quinta-feira, outubro 09, 2008
Introdução à escatologia. Pelo Rev. Peter Mullen.
'Mas o que para mim era lucro passei a considerá-lo como perda por amor de Cristo; sim, na verdade, tenho também como perda todas as coisas pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como refugo [gr. 'skubalon' - fezes de cão], para que possa ganhar a Cristo' (Filipenses 3:7-8)

Foi ontem noticiado que o reverendo anglicano Peter Mullen rogou recentemente o perdão da comunhão de Westminster pelos seguintes comentários, retirados do seu blogue:

'Obriguem os homossexuais a tatuarem as costas com o dístico A sodomia pode prejudicar gravemente a sua saúde (...). Mais ainda, a obscenidade das paradas de orgulho gay devia ser ilegalizada pela sua corrupção passiva, comparável à dos fumadores passivos'.

O clérigo também se insurge poeticamente contra o casamento entre dois párocos da Igreja de Inglaterra nos seguintes versos, que manterei por traduzir, para apreciação pura do seu lirismo:

'The Bishop of London is in a high huff.
Because Dr Dudley has married a puff;
And not just one puff - he's married another:
Two priests, two puffs and either to other
.'

Peço primeiramente calma, pois já fui chamado homofóbico e antifemininista antes: não subscrevo às declarações do Rev. Mullen. Reconheço, sim, a verdade bíblica de que os sodomitas e efeminados que não se arrependam do seu pecado jamais herdarão o Reino (I Coríntios 6:9), e qualquer leitura minimante honesta da Palavra concordará comigo. Contudo, não me parece de tom sério a difamação moralista e farisaica do homossexual. Isso é mais retórica dos políticos de direita, no meio secular. Pois óbvio é que ninguém é convertido pela moral, mas pelo Evangelho, que regenera o homem perdido - desejando ele mais as coisas das carne que a obediência a Deus - e chama ao arrependimento das suas faltas e à fé purificante em Jesus Cristo, que só o nascido do Espírito pode mostrar, por obra do Senhor. Só então moralizem o pobre coitado.

Contudo - e apesar de não concordar com a afirmação do pároco inglês - reconheço a legitimidade do uso da linguagem escatológica: ou seja, do registo de linguagem cru e por vezes asqueroso, que até encontramos não tão raramente na Escritura. Esta, porém, é utilizada em tom profético, e em situações específicas, sobre duas ou três temáticas em particular: não tão somente a desobediência à Lei de Deus, mas a hipocrisia dos que intentam comprar a salvação do Senhor por obras humanas, desrespeitando a Graça - como o versículo acima, em que Paulo compara os seus feitos enquanto clérigo a uma pilha de cocó canino. Escutemos também Isaías:

'Pois todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapos de imundícia [he. 'êd' - fraldas menstruais]; e todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniquidades, como o vento, nos arrebatam. E não há quem invoque o teu nome' (Isaías 64:6-7a).

Numa instância particularmente gráfica, o Senhor acusa Israel dum historial de promiscuidade espiritual, desde a Assíria ao Egipto, em que os hebreus se dobraram perante ídolos e louças divinas, como que em libertinagem sexual:

'Todavia ela multiplicou as suas prostituições, lembrando-se dos dias da sua mocidade, em que se prostituira na terra do Egito, apaixonando-se dos seus amantes, cujas pudendas eram como as de jumentos, e cujo fluxo era como o de cavalos. Assim desejaste a luxúria da tua mocidade, quando os egípcios apalpavam os teus seios, para violentar os peitos da tua mocidade' (Ezequiel 23:19-21).

Que dizer à vista disto? A Escritura refere a idolatria, a justificação por obras, o adultério, a sodomia, etc., como nojices e algo nauseabundo ao Senhor. E muitas vezes reparo no efeito negativo que a omissão e eufemização do pecado mostra: mais pecado. Vi demasiadas vezes irmãos na fé recaírem também pelo lapsus linguae do pastor em não articular a realidade tão fecal e visceral que é a rebelião contra Deus; isto é, não permitirem que o cocó seja cocó, cheire mal, e nos chame ao grego. Koiné.

