a verdade e para com as questões relativas ao sentido do viver leva consigo a deformação – quando não a corrupção – da idéia e da experiência da liberdade; da própria liberdade, em primeiro lugar. Não pode estranhar que a consolidação social e legal dos modos de vida congruentes com a desordem antropológica de que estamos falando se fundamentem sempre invocando a liberdade, realidade certamente sacrossanta, mas que é preciso entender em seu verdadeiro sentido. Invoca-se a liberdade como liberdade de abortar, liberdade de ignorar, liberdade de não saber falar senão com palavras soezes, liberdade de não dever dar razão das próprias convicções, liberdade de incomodar e, antes de tudo e sobretudo, liberdade de impor aos demais uma filosofia relativista, que todos teríamos que aplaudir como filosofia da liberdade. Quem lhe negar o aplauso será submetido a um processo de linchamento social e cultural muito difícil de agüentar. Penso que estas considerações podem ajudar a entender em que sentido Bento XVI tem falado de “ditadura do relativismo”.

     
  • At 21 de maio de 2007 às 03:50, Blogger zazie said…

    esta aquim tão pertinente para o que se prepara para fazer por cá...

    "Isto se vê claramente no modo em que a mentalidade relativista ataca os seus adversários. A quem afirme, por exemplo, que a heterossexualidade pertence à essência do casamento, não se lhe diz que essa tese é falsa, mas se lhe acusa de fundamentalismo religioso, de intolerância ou de espírito anti-moderno. Menos ainda se lhe dirá que a tese contrária é verdadeira, isto é, não se tentará demonstrar que a heterossexualidade nada tem a ver com o casamento. O característico da mentalidade relativista é pensar que esta tese é uma das teses que existe na sociedade juntamente com a sua contrária e, talvez, com outras mais, e que, em definitiva, todas têm igual valor e o mesmo direito a serem socialmente reconhecidas. Ninguém é obrigado a se casar com uma pessoa do mesmo sexo, mas quem quiser fazê-lo deve poder fazê-lo. É o mesmo raciocínio com o qual se justifica a legalização do aborto e de outros atentados contra a vida de seres humanos que, pelo estado em que se encontram, não podem reivindicar ativamente os seus direitos, e cuja colaboração não é necessária a nós. Ninguém é obrigado a abortar, mas quem pensar que deve fazê-lo, deve poder fazê-lo."

     
  • At 21 de maio de 2007 às 03:56, Blogger zazie said…

    Só uma pergunta: quem é que disse que o Stuart Mill era "extraordinário"?

    ":O?

     
  • At 21 de maio de 2007 às 11:54, Blogger Antonius Block said…

    cbs,

    Tenho que concordar com a zazie. Não me parece que isto adiante muito no que ao relativismo diz respeito. Além disso, tenho um certo pó às definições muito simplistas de correntes filosóficas. Em geral as definições sucintas estão sempre mais ou menos erradas. Cada filósofo é um mundo e é as suas ideias que vale a pena incorporar e discutir. Ler e estudar filosofia parece-me absolutamente fundamental para discutir este tópico, mas incorporando e interiorizando os conceitos, fazendo uma digestão própria, e integrando isso num discurso próprio já liberto de definições muito herméticas e académicas.

    Pelo menos é para isso que eu acho que serve a Filosofia (ou a Teologia). É que se não serve para isso, serve para quê? A dada altura está-se a discutir palavras em vez do que verdadeiramente interessa.

    Um abraço, em Cristo

     
  • At 21 de maio de 2007 às 12:01, Blogger Antonius Block said…

    De notar por exemplo, que quando me referi ao pós-modernismo referi-me "ao pior do pós-modernismo". Porque há muita coisa no pós-modernismo muito interessante e que não implica uma visão automaticamente relativista, pelo contrário, ajuda a aprofundar a nossa capacidade de discursar sobre a realidade ou a avaliar o valor desse discurso.

    Aquilo a que tenho chamado relativismo (e a zazie também) é algo de muito específico, uma dinâmica muito particular, mas o que não impede de estar dessiminado em grande escala.

