sexta-feira, fevereiro 15, 2008
Ainda a recuperar o fôlego.
Caro José,confesso que não pude deixar de ter um sorriso nos meus lábios ao ler este teu post.Em primeiro lugar, porque concordo com o Tiago Cavaco: "abençoado protestantismo".Depois não pude deixar de verificar uma curiosidade que desmascara o que dizes. Então vejamos:- O católico, segundo dizes nas palavras de Flannery, considera que a voz de Deus é apenas ouvida através da santa madre e, como tal, tudo o que acredita como verdade é o que a igreja diz que é verdade. O católico diz que o papa é o representante de Cristo na terra e quando fala é como se Cristo falasse.- O protestante, por seu lado, embora respeite a igreja, considera como responsabilidade sua analisar todas as coisas e se considerar que Deus espera algo dele falo-á independentemente da igreja estar ou não com ele.Pois é meu caro, o cómico em relação a isto é o seu resultado prático.O católico considera aquelas coisas em relação à igreja e ao papa, no entabto desrespeita a igreja, da qual diz ser a detentora da voz de Deus, a cada passo que dá. Veja-se os católicos aqui do blog. Retiranto uma ou duas excepções, o católico pensa como lhe apetece, vive como muito bem entende, mas diz que Deus apenas é ouvido através da santa madre. Cómico não é? Vejam-se as diferenças doutrinais que se verificam neste blog entre os católicos e essa frase que colocas só dá vontade de rir. Vocês discordam do papa a torto e a direito, mas dizem que ele é como Cristo, é o seu representante. Belo respeito que têm por cristo. Se alguma marca se pode atribuir à maior parte dos católicos é que a igreja não tem qualquer influência sobre a sua vida. Para um católico é normal dizer que o papa está errado (o que segundo a doutrina católica é o mesmo que dizer que cristo está errado). Pelo contrário, o protestante acredita no que já mencionei. No entanto, a ironia disto tudo é que, com todas as diferenças de opinião que temos, verificarão que um protestante respeitará muito mais a igreja do que um católico. Por exemplo, os baptistas que aqui postam afirmam professar os princípios baptistas. O ensino da igreja foi, na realidade, importante e formador do que são enquanto pessoas hoje. A conclusão prática disto é que eu sou baptista e professo as doutrinas baptistas. Vocês são católicos e professam o que muito bem entendem e estão-se perfeitamente a barinbar na prática das vossas vidas do que o papa ou a igreja pensam sobre elas.Caros católicos, respondam a esta simples pergunta: quantos de vocês católicos aqui professam integralmente os ensinos da santa madre (que é, segundo o José e a Flannery, os ensinos do próprio Deus)?


Embrulhemos pessoal. Embrulhemos que coisa mais certeira não se escreveu neste blog desde que há memória. Isto devia ser emoldurado e colocado como filactéria na fronte da nossa intelectualidade católica bem-pensante. Só tenho pena do Tiago se ter adiantado a mim já que iria escrever coisa parecida na continuidade deste post criticando ainda um pouco da casuística jesuítica empregada pelo timshel (que amigavelmente desperta o jansenista que há em mim).

Respondendo à tua pergunta (e descontando essa de que quando o Papa fala é como se Cristo falasse que não é verdade) eu professo integralmente os ensinamentos da Santa Madre e tento viver de acordo com eles. Mas sei que são poucos os que o fazem em particular em determinadas matérias sensíveis (e antes isto fosse arrogância, antes fosse), especialmente na "intelectualidade" católica neste país (não é assim noutros). Isto cria a mais nojenta (sim, nojenta) consequência da casuística jesuítica que Pascal criticava nas suas cartas provinciais, a de que os pobres e desgraçados que levam a sério o que a Igreja diz são esmagados pelo peso das suas culpas e a gente bem-pensante e influente safa-se de viver de acordo com o que quer que seja recorrendo aos "casos particulares". Ou isso ou então consolam-se moralmente por se admitirem como grandes pecadores numa pretensa humildade sem mexerem uma palha para repararem a mais pequena falta. Também era o Pe. António Vieira que dizia coisas como "Ver e não remediar é não ver." ou "Se quando os ouvintes percebem os nossos conceitos, têm diante dos olhos as nossas manchas, como hão-de conceber virtudes?", ou ainda "Se os ouvintes ouvem uma coisa e vêem outra, como se hão-de converter?". Não é um apelo ao puritanismo exacerbado, mas a um mínimo de exemplo moral consequente e de autêntica vivência de Igreja que impliquem verdadeiras escolhas de vida.

Luís
posted by @ 12:26 da tarde  
2 Comments:
  • At 16 de fevereiro de 2008 às 12:56, Blogger Leo said…

    Infelizmente o ser humano é um ser dominado pelo pecado, e a Igreja de Cristo, o Santo, que pela Igreja pode nos alcançar o perdão toma sobre si as nossas enfermidades...
    Com a natureza humana decaída, a verdade é naturalmente odiada pelo ser humano, sendo sempre uma realidade encontrada nas catacumbas do mundo. E difícil, mas possível, é encontrar esses que vivem nas catacumbas. E a doutrina Católica, que é eterna, encontra-se na revelação das escrituras e na tradição interpretados pelo Magistério da Igreja, que não é o que um papa fala como pessoa, mas o que sempre foi ensinado infalivelmente pelos papas.

     
  • At 16 de fevereiro de 2008 às 13:00, Blogger Leo said…

    Infelizmente o ser humano é um ser dominado pelo pecado, e a Igreja de Cristo, o Santo, que pela Igreja pode nos alcançar o perdão toma sobre si as nossas enfermidades...
    Com a natureza humana decaída, a verdade é naturalmente odiada pelo ser humano, sendo sempre uma realidade encontrada nas catacumbas do mundo. E difícil, mas possível, é encontrar esses que vivem nas catacumbas. E a doutrina Católica, que é eterna, encontra-se na revelação das escrituras e na tradição interpretados pelo Magistério da Igreja, que não é o que um papa fala como pessoa, mas o que sempre foi ensinado infalivelmente pelos papas.

     
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