Nuno Fonseca
posted by @ 2:51 da tarde  
30 Comments:
  • At 9 de outubro de 2008 às 21:34, Blogger MC said…

    Nuno,

    escatologicamente falando, este post é uma merda.

    Colocas-te arrogantemente, escudado pela Palavra, que teimas em ler de forma literal, acima dos que erram. Convence-te, irmão, estás no mesmo barco daqueles que teimas em nomear como se fossem eles os únicos pecadores. Quem te avisa teu amigo é!

     
  • At 9 de outubro de 2008 às 21:39, Blogger MC said…

    PS. curiosa (e não ociosa) a alegação das "fraldas menstruais"...nojice? ainda tens muito que aprender.

     
  • At 9 de outubro de 2008 às 21:50, Blogger Joao Leal said…

    Este comentário foi removido pelo autor.

     
  • At 9 de outubro de 2008 às 21:52, Blogger Joao Leal said…

    Gráfico, é verdade, mas esclarecedor sem margem para dúvidas.

    claro que um profeta é um profeta.
    Podia-se dar a esses luxos sem levar um soco na cara.

    Felizmente, vivemos noutros tempos. O cristianismo teve 2000 anos para evoluir e ser pensado.

    Quem sabe se o ser-se homossexual não é assim tão grave aos olhos de Deus, afinal? Será que os gays podem servir a Deus como os hetero? Só Deus saberá mas a mim parece-me que sim.

     
  • At 9 de outubro de 2008 às 22:52, Blogger Pedro Leal said…

    "E muitas vezes reparo no efeito negativo que a omissão e eufemização do pecado mostra: mais pecado."

    Sim, isto é verdade. E talvez o erro do reverendo inglês tenha sido precisamente não pegar o touro de caras. O sarcasmo é também uma forma enviesada de lidar com o pecado.

     
  • At 9 de outubro de 2008 às 23:57, Blogger Nuno Fonseca said…

    MC,

    Esses argumentos ad-hominem apenas provam que não tens resposta racional para o que foi escrito. O Senhor cede ao cristão a humildade para toma a Sua Palavra como autoridade, e ela o é para mim, como para ti, e para os mais. Muitos se esquecem que ao julgar arrogante tal sujeito por ter certezas, estão a ser arrogantes por nem duvidar se errados estão quanto a ele, podendo estar certo.

    Quando estiveres perante o julgamento de Deus, tenta não oferecer como desculpa a literacidade da Bíblia ou a falta dela, porque o Senhor sonda os corações e sabe que não aceitas a Palavra pois não te convém que seja verdadeira, caso a rejeites.

    E, sim, sou pecador como 'eles', quem quer que sejam, e mais até, podendo dizer junto com Paulo, que, na minha carne, sou o principal dos pecadores. Mas no mesmo barco, não. Fui justificado e separado do pecado e do mundo, junto com o povo escolhido de Deus, e espero a glorificação junto do Pai, onde o meu espírito regenerado não mais será tentado pelo corpo corrupto.

    Não duvido que tenhas vontade de me ver cair. Mas os santos do Senhor sempre preserveram, e creio que Jesus me selou para Si.

    §

    João Leal,

    Se o próprio Senhor diz que é, é. Sabes o quanto a Palavra é óbvia quanto a isso. Um homem morto nos seus pecados jamais pode agradar a Deus. Além do mais, temos que oferecer o nosso corpo como sacrifício vivo, mas eles, juntamente com os adúlteros e fornicadores, prostituem-no.

    §

    Soli Deo Gloria.

     
  • At 9 de outubro de 2008 às 23:58, Blogger Nuno Fonseca said…

    PS:. Se as fraldas menstruais não são nojentas, não sei porque se chamam 'fraldas' e são 'menstruais'.

    Cá em casa isso vai para o lixo depois de usado.