     
  • At 21 de maio de 2007 às 12:36, Blogger cbs said…

    Antonius
    penso que os ultimos dois posts traduzem melhor o que dizes faltar nestes iniciais.
    o tema que fixei foi mesmo o relativismo cultural, mas não consigo debater sem defenir os termos na raíz.
    dizes que são esquemas e definições muito simplistas, sim, de acordo. E que fazemos nós nestas conversas senão simplificar; tu próprio na referencia ao Pos-Modernismo assumes que há muito mais a dizer.

    Por isso é bonzinho no início das conversas defenirem-se os conceitos. E deixa lá, secalhar também é mau feitio, assumo...
    Paciencia ;)

    abraço em Cristo

     
  • At 21 de maio de 2007 às 12:37, Blogger cbs said…

    ou julgavas que era só a Zazie a dar secas, lol

     
  • At 21 de maio de 2007 às 13:03, Blogger zazie said…

    é... mas as minhas secas ao menos são muito minhas, não valem pela caligrafia da cópia de entradas de dicionário.

    ":OP

     
  • At 21 de maio de 2007 às 13:43, Blogger zazie said…

    Para te dizer de caras, tu não estás a definir conceitos. Nem estás a fazer nada para compreender o relativismo. Para isso contra-argumentavas ao que já foi dito.

    tu decidiste mostrar que sabes conceitos de filosofia. É mais fácil e sempre evita ter de se pensar.

    E depois eu é que sou a da jactância.
    ahahahah

    ":OP
    -----
    Por exemplo: ainda ali está uma questão levantada pelo Tim por resolver. A do Amor como medianeiro da tolerância pelo facto da tradição poder não ser divina e o nosso conhecimento ser, também ele, probabilístico.
    ahaha

    E agora tenho lá no meu estaminé o meu afilhado a negar a existência de lei natural
    ehehe

    Eles são lixados... a jacobinagem é muito espertinha

     
  • At 21 de maio de 2007 às 13:46, Blogger zazie said…

    seca por seca...
    fiquei sem saber em que é que o Stuart Mill era extraordinário.

    ":O)))

    terá sido no utilitarismo? querias tu dizer que o utilitarismo liberal é que é uma moral extraordinária?

    Estás a ver como também é importante explicar-se o que se escreve?

     
  • At 21 de maio de 2007 às 14:30, Blogger Antonius Block said…

    zazie,

    Sobre a questão do Tim, que é pertinente, resta dizer que a própria Igreja já respondeu a isso há muito tempo. O mandamento do Amor é absolutamente fundamental para descernir o trigo do joio. Basicamente o trigo são os dogmas e tudo o que directamente diz respeito à Revelação e o joio pode ser (quase) tudo o resto consoante o Espírito Santo o indicar. É preciso é provar que o que vem de novo é melhor que o que foi deixado (aliás, o mesmo exactamente passa-se na ciência). A Igreja é lenta e avessa a mudar de costumes e só faz bem, todo o conhecimento estruturado procede exactamente da mesma maneira. Exemplos que de repente me ocorrem de elementos da Tradição que mudaram ou podem vir a mudar:

    - A missa em latim (Tridentina).
    - O celibato dos padres diocesanos.
    - As cerimónias penitenciais públicas (substituídas pela confissão privada há uns quantos séculos atrás).
    - Co-habitação de leigos e ordenados sobre o tecto de uma mesma instituição religiosa (bom, os dominicanos tinham coisa parecida há já muito tempo, mas mesmo assim, não com a mesma força e normalmente numa ordem secular distinta da regular).

     
  • At 21 de maio de 2007 às 14:53, Blogger zazie said…

    Ok, Antonius. Eu percebi a questão do Tim porque ele já a tinha enunciado quando foi do referendo do aborto.

    O que não sei responder assim de modo tão rápido é ao facto de ele considerar que a tradição não o engloba. Ou ainda outra questão- se está ou não inscrito no tal imperativo categórico.

    Em relação aos exemplos religiosos que deste entendo que sejam acessórios mas não entendo que sejam perniciosos.

