quarta-feira, janeiro 17, 2007
"A ÉTICA DO ABORTO"
Interrompo o meu silêncio neste blogue para me congratular com um facto inédito (ou quase).
Pela primeira vez, que me lembre, em televisão e sendo o tema o aborto, ouvi um comentário/opinião decente, equilibrada e inteligente sobre esta temática. No jornal da 9, na SIC Notícias (aquele que me convenceu que o telejornal já não é às 20h e sim às 21h), Mário Crespo convidou um filósofo de nome Pedro Galvão (para mim desconhecido, mas não admira), da Universidade de Lisboa.
Pedro Galvão lançou um livro intitulado "A ÉTICA DO ABORTO", na qual defende, do meu ponto de vista, a correcta perspectiva sobre a discussão deste tema: a decisão sobre o sim ou não no referendo do próximo mês deveria ser unicamente uma questão definida do ponto de vista ético.
Então, a questão é muito simples: consideramos ou não o feto como vida humana? Tudo o resto são distracções.

Tiago Oliveira
posted by @ 9:30 da tarde  
13 Comments:
  • At 18 de janeiro de 2007 às 00:11, Anonymous Anónimo said…

    Tiago
    Não sou filósofo, mas creio que todo o comportamento consciente é por natureza ético.
    Optando ou abstendo-nos temos sempre a noção interior de agir bem ou mal.
    Mas essa noção está ligada a princípios (às vezes comuns a muitos, outras nem tanto) e necessáriamente depende das linguagens que os traduzem.
    Eu sei o que acho mal, mas tu também, e pode muito bem não ser o mesmo. Por isso o etnocentrismo aconselha tolerancia que não é de todo relativismo ético, e sim abertura ...ao "outro".
    Mas todo o comportamento é ético, inclusive o pragamtismo.

    Além disso, a questão da vida humana não me parece de todo simples.
    Quualquer célula minha, ou tua, é vida humana... mas isso a faz uma "pessoa".
    Jacques Maritain (personalista)define a essência do humano como a capacidade de se autodeterminar, colocando o acento na liberdade.
    Não sou filósofo Tiago, mas acho que a questão do aborto é sempre ética (como todo o comportamento humano)e nunca uma escolha simples.
    De tal forma que qualquer escolha que faça (e tendo votado não antes, vou agora votar sim) deixará sempre um passivo por resolver... isto se for feito em consciencia.
    A escolha do não também tem (ou devia ter) muito peso na consciencia.

     
  • At 18 de janeiro de 2007 às 00:17, Anonymous Anónimo said…

    O argumento anterior saiu torto, peço desculpa.

    quiz dizer: Qualquer célula minha, ou tua, é vida humana... mas isso NÃO a faz uma "pessoa".

    Por outro lado, sendo a essência da pessoa humana a capacidade de se autodeterminar, nessa perspectiva um feto não é uma "pessoa"

    claro que há muito mais envolvido na questão do aborto

     
  • At 18 de janeiro de 2007 às 01:41, Blogger zazie said…

    Eu não assisti nem sei o que foi dito. Mas é óbvio que uma coisa é o que pode mover o voto, outra o que também pode mover o referendo.

    Não estamos a fazer o mundo à semelhança de nada, nem sequer existem decisões éticas, em estrito senso, quando todos vivemos submetidos a controles de sociedades e de estados.

    Além do mais, se o resultado ético do povo português tivesse de passar pela capacidade de saber definir um embrião ou o conceito de pessoa, então, se calhar só ia votar 1% dos portugueses

     
  • At 18 de janeiro de 2007 às 01:43, Blogger zazie said…

    E estou a ser muito optimista. Por aí, nem eu era capaz de ir lá deixar cruzinha.

     
  • At 18 de janeiro de 2007 às 01:47, Blogger zazie said…

    Mas uma coisa ainda sou capaz de saber. Se não é vida humana, aparenta-se-lhe muito.

    Nunca vi de gravidez de mulher sair cavalo. Ainda que também haja muita gente que se reconhece como pessoa e bem que podia ter nascido de égua

    ":O?

     
  • At 18 de janeiro de 2007 às 01:55, Blogger zazie said…

    Um dia destes tenho de ler um desses filósofos do aborto.

    Acho que vou descobrir um mundo novo.

    A minha ignorância a esse propósito é tal que só não consigo entender como é que durante milénios se resolveu a questão sem se saber se era pessoa ou não era.

    A coisa agora já se objectivou ao ponto de ser-se capaz de debater se é pessoa ou se sente mas até se esquece que não apareceu de geração espontânea. Logo, haverá quem tenha responsabilidade na sua existência.