     
  • At 10 de outubro de 2008 às 17:53, Blogger cbs said…

    Nuno, meu irmão, desculpa lá meter-me nisto assim, até porque, como de costume, aqui as palavras aquecem o bioma numa progressão geométrica, cada termo é igual ao produto do anterior pela constante do menosprezo.
    Mas a palavra "nojo" vem de "enojo" do étimo latino "in + odiu" ou seja "com ódio"...
    Seria bom que o Amor de Deus nos fizesse superar todos os nojos que sentimos. Seria bom que não tivéssemos nojo de nada e que as nossas decisões fossem tomadas na serenidade do Amor do Pai, conscientes de tudo é a Obra Dele.
    Sei que isto pode parecer um "cabe tudo" e a defesa da dissolução de todo e qualquer princípio, mas não é.
    O que digo é que todos os nojos nos puxam para baixo - veja-se a Política - e só o Amor de Deus nos pode elevar ao Céu.

    abraço a ti e ao Vitor com toda a estima, creiam.

     
  • At 10 de outubro de 2008 às 17:57, Blogger cbs said…

    e já agora, não tenho nada contra princípios rijos (que também tenho embora possa não parecer) nem contra camisas de força... não mas ponham é a mim (incluindo as presunções que aqui, de vez em quando se fazem) e deixem-me ser eu a escolhê-las.

     
  • At 10 de outubro de 2008 às 17:58, Blogger cbs said…

    mas não se zanguem, pelo Amor de Cristo :)

     
  • At 10 de outubro de 2008 às 19:09, Blogger MC said…

    Nuno,

    Vejo que tens dificuldades em perceber a razão dos meus comentários aos teus posts. Digamos que, talvez seja levada pelos mesmos sentimentos, com que tu os escreves. Os nossos alvos é que divergem. Os dois queremos ser fiéis à Palavra. Podes crer que da minha parte nada mais do que isso.
    Para rebater o teu post, podia enveredar por te dizer que o conceito de pecado é mutável - evolui (que me dizes de algumas prescrições do Levítico?). Mas prefiro fazê-lo da mesma forma que o fazes, deixando que a Palavra se revele, e nos revele, nesta questão. Para isso transcrevo o seguinte texto:

    "36Um fariseu convidou-o para comer consigo. Entrou em casa do fariseu, e pôs-se à mesa. 37*Ora certa mulher, conhecida naquela cidade como pecadora, ao saber que Ele estava à mesa em casa do fariseu, trouxe um frasco de alabastro com perfume. 38Colocando-se por detrás dele e chorando, começou a banhar-lhe os pés com lágrimas; enxugava-os com os cabelos e beijava-os, ungindo-os com perfume.
    39Vendo isto, o fariseu que o convidara disse para consigo: «Se este homem fosse profeta, saberia quem é e de que espécie é a mulher que lhe está a tocar, porque é uma pecadora!»
    40Então, Jesus disse-lhe: «Simão, tenho uma coisa para te dizer.» «Fala, Mestre» - respondeu ele. 41*«Um prestamista tinha dois devedores: um devia-lhe quinhentos denários e o outro cinquenta. 42Não tendo eles com que pagar, perdoou aos dois. Qual deles o amará mais?» 43Simão respondeu: «Aquele a quem perdoou mais, creio eu.» Jesus disse-lhe: «Julgaste bem.» 44*E, voltando-se para a mulher, disse a Simão: «Vês esta mulher? Entrei em tua casa e não me deste água para os pés; ela, porém, banhou-me os pés com as suas lágrimas e enxugou-os com os seus cabelos. 45Não me deste um ósculo; mas ela, desde que entrou, não deixou de beijar-me os pés. 46Não me ungiste a cabeça com óleo, e ela ungiu-me os pés com perfume. 47Por isso, digo-te que lhe são perdoados os seus muitos pecados, porque muito amou; mas àquele a quem pouco se perdoa pouco ama.» 48Depois, disse à mulher: «Os teus pecados estão perdoados.»
    49Começaram, então, os convivas a dizer entre si: «Quem é este que até perdoa os pecados?» 50*E Jesus disse à mulher: «A tua fé te salvou. Vai em paz.»


