terça-feira, abril 10, 2007
Faites vos jeux! Mesmo!

Se o monopólio de Deus não pertence a nenhuma Fé, joguemos então o Monopoly de Deus: cada um tem o seu tabuleiro, nunca vamos parar à prisão e podemos construir moradas celestiais sempre que quisermos(mesmo que a única propriedade comprada seja uma companhia de águas ferrugenta). Neste jogo, apesar do carácter divino, somos nós a lançar dos dados.


Samuel Úria


No Cluedo da Páscoa Jesus foi morto pela menina Isabel, na salinha, com o candelabro.



posted by @ 1:42 da manhã  
9 Comments:
  • At 10 de abril de 2007 às 10:41, Blogger cbs said…

    Caro Samuel
    Jesus deu uma lição aos da hebreus: nenhuma Fé tem efectivamente o monopólio de Deus, o Pai não faz distinção entre os seus filhos.

    De certo modo, são mais extraordinários os que acreditaram antes da Sua vinda, do que os de depois.

    A vida não é um jogo fútil, mas é um jogo, um jogo de Verdade.

    abraço

     
  • At 10 de abril de 2007 às 11:54, Anonymous samuel úria said…

    Caro Cbs

    Permite-me discordar. Quando eu falo de Fé (sobretudo com o cuidado de escrever F maiúsculo) não a tenho como sinónimo de credo, religião ou raça. E se há legado deixado por Jesus (mais tarde muito bem interpretado pelos apóstolos)é que só existe uma Fé verdadeira. Um caminho, "O caminho", uma verdade, "A Verdade". Jesus afirma que se não for exclusivamente através d'Ele ninguém vai ao Pai, e a isso se resume a minha fé, que é Fé.
    Em resposta ao Pedro escreveste que o essencial é aproximarmo-nos de Deus. Eu digo que o essencial é chegarmos efectivamente a Ele. A única maneira já a referi. E quem ditou a única maneira foi a própria única maneira: Jesus, com F maiúsculo.

    outro abraço, este já sem discórdia.

     
  • At 10 de abril de 2007 às 17:08, Blogger cbs said…

    Samuel, só me ocorre esta:
    "Senhor eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas se disseres uma palavra eu serei salvo"

    Se Ele não disser a palavra, nada feito...
    Raros são os que Lhe chegam, a começar por mim. O mais que consigo é aproximar-me um pouco.

    Cristo será o caminho, o atalho, mas achas tu que os outros que têm Fé, não Nele mas no Pai, não Lhe chegarão.
    Judeus e Muçulmanos, ficarão de fora, mesmo sendo os mais fiéis devotos ao Deus Unico?
    E condenas tu todos os que viveram antes de Cristo, mesmo que fossem os mais caridosos entre os humanos?

    Posso ter pouco esclarecimento bíblico, fraca catequese, mas o que vejo em Cristo é Inclusão, não a exclusão; Todos, mas todos mesmo, são filhos de Deus.
    E volto ao mesmo: os sacerdotes do Templo é que não queriam muitos entre os escolhidos, queriam apenas que se salvassem os eleitos.
    Cristo contrariou-os e S. Paulo pôs-se a caminho... para acrescentar, não para dividir.

    Vai ser dificil sairmos daqui, nem que me despejes toda a Biblia em cima, lol

     
  • At 10 de abril de 2007 às 18:20, Anonymous Samuel Úria said…

    Ténue a divisão entre teologia e wishful thinking.
    Eu percebo a facilidade que há em acreditar nessa bonomia universal, que sendo fácil e abrangente é também conveniente. Numa vertente desvirtuada da aposta pascaliana, também não me importava de pôr o meu dinheiro na Académica se todos os clubes fossem campeões da liga Bwin.

    Não querendo despejar a Bíblia, deixa-me apenas tocar alguns pontos que contradizem em absoluto alguns lugares comuns que levantas com veemência. “Todos, mas todos mesmo, são filhos de Deus.” dizes tu. Ora agora vou suprir então as tuas carências catequésicas: "Mas, a todos quantos o receberam (Jesus), deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome" (João 1:12). Um bocadinho menos inclusivista do que aquilo que estavas à espera, aposto. Como aposto que (e isto agora é chavão protestante, com o tal aborrecido fundamento bíblico) nunca imaginaste que poderia haver diferença efectiva entre as “criaturas de Deus” e os “Filhos de Deus”.
    Um pouco antes dizias : “Judeus e Muçulmanos, ficarão de fora, mesmo sendo os mais fiéis devotos ao Deus Único?” Já Jesus também um pouco antes respondia “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no Reino dos céus”.
    Claro que isto da Bíblia vale o que vale. Claro que isto das palavras de Jesus valem o que valem. Afinal ser Cristão tem muito mais que ver com uma concepção vantajosa que criamos sobre Jesus do que efectivamente acreditar no legado histórico das palavras Jesus ou na exclusividade e superioridade da Fé em Jesus, que vem do “ouvir a Palavra” (outro pequeno derrame bíblico, peço perdão).
    Os gentios podem salvar-se? Claro que podem. Mas para se salvarem precisam de se salvar, ou pondo isto numa ordem mais correcta (não menos la-paliciana), precisam de ser salvos. Os budistas, judeus ou muçulmandos podem salvar-se? Jesus diz que sim, Paulo confirma. Basta aceitarem Jesus. Se não aceitarem podem salvar-se? Jesus diz que não e Paulo está lá para não o deixar mentir.