    Podia-se pegar em cada um deles e apresentar posições a favor e contra.

    1- missa em latim- Sim. Foi questão debatida na Idade Média; voltou e manteve-se em tempos modernos (eu lembro-me bem das missas em latim) e não me desagradaria que voltasse a ser norma.
    A questão não é a liturgia mas a prédica. A liturgia acho que pode e fica até muito melhor em latim. Tal como deve ser abolida essa macacada da música rock e pimba. Isso tudo teve a sua época na moderna "contra-reformazinha" para chamar a maltosa que não ia à missa.

    Só que, hoje em dia, essa maltosa tem mais macacada com música e dança em qualquer dessas igrejas que ocupam velhos cinemas Império e quejandos. Por aí é mais um ponto para a macumba que até tem mais ritmo.
    ":O))

    2- Celibato sim. Sempre sim; a resposta está no mesmo. Para casório e dispersão no século já temos o protestantismo. O casório não trouxe qualquer vantagem a não ser qualquer um, com vida mundana, falar em nome de Deus.

    3- A co-habitação já existe na prática. Vão dormir a casa ou à dependência anexa. Mas já existe. Os antigos conventos ainda incluem os sacristões casados com a família toda a viver lá e à conta.

    Conheci bem alguns casos: Vilar de Frades, ao pé de Barcelos, por exemplo. Ainda que esteja desactivado e funcione como asilo de doentes mentais, tem padre e família enorme do sacristão. Por acaso com histórias interessantíssimas. Casaram lá na igreja e já têm filhos.

    E há muitos mais. No convento (também desactivado) de Leça do Balio também é o sacristão que toma conta daquilo (enquanto trata dos negícios) e até chega a oficiar. Ele e mulheres da terra oficiam durante as novenas da Páscoa. Contaram-me lá. O padre anda a banhos e eles é que cuidam dos ofícios religiosos.

    O problema de integrar conversos é apenas um: praticamente já não existirem frades. Se existissem, não me incomodaria a integrassão de conversos .Agora fazer daquilo tudo estalagem é que é outra história.
    Tenho conhecimento dessa integração nos países de leste onde continuam muito activas as ordens religiosas.

     
  • At 21 de maio de 2007 às 14:58, Blogger zazie said…

    Esqueci-me dos penitenciais públicos. Foi isso que esteve na origem da Reforma...

    ahahaha

    Os gajos já não tinham grande tradição de penitenciais públicos e por isso também não tinham grandes carnavais.

    Por mim, se fosse para voltar a boa da Idade Média com os penitenciais públicos e mundo às avessas, na maior

    ahahaha

    Estou a brincar. Carnaval já o temos todos os dias. Não há inversão quando não há ordem.

    Não sei em que consistiria e, assim à primeira nem sei como se poderia tornar mais público aquilo que se faz luxo em contar publicamente.

    Só se fosse com mais um concurso televisivo, a dar prémio a quem confessasse, publicamente, maiores pecados e aberrações pós modernas

    ":O))))

     
  • At 21 de maio de 2007 às 15:00, Blogger zazie said…

    eu escrevi integrassão?

    c'um caraças! como é possível. Estou pior que o maradona

    ":O.

     
  • At 21 de maio de 2007 às 16:56, Blogger Antonius Block said…

    zazie,

    Eu não emiti juízos quanto aos pontos que enunciei. Mas deixa-me dizer-te que discordo quer da tua posição face à missa em latim (outra coisa diferente é a solenidade da liturgia, aí de acordo que isto agora é uma macacada pegada, mas isso é muito mais um problema pastoral), quer das cerímonias penitenciais públicas. Não tenho especial opinião quanto ao celibato dos padres diocesanos, e a co-habitação que falas é bem diferente da existência de instituições onde leigos consagrados e padres vivem juntos e são olhados com uma certa igualdade hierárquica. Nada tem que ver com os irmãos Jesuítas por exemplo, ou os irmãos das ordens monacais que sempre houve, sempre puderam ter mulher e filhos a viver por lá, mas cujo estatuto era claramente inferior.

     
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