    Temos uma cena com várias personagens centrais: Jesus, Simão, o fariseu e uma mulher cujos pecados eram públicos. A mensagem que o evangelista nos quer mostrar é o perdão de Deus.
    Para sermos fiéis à clara mensagem do texto, não devemos fazer como eu fiz no primeiro comentário – dizer que todos somos pecadores. Até somos, tu mesmo o dizes. Depois fazes esse passe de mágica de dizer que somos “separados, justificados” (teologia Paulina), seremos isso tudo no “face a face” com Deus se radicalmente aderirmos a Ele. Enquanto isso não acontece, acho que estamos todos no mesmo barco. Mas eu não conheço a tua pessoa, como tu e Deus conhecem. Podes ser um íntegro.
    Voltando ao texto, temos uma mulher pecadora e um homem íntegro. Qual deles Jesus escolhe e coloca como modelo de fiel que ama? A mulher pecadora. Para nós, é difícil de entender este modo de amar e de agir do próprio Deus. Podemos chamar-lhe mesmo mistério. Mas é ele o centro da mensagem cristã. Jesus dá uma explicação, que nós fazemos por ignorar: só quem é muito perdoado, muito pode amar.
    O Deus que a parábola revela é um Deus que perdoa de forma incondicional. Não porque quem é perdoado apresente motivos para isso.
    Não foi o facto da mulher lhe ter ungido e beijado os pés, que comoveu Jesus para o perdão. O gesto dela, apenas serviu para expressão desse perdão, que anteriormente já tinha sentido no coração.
    O perdão cria arrependimento. A condenação afasta. A mensagem bíblica é que Deus quer todos.
    Haverá condenados? Talvez, só Deus o saberá. Eu prefiro anunciar o amor e o perdão.
    E para concluir, nem sequer tenho a certeza de que a homossexualidade seja pecado. Já foi tida como muitas coisas. Nem todos os pecados humanos vêem na Bíblia e no entanto são-no. E outras coisa consideradas como impuras na Bíblia, não o são mais.

    saudações

     
  • At 11 de outubro de 2008 às 00:04, Blogger Nuno Fonseca said…

    Amigos, isto com calma e discernimento até vai lá, né?

    §

    CBS,

    Como criados à imagem e semelhança do Senhor, herdamos dEle todas as emoções que demonstramos, embora depravadamente, por causa do gene adâmico. Assim, emoções como 1) a tristeza, 2) a inveja, 3) o nojo, 4) o ódio vêm de Deus:

    1- 'Jesus chorou' (João 11:35).

    2- 'Porque não adorarás a nenhum outro deus; pois o Senhor, cujo nome é Invejoso, é Deus invejoso' (Êxodo 34:14).

    3- 'Eu [o Senhor] conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; oxalá foras frio ou quente! Assim, porque és morno, e não és quente nem frio, vomitar-te-ei da Minha boca' (Revelação 3:15-16).

    4- 'O Senhor prova o justo e o ímpio; a sua alma odeia ao que ama a violência' (Salmo 11:5).

    A ideia de que Deus é amor sem senso de justiça não é cristã. Deus, para amar a vida, tem que odiar a morte; e para estimar a santidade, tem que Se enojar do pecado. Um deus que perante o estupro, a pedofilia, genocídio sente amor é uma aberração, e alguém odioso e impossível de amar - mas um que pune tudo isto, como o faz o Deus verdadeiro, é justo, e mais: por fazer o Seu filho cumprir a pena de tudo isto pelo Seu povo - é amoroso. Não o digo apenas para chocar, mas a verdade é que a Palavra mostra como o Pai teve prazer em crucificar o Filho, que tomou sobre Si o pecado do mundo:

    'Todavia, aprouve ao Senhor esmagá-lO, fazendo-O enfermar; quando Ele se puser como oferta pelo pecado, verá a Sua posteridade, prolongará os Seus dias, e a vontade do Senhor prosperará nas Suas mãos' (Isaías 53:10).

    O pecador regenerado, agora com a 'mente de Cristo' deve amar o que Deus ama e odiar o que Deus odeia, e não o que a carne corrupta lhe diz:

    'Vós, que amais o Senhor, odiai o mal' (Salmo 97:10).

    Resumindo, CBS, as tuas emoções não são um erro de Deus - é a natureza que Ele te deu. E a quem e para o quê que as direccionas é que estraga tudo - fruto da depravação pelo pecado.

    §

    MC,

    1- 'o conceito de pecado é mutável'.