     
  • At 10 de abril de 2007 às 19:41, Blogger cbs said…

    "também não me importava de pôr o meu dinheiro na Académica se todos os clubes fossem campeões da liga Bwin"
    vocês protestantes (e secalhar, nós também) têm uma visão da História em estilo de campeonato, parece-me de que...
    eu não, mas já agora podias explicar o porquê disto "que sendo fácil e abrangente é também conveniente".
    Que ganho eu, ou alguém, com a inclusão dos outros na história do encontro com Deus?

    Outra que me toca é esta "Afinal ser Cristão tem muito mais que ver com uma concepção vantajosa que criamos sobre Jesus" mas o quê?
    acreditar no Amor revelado do Pai para com o Homem, é a isso que te referes? pois além de cómodo é uma felicidade... mais, é tudo!

    "do que efectivamente acreditar (...) na exclusividade e superioridade da Fé em Jesus, que vem do “ouvir a Palavra”"
    Exclusividade sim, agora considerar que a minha Fé (isto quer dizer fidelidade a Deus) é superior não; a Fé cristã é a única que me parece Completa, Final, mas a palavra como a descrevo é humildade.
    Desculpa lá outra vez, mas Superiores eram os do Templo.
    Ser superior não tem sentido em Cristo (para mim) eu substituo essa por palavras melhores como Absoluto ou Final.
    Talvez aches que estou a ser cómodo...

    Bem, mas depois há a questão da salvação... penso que o essencial (além de caminhar para Deus, lol) é isto: Amar o Pai e o Próximo.
    Qualquer das religiões do Livro tem esses mandamentos.

    Mas aceito-te esta e outras mais lições bíblicas, aliás declarei já que sei pouco e engano-me muito...
    tenho é que acreditar no que digo, tem paciencia Samuel

     
  • At 10 de abril de 2007 às 21:52, Anonymous Samuel Úria said…

    Primeiro deixa-me dizer-te que também eu não sei o que ganhas com a inclusão dos outros na história do encontro com Deus. Paz de espírito, talvez. Consciência humanista não beliscada, talvez.

    Segundo, a questão da superioridade é falsa e parece que é a que nos distingue. Eu não sou cristão por achar Cristo o caminho superior para a salvação, mas sim por ter a certeza que é o único. Se admites alternativas, peço desculpa pela rudeza das palavras que me seguirão, mas és mais um adepto de Cristo ou um simpatizante de Cristo do que um cristão. Jesus proclamou-se o "único"- se negas tal coisa admites que Jesus mente e isso não me parece lá muito católico.


    Terceiro, claro que concordo contigo que amar o Pai é essencial para a salvação. Mas amar o próximo acaba por ser uma consequência e excluir Jesus da equação acaba por ser uma loucura.

    Permite-me ainda perguntar-te onde é que vem o teu conhecimento de Cristo. Onde é que O apreendeste/aprendeste? Qual a proveniência do legado? Não interpretes arrogância na minha questão; faço-a com a suspeita que pode ser elucidativa para a nossa espécie de debate e com a esperança que não o irá engrossar por demais.


    Um abraço com amor ao próximo deste gajo que é muito paciente, don’t worry.

     
  • At 11 de abril de 2007 às 00:42, Blogger cbs said…

    Bem...
    tou a gostar da conversa, e em especial porque estou a ficar à rasca, confesso.

    a questão é "ter a certeza que (Cristo) é o único". Tenho, tenho a certeza que é (o)Único. Não tenho a certeza, mas acredito que é o próprio Deus...parece uma blasfémia, mas é apenas fraqueza, talvez até (se coragem tivesse) morresse por Ele, mas sou um cristão inseguro...

    Depois, e de facto, admito alternativas, no sentido em que recuso aceitar que espíritos puros e bons, como existem nas religiões vizinhas, não sejam aceites pelo Céu.
    Recuso, mas de forma nenhuma direi que Cristo mente, poruqe Ele é a Verdade... e o Amor também, já agora.
    Sendo assim, só pode ser erro meu, ou então, como faço com a Ciencia quando não me convém à mística, espero para ver...
    Acrescento-te outra; penso que os humanos cujas vidas foram de boas obras, de amor pelos outros, mesmo que não tenham conhecido, ou até que tenham querido ignorar Cristo, viverão... Blasfémia? olha... azar o meu!

