terça-feira, março 20, 2007
o mérito e a Graça
‘Há tantos anos que eu te sirvo,
sem nunca transgredir uma ordem tua,
e nunca me deste um cabrito
para fazer uma festa com os meus amigos.
E agora, quando chegou esse teu filho,
que consumiu os teus bens com mulheres de má vida,
mataste-lhe o vitelo gordo’.


A parábola do filho pródigo é uma das que mais me impressiona. Talvez porque coloca o mérito no seu devido lugar.

timshel
posted by @ 7:19 da tarde  
5 Comments:
  • At 20 de março de 2007 às 19:59, Blogger cbs said…

    se bem me lembro, o Pai não diminui o mérito do filho mais velho, que ficou.

    O que é patente é o arrependimento do mais novo, que recebe o Perdão e a Alegria do Pai pelo seu retorno.
    E noutra vertente o Ciume do filho que ficou, por se achar mais digno do Amor do Pai.

    A lição parece-me ser que isso não altera em nada o Amor do Pai pelo que pecou, ou seja que Mérito e Amor são coisas distintas.
    E de facto na vida, em especial na vida actual, muitas vezes confundimos as duas; ser campeão, o melhor seja no que for, não é o mesmo que ser santo, por vezes é até o oposto.

    Todavia o mérito do irmão mais velho em não ter abandonado o Pai, mantém-se.

    Será assim? parece-me a mim :)

     
  • At 20 de março de 2007 às 20:09, Blogger MC said…

    mas haverá algum irmão mais velho que nunca abandonou o Pai?

     
  • At 21 de março de 2007 às 00:01, Blogger cbs said…

    Caro Tim
    No comentário anterior falei mais para não estar calado, mas fiquei a matutar enquanto passeava os cães...
    Vai daí, resolvi dizer-te mais umas coisitas, a ver no que dá…

    Concordo contigo em que a Graça (que prefiro chamar Amor Transcendente) tem um valor universal e absoluto, diferentemente do Mérito.
    É o que os Cristãos chamam ao fruto da redenção alcançada por Cristo; A Graça é o Amor Transcendente dado por Deus aos Humanos, uma oferta de comunhão na Sua natureza divina.

    O mérito diferentemente da Graça, tem um valor estrito e próprio.
    Mas tem valor.
    Colocar o mérito no seu devido lugar, como dizes é dizer que o mérito é o valor que se adquire por fazer, por fazer bem feito (esse é o carácter utilitário)
    Depende do valor do próprio acto e é relativo às condições em que se realiza.
    Concordo contigo se o que dizes tem a ver com esta diferenciação.

    E concordo ainda mais se pensarmos na deificação do mérito que a sociedade competitiva de hoje faz.
    Campeões como Mourinho ou Schumacher, os melhores naquilo que fazem, são colocados num pedestal como exemplo a seguir, tidos como bons, vistos como superiores.
    E não são mais que excelentes executantes de actos determinados limitados; saltar mais alto é só isso, saltar.

    Ser bom no sentido moral é coisa diferente; não implica mas também não é incompatível com a boa execução de um acto determinado.
    Por isso a actual confusão entre valor de Mérito e Virtude resulta muitas vezes numa redução moral.
    Até aqui parece-me que concordamos.

    Depois há a minha dúvida…
    Até porque já te conhecendo um pouco, perdoa-me a prosápia, pareceu-me que reduzias o valor do mérito devido ao seu carácter utilitário.
    Podemos estar aqui a falar de filosofia moral mas também de filosofia económica.

    E eu acho que o mérito tem aplicação meritória (perdoe-se a redundância), como categoria de eficácia;
    No sentido utilitário… sem esse mérito também se perde a Humanidade.
    A concentração de que o humano é capaz, e que está na base do “fazer bem feito” é no fundo o que distingue o homem do animal.
    O animal é o grande distraído da Natureza, sempre à mercê das impressões externas, enquanto o homem é capaz de se recolher e concentrar.
    É também a concentração o que distingue uma habilidade normal da de um campeão que se consegue ultrapassar a si mesmo.

    Parece-me que por detrás do “Fazer bem” utilitário, como por detrás do “Amor Transcendente” revelado, está sempre uma vontade, uma vontade feita de esforços, com avanços e recuos mas que afasta ou nos aproxima (se nos amarmos uns aos outros) e simultaneamente nos rebaixa ou nos eleva (se nos aperfeiçoarmos, segundo a vontade do Pai)

    um abraço, na Paz :)

     
  • At 21 de março de 2007 às 00:21, Blogger zazie said…

    Andas muito Kierkegardiano...

    a soberba da obra e a graça da humildade

    ";O)

     
  • At 21 de março de 2007 às 20:27, Blogger Alexsandro said…

    Apenas comentando o texto, me parece que os dois filhos eram pródigos, o mais novo foi mais descarado que o mais velho e pediu o que era seu, o mais velho estava com o pai e nunca considerou o que era do pai seu.
    Parece-me que os dois filhos estavam perdidos, um fora de casa o outro dentro de casa. É possível estar perdido dentro da casa do pai.

    OBS.:
    Muito legal o blog de vocês, abraços.

     
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