    R:. O pecado continua a ser toda a desobediência a Deus. O facto de não estarmos já sob a Lei, mas sob a Graça, é que faz com que a carne de porco à alentejana que comas não seja objecto da tua condenação, porque o Senhor já não te ordena que dela te abstenhas. Mas o pecado, por definição, continua a ser tudo aquilo que não glorifica a Cristo.

    2- 'Todos somos pecadores. Até somos, tu mesmo o dizes. Depois fazes esse passe de mágica de dizer que somos “separados, justificados” (teologia Paulina).

    R:. Tendo em conta que 'santo' significa exactamente 'separado do pecado, então, sim, embora não seja em mim menos pecador que o condenado, sou feito justo aos olhos de Deus, num 'passe de mágica', que Jesus operou na cruz:

    'Não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbedos, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus. E tais fostes alguns de vós; mas fostes lavados, mas fostes santificados, mas fostes justificados em nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus' (I Coríntios 6:9-11).

    3- 'Haverá condenados? Talvez, só Deus o saberá. Eu prefiro anunciar o amor e o perdão'

    R:. Fazes bem. Mas não te esqueças que é por te rejeitarem o amor e o perdão de Deus que anuncias que serão condenados os que são condenados:

    'Quem crê nEle não é condenado; mas quem não crê, já está condenado; porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus' (João 3:18).

    4- 'E para concluir, nem sequer tenho a certeza de que a homossexualidade seja pecado'.


    R:. 'Não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas' (I Coríntios 6:9).

    Aí tens.

    §

    Soli Deo Gloria.

     
  • At 11 de outubro de 2008 às 12:04, Blogger cbs said…

    Nuno
    Vê-se que sabes muito mais do que eu sobre a matéria, e agradeço a explicação detalhada; eu não consigo soletrar a Bíblia como vocês fazem… hélas!

    Mas talvez por burrice teimosa, insisto na minha visão, que é a única pela qual consigo conciliar-me e amar Cristo.
    E é esta: Nem Deus odeia, nem nenhum cristão deve odiar se quiser ser coerente. Amai os vossos inimigos, disse Ele; deixo-te a ti a enumeração e o rigor da frase, mas a ideia fundamental é esta.

    Acrescento ainda, que perante a ofensa que é o pecado, perante o estupro, a pedofilia, genocídio, a aberração será pensar que Deus sente ódio; perante isso, o meu Pai sente é compaixão, uma infinita e incomensurável compaixão “Pai perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (deixo-te mais uma vez, o rigor das palavras)

    Este é o meu Pai, Aquele que sinto e vejo dentro de mim; quanto ao outro, o Acusador, que foi amado pró Deus o que o move é o ciúme, querer ser o mais amado pelo Pai, e a inveja, querer ser mais que Deus. Esse é que é o mal que nos vem da origem e fonte do ódio que não toca a Deus.

    Perdoa-me o meu simplismo, mas sou assim
    Abraço em Cristo

     
  • At 11 de outubro de 2008 às 22:38, Blogger MC said…

    Nuno,

    sem dúvida que as nossas divergências vêm da forma com que cada um lê a Bíblia.

    Reparei que não aludiste ao texto de Lucas que coloquei? Não te sugere nada?

    Na resposta que dás ao CBS dizes o seguinte: "a Palavra mostra como o Pai teve prazer em crucificar o Filho, que tomou sobre Si o pecado do mundo". Acho que estás a carregar demasiado o tom. Teríamos, assim, um Deus sádico. E se Ele não poupou o Seu Filho como nos irá poupar a nós? Como é que cruzas esses textos com os de Lucas (Deus misericordioso) ou, por exemplo, o texto de Isaías que postei no meu blogue?

    Citas Paulo para vincar que a homossexualidade é pecado. Talvez devesses conhecer um pouco as comunidades onde Paulo pregava. Não era a questão da homossexualidade mas a devassidão em que muitas comunidades viviam. O sexo heterossexual em si não é mau. depende do uso que se faz dele...o mesmo do sexo homo, parece-me a mim.