    Samuel, a minha catequese católica foi esmerada, tirei a primeira Comunhão e o Crisma nas melhores capelas do país. A minha mãe esforçou-se por me beatizar.
    Infelizmente só saiu isto que aqui vês...
    Dantes era católico da moda e por facilitismo do meio, como penso que são a maior parte dos católicos; só bem adulto me chegou a Fé em Cristo.
    Houve momentos em que se acendeu uma Luz muito forte, mas digo-te ainda que tanto faz que me classifiquem católico, herege ou ateu; o meu problema é só com o Pai e com Cristo, e apenas tento (sem êxito, diga-se) ser cada dia melhor que o anterior.

    E... de forma alguma renego o Deus, mas não estou interessado naquilo a que chamam a Salvação ou o Paraíso.
    Se o meu desaparecimento definitivo a absoluto, pudesse trazer a Felicidade eterna nem que fosse a este cantinho do Universo, era já asseguir (mas é só conversa, sou um cobarde,tá descansado)

    Também tenho de confessar-te, não leves a mal, que me encrespa o pensamento religioso (não é exclusivo dos protestantes, mas muito comum a todas as religiões do Livro) que estabelece um caminho íngreme, estreito e único para a salvação (entendo-a como a união com o Pai), que separa os "nossos" dos gentios e se satisfaz a si próprio com o formalismo quando a essencia é e só o Amor de Deus, que irrompe dos corações
    Respeito a religiosidade dos outros (até dos ateus, imagina) e só lhes exijo esse mesmo Amor dirigido ao próximo, a recusa do fanatismo exclusivo; nunca obrigo a velhinha a atravessar a rua.
    Não estou a criticar ninguém, entenda-se, mas a atitude religiosa de quem quiser esta carapuça.

    Por fim, agradeço-te muito a paciencia, e compreende que eu não sou um católico médio, mas uma cabeça confusa (e a gostar de aprender convosco)

     
  • At 12 de abril de 2007 às 22:33, Blogger samuel said…

    "Os gentios podem salvar-se? Claro que podem. Mas para se salvarem precisam de se salvar, ou pondo isto numa ordem mais correcta (não menos la-paliciana), precisam de ser salvos. Os budistas, judeus ou muçulmandos podem salvar-se? Jesus diz que sim, Paulo confirma. Basta aceitarem Jesus. Se não aceitarem podem salvar-se? Jesus diz que não e Paulo está lá para não o deixar mentir."


    Muito eu me irritava, do alto dos meus 14 ou 15 anos, com este "peixe" que também o meu pai vendia no púlpito.
    Um ser humano só se pode salvar(?) se aceitar Jesus.
    Começamos logo mal. Afinal não se trata de aceitar. Trata-se de uma imposição.
    Depois de milhões de anos de existência do homem, aparece este Jesus, que funda uma nova religião.
    Cerca de 2000 anos depois essa igreja original já "criou" vários sub-produtos e derivados, mais ou menos sérios, mais ou menos fundamentalistas, mais ou menos aldrabões (há de tudo!).
    Em 2007, essas igrejas todas somadas, continuam a ser uma "esmagadora minoria" no mundo.
    A maioria dos seres humanos está, por defeito, tramada.
    O que mais me tirava do sério (e ainda tira) é nunca ninguém me ter elucidado sobre o destino a dar, pelo tão magnânimo Deus e seu mui sacrificado Filho, aos milhões e milhões de homens, mulheres e crianças que já morreram e hão-de morrer, sem ter sequer ouvido falar uma vez nesse tal Jesus, que era suposto aceitarem para serem salvos.
    Qual é a sua sorte? São eles que pagam por não "aceitarem" uma coisa que não conhecem?
    Quem pagará, são os que conhecendo Jesus, não garantem que ninguem no mundo morrerá sem O conhecer?
    Assim então não há quem se salve, pois TODOS os cristãos já tiveram muitas ocasiões em que podiam ter evangelizado e por qualquer razão não o fizeram.
    Entretanto lá vão singrando estes e aqueles, denominações de A a Z e para todos os gostos, ruminando entre si a "revelação" de que só eles é que se salvam, às vezes em grupelhos de número ridículo (em relação à humanidade, qualquer igreja é ridícula em número de seguidores) e por vezes até com um certo ar de gozo pela antecipação dos terríveis castigos divinos que aí vêm (para os outros, obviamente!).
    Até prova em contrário ou ordem expressa do meu médico, é muito mais "saudável" estar de fora!
    Paz!

     
  • At 13 de abril de 2007 às 11:30, Blogger cbs said…

    De repente mudas e discorres tudo como eu pensava!?
    OK Samuel
    mas, se "é muito mais "saudável" estar de fora!" eu quero estar dentro... e quero todos dentro, a menos que eles não queiram claro.
    Mas eu quero... por eles, se preciso for.

    Abraço e... Paz

     
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