    A menos que a responsabilidade de quem gera passe também a depender, a posteriori, da fase ontológica em que já vai o ser gerado.

    Donde me parece um paradoxo à Zenão. Ainda chega o feto primeiro a gente, que a capacidade de responsabilidade de quem o fez

     
  • At 18 de janeiro de 2007 às 02:18, Blogger zazie said…

    http://galvao.no.sapo.pt/Argumento_de_Marquis.pdf

    Ele tem página com venda dos livros mas também tem um artigo à borla.

    Quem estiver interessado aqui fica o link
    http://galvao.no.sapo.pt/Argumento_de_Marquis.pdf


    Eu dei uma espreitadela e deu-me a ideia que é a mesma cena que se anda para aí a dizer. Se nem o feto sente e nem ele sabe se quer viver... Por isso, para fetos pré-conscientes parece que se pode. Se for por lhe atribuir direitos morais por estar lá dentro, então a coisa é diferente e já não se deve.

    Ou seja: quer ele queira ou sinta ou não sinta parece que ainda se mantém a ideia que tudo isso depende do que nós sentimos e defendemos em seu lugar...
    A novidade é não se falar nos progenitores. E até faria bem se não falasse para tratar dos fetos nos boiões e vidrinhos de laboratório.


    No texto ele acaba assim e não diz o que pensa:

    "mesmo que os fetos humanos tenham o direito moral à vida, o
    aborto (pelo menos na grande maioria dos casos) é eticamente permissível, já
    que o direito moral à vida não implica o direito a beneficiar do corpo de outrem
    para assegurar a própria vida.
    "

    Estranho, um feto a precisar de direito para sobreviver quando ele, se existe, é porque está dependente de quem o alberga. Não foi para lá pelo seu pé.

    Mas isto digo eu que sou uma básica a pensar.

     
  • At 18 de janeiro de 2007 às 13:32, Blogger David Cameira said…

    JUST SAY NOOOOO TO ABORTION!

    it is a crime

    IT IS A SIN AGAINST GOD , the LORD of LIFE

     
  • At 18 de janeiro de 2007 às 15:57, Anonymous CC said…

    E agora em grego:
    ΑΚΡΙΒΩΣ ΠΕΣΤΕ NOOOOO ΣΤΗΝ ΑΜΒΛΩΣΗ! είναι ένα έγκλημα
    ΕΙΝΑΙ ΜΙΑ ΑΜΑΡΤΙΑ ΕΝΑΝΤΙΑ ΣΤΟ ΘΕΟ, Ο ΛΟΡΔΟΣ ΤΗΣ ΖΩΗΣ

     
  • At 19 de janeiro de 2007 às 00:31, Anonymous Anónimo said…

    Mas as distracções são tão prementes que me constrangem. Encerrei a campanha. Estou em reflexão.

     
  • At 19 de janeiro de 2007 às 13:07, Anonymous Anónimo said…

    Porque é que se tem tanto medo da filosofia? Porque é que ninguém quer ser apanhado a pensar como um filosofo?
    "É pá lá tás tu a filosofar" é quase um insulto... Porque é que ter ideias originais, ou rebuscar o pensamento é tido como algo estranho e quem sabe inspirado pelo demo? Porque é que ninguém afirma: Eu gosto de pensar. Gosto de ter ideias radicais e diferentes!
    Porque é que pensar sempre o mesmo, nunca mudar de opinião, fundamentar uma ideia com um "toda a gente sabe, toda a gente o diz" é algo tido como um brilhante argumento de peso?
    A Bíblia é um exercício fantástico de pensamento diferente, novo, desafiador, contra-corrente. A Bíblia é um livro de liberdade de pensamento e não de cristalização de doutrina...
    Será que custa tanto a um crente dizer: eu sou um amigo da sabedoria, uma pessoa que se aplica ao estudo de princípios e causas, um sábio, um livre pensador, aquele que tem um viver sereno e tranquilo, indiferente às coisas e preconceitos ou convenções do mundo. (do meu amado dicionário de Figueiredo)

     
  • At 19 de janeiro de 2007 às 19:41, Blogger zazie said…

    Porque é que se tem tanto medo da filosofia? Porque é que ninguém quer ser apanhado a pensar como um filosofo?

    So what? qual foi o pensamento que retirou daquele texto?

     
  • At 22 de janeiro de 2007 às 19:01, Anonymous Anónimo said…

    Capacidade de auto-determinação define uma pessoa?
    O rei Herodes votaria "Sim". Aquilo foi uma razia no que respeita a matar não-pessoas...

     
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