     
  • At 11 de outubro de 2008 às 23:29, Blogger cbs said…

    "O sexo heterossexual em si não é mau. depende do uso que se faz dele...o mesmo do sexo homo, parece-me a mim."
    penso exactamente o mesmo, MC. Se a sexualidade, hetero ou homo, for a expressão do amor é um bem. sempre...

    e creio que pode alargar essa fórmula a toda a vida (do nascer até á morte... dantes dizia-se a boa-morte): tudo "depende do uso que se faz dela"

    boa noite

     
  • At 11 de outubro de 2008 às 23:43, Blogger Pedro Leal said…

    MC

    Sobre a homossexulaidade há também Romanos 1:26 e 27 e I Timóteo 1:10.
    A mim não me parece que a questão seja "a devassidão em que muitas comunidades viviam". Se assim fosse então também dirías que a idolatria, o adultério, a mentira, o perjúrio não eram maus por si mesmos mas do modo como eram usados?

     
  • At 12 de outubro de 2008 às 14:53, Blogger Hadassah said…

    Deus reage como nós, como pais. O "filho pródigo" foi repudiado nas suas acções, mas continuou a ser amado, sempre, tendo sido perdoado.

    Mal de nós seria se tivéssemos um Pai que admitisse tudo, que autorizasse todo o tipo de condutas...ficaríamos com certeza baralhados...quando nos sentíssemos na "lama" e acordássemos do nosso pecado, a primeira pergunta seria esta: Mas afinal porque é que o meu Pai não me avisou que eu estava errado?

     
  • At 12 de outubro de 2008 às 15:04, Blogger Hadassah said…

    No fundo, o ódio de Deus é unicamente apenas contra uma entidade que se tende a desvalorizar: Satanás...cuja sua luta é a destruição do homem e o seu afastamento de Deus.

    Gosto muito do Livro de Job e vejam esta passagem:

    Jó 1 - "Havia um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó; e era este homem íntegro, reto e temente a Deus e desviava-se do mal.

    (...)

    E num dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o SENHOR, veio também Satanás entre eles.
    7 Então o SENHOR disse a Satanás: Donde vens? E Satanás respondeu ao SENHOR, e disse: De rodear a terra, e passear por ela.

    8 E disse o SENHOR a Satanás: Observaste tu a meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, temente a Deus, e que se desvia do mal.

    9 Então respondeu Satanás ao SENHOR, e disse: Porventura teme Jó a Deus em vão?

    (...)
    Mas estende a tua mão, e toca-lhe em tudo quanto tem, e verás se não blasfema contra ti na tua face.

    12 E disse o SENHOR a Satanás: Eis que tudo quanto ele tem está na tua mão; somente contra ele não estendas a tua mão. E Satanás saiu da presença do SENHOR.


    E o resto da história já sabemos...

     
  • At 12 de outubro de 2008 às 16:12, Blogger Joao Leal said…

    é engraçado como é possível perceber o que cada um diz nestes comentários sem, no entanto, deixar de achar que prevalece muito mais a sensibilidade de cada um ao tema do que propriamente argumentos à prova de bala. Ainda bem que assim é. Pelos menos indica que Deus se manifesta de modos diferentes para cada um, o que me parece formidável.

     
  • At 12 de outubro de 2008 às 16:33, Blogger Hadassah said…

    Quando tratamos de temas de Deus, ninguém consegue apresentar argumentos à prova de bala. Deus não nos deu essa possibilidade, de nos poder-mos "salvar" uns aos outros...a verdade absoluta só existe na relação livre e espontânea, do homem individual com Deus e aquilo que nos une entre homens, são apenas as semelhanças das experiências. E como já sabemos, a experiência será sempre condicionada pelas sensibilidades, porque cada um sente de maneira diferente. Enfim, estamos entregues a nós próprios.

     
  • At 12 de outubro de 2008 às 19:26, Blogger MC said…

    Eu estou enganada e este tema já vai nas duas dezenas de comentários porque estamos a debater uma questão ligada ao sexo ou é porque estamos a debater a partilhar os ecos que a Palavra tem em cada um de nós? Parece-me bem que é a primeira razão ;)

    E se assim é, cá temos de dar razão ao S. Paulo que queria todo mundo casto e a fazer abstinência. Ele bem sabia os problemas que o mesmo causa. :)

    Caro Pedro, não encontras nos Evangelhos nenhuma preocupação de Jesus em relação às questões sexuais, sejam homo sejam hetero. Falou, sim, da injustiça dos repúdios da lei judaica em relação à mulher.

    Em Paulo encontramos. Não podemos esquecer quem era Paulo. Um judeu íntegro, zeloso do cumprimento da Lei Mosaica, com formação grega, onde as questões do corpo versus alma, ou espírito, não eram pacíficas. Para os platonistas o corpo era expressão de tudo o que era mau. Estou a resumir e simplificar o muito que há para dizer sobre isto.
    É nesse contexto, aliado à devassidão de algumas comunidades, que Paulo produz os seus escritos.

     
  • At 12 de outubro de 2008 às 19:38, Blogger MC said…

    faltou responder à segunda parte do teu comentário:

    eu já disse que a noção de pecado é mutável. Dou-te um exemplo:

    Encontras nalguma parte da Bíblia (se existe eu desconheço) a noção da escravatura como pecado? Em 2008, Graças a Deus, não só é um crime à luz do Direito Internacional, como é um grave pecado.

    A noção de pecado acompanha o conhecimento humano. No AT é permitido repudiar a mulher por parte do homem, Jesus opôe-se a isso.

    O perjúrio, o homocídio, a escravatura, o roubo, a violação, a pedofilia, não só são pecados, como crimes puníveis pela Lei. A sociedade vai ajudando a criar uma ética humana e a religião também.

    Não podemos ver estas coisas de forma simplista.

     
  • At 12 de outubro de 2008 às 19:40, Blogger MC said…

    João Leal,

    se andas à procura duma fé à prova de bala, torna-te católico. Temos uma longa história de martírio. :)

     
  • At 12 de outubro de 2008 às 19:45, Blogger MC said…

    hadassah,

    nunca estiveram em causa, nesta discussão, os "avisos" de Deus.

     
  • At 12 de outubro de 2008 às 23:53, Blogger Pedro Leal said…

    Este comentário foi removido pelo autor.

     
  • At 12 de outubro de 2008 às 23:54, Blogger Pedro Leal said…

    mc

    Então ser homossexual no ano 60 ou 70 é diferente de ser homossexual no ano 2008? Agora há amor, na altura era só devassidão? E isso quer dizer também que o Novo Testamento está ultrapassado, pelo menos neste ponto? Estará também noutros? Como podemos saber quais são? A "sociedade vai ajudando"? Onde posso encontrar o Testamento para esta Nova Era?

     
  • At 13 de outubro de 2008 às 11:18, Blogger Joao Leal said…

    MC

    não ando à procura de fé à prova de bala, mas vejo muitas vezes o pessoal por aqui a disparar balas contra a fé alheia
    A maioria das vezes a fé de cada um tem a tendência a sacar depressa demais : )

     
  • At 13 de outubro de 2008 às 21:40, Blogger MC said…

    João,

    foi uma ironia e provocação. :)

    Qualquer crente crê e transmite "algo" muito maior do que a si próprio: mas é o que tem e é, que acaba por ser o rosto do que quer testemunhar. Não basta sacar autoridade do que leu ou aprendeu porque a forma como o faz acaba por contar muito mais. Tu próprio acabas a referir isso.

    S. Paulo diz numa das suas cartas, que "transportamos um tesouro em vasos de barro". A conscìência disso gera insegurança, para combater a insegurança, enfatiza-se a assertividade e busca-se autoridade na Palavra.
    Todos escorregamos nisso. Avaliar a fé dos outros (ou a falta dela), já é ultrapassar uma barreira que nos devia estar vedada.

     
  • At 13 de outubro de 2008 às 21:49, Blogger MC said…

    Pedro,

    estás a ser simplista e a distorcer o que eu disse. Eu disse que Paulo (porque nos Evangelhos a questão da homossexualidade não é nomeada) escreveu para algumas comunidades (nomeadamente Corinto)onde reinava a devassidão. Eu não disse que a homossexualidade nas cartas paulinas era devassidão.

    O Evangelho para a Nova era continua a ser a novidade de Cristo, ao mesmo tempo que lês o jornal e fazes a ponte entre uma coisa e outra.

     
  • At 27 de fevereiro de 2017 às 07:38, Blogger Unknown said…

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