quinta-feira, fevereiro 01, 2007
Sobre o aborto: perguntas para cristãos.
Cada vida humana é um dom de Deus ou existe por acaso? Se é um dom de Deus quem somos nós para “emendar” a resolução divina? Acaso sabe o ser humano mais do que o Omnisciente? Deus, e a maneira como O tratamos, é um dado secundário da questão?

Pedro Leal
posted by @ 11:47 da tarde  
14 Comments:
  • At 2 de fevereiro de 2007 às 00:22, Blogger cbs said…

    Cada vida humana é um dom de Deus ou existe por acaso?

    Tudo é um dom de Deus, mas Ele libertou-nos o arbítrio, o dom da liberdade e da escolha, inclusive entre Bem e Mal.

    Quem somos nós para “emendar” a resolução divina?
    Acaso sabe o ser humano mais do que o Omnisciente?

     
  • At 2 de fevereiro de 2007 às 00:55, Blogger Miguel Marujo said…

    muito bem, cbs...

     
  • At 2 de fevereiro de 2007 às 11:50, Blogger CC said…

    Então, cbs, como Deus nos deu o dom da liberdade, temos de fazer o Mal de vez em quando, para não O ofender a praticar só o Bem?

    Já agora, quem é que assina o post?

     
  • At 2 de fevereiro de 2007 às 12:16, Blogger cbs said…

    exactamente Carlos...
    só retiraria o "temos de", pois existe sempre escolha, desde que haja consciencia.

    Mas Ele reconhece e aceita os nossos erros; por isso também instituiu o Perdão, não foi assim?

    Eu prefiro que não aconteça o "aborto", mas acho que a decisão é íntima, na consciencia de cada um... entre eu e o meu Deus, se quiseres.

     
  • At 2 de fevereiro de 2007 às 12:38, Blogger CC said…

    Sim, cbs, nesse campo, é sempre uma decisão na consciência de cada um. Como é qualquer outro acto com consequências para terceiros. O parricídio também parte de uma decisão íntima, na consciência de de quem o pratica.
    E então? É aceitável?

    Repara que o parricídio não deve ser uma decisão tomada "de ânimo leve" e deve ser apenas "em último recurso". E penso que acarretará ao seu autor grandes perturbações psicológicas (matar o pai ou a mãe não deve ser uma decisão fácil de tomar). E, ainda por cima, o pobre parricida vai preso, sujeito a perseguição e à humilhação do julgamento.

     
  • At 2 de fevereiro de 2007 às 19:25, Blogger cbs said…

    Ai CC
    se há coisa que me custa discutir é esta.
    passei por isto, votei da outra vez, hei-de ir votar de novo...
    mas não me apetece voltar ao princípio.
    Digo-te apenas que a questão não me parece discutivel no ambito da biologia, se é ou não é vida, onde começa a vida, etc, etc.
    A vida começou há uns milhares de milhões de anos (aqui, não sabemos do resto) e não começa em cada reprodução, continua, é um fenômeno que se mantém e prossegue...

    A vida de um novo humano é que tem início (não a Vida em si), mas os critérios biológicos (um ser autónomo) ou filosóficos (uma pessoa)são dificeis e ainda discutíveis.
    Passa-se de uma mera fusão de células até a um organismo viável fora do útero por volta das 20 semanas.
    Aquela fusão de gametas inicial não é de todo um ser humano e menos uma pessoa, mas é vida humana.
    Achas então que é comparável ao parricídio... ao homicídio portanto.
    Eu não acho CC...
    mas sempre te digo que em condições muito especiais admito que matar ( o que decerto me transformaria numa pessoa pior)

    E no entanto, não só condeno o homicídio como lamento que a humanidade o faça.
    Mas não comparo, peço desculpa, mas não vejo comparação entre a interrupção precoce de uma gravidez e um homicidio.

     
  • At 2 de fevereiro de 2007 às 20:56, Anonymous Anónimo said…

    Não, cbs, eu não acho o aborto comparável ao homicídio. De todo.

    Eu comparei-os apenas para demonstrar que o teu argumento (de que o aborto é só uma questão de consciência e de que mais ninguém tem nada a ver com isso) é manifestamente insuficiente para decidir uma questão destas.

    Também estou cansado desta discussão, acredita. Mas só falta uma semana. E também vou votar.

     
  • At 2 de fevereiro de 2007 às 21:33, Anonymous Anónimo said…

    cbs

    Não questiono a capacidade de opção. As minhas perguntas são sobre a escolha certa no momento de optar.
    Não consigo conceber um cristão que não queira cumprir a vontade de Deus. Esse desejo é parte integrante do amor a Deus. Podemos amar a Deus e não querer saber da Sua vontade? Não me parece possível. Claro que temos o perdão. Mas o perdão é para o depois. Para o antes está a busca da vontade de Deus.
    Se Deus decide dar a vida (aqui concordamos…), então quem somos nós para contrariar essa decisão? Deus é leviano? Deus não percebe tanto da “realidade concreta” como nós? Que tipo de deus é este que precisa de uma “mãozinha” nossa para corrigir as suas distracções?
    Cada aborto provocado é uma interrupção da vontade de Deus (IVD). Eu não apoiarei uma lei que baixos os braços e, na prática, aumenta os números do problema.

    Pedro Leal

     
  • At 3 de fevereiro de 2007 às 01:52, Blogger cbs said…

    Pedro
    Como eu dizia, queria ir votar em consciência, mas tranquilo.
    Por isso tenho-me furtado à discussão, que de resto e no geral é assaz estéril, em especial quando se mete a biologia na questão.
    Mas não assim, quando a questão é moral e menos ainda quando se torna religiosa.
    Pois, se por meio de vós irmãos, o Pai não me deixa ir votar em paz… pois então, faça-se a Sua vontade.

    Falas tu da “escolha certa” que será “cumprir a vontade de Deus, parte integrante do amor a Deus”.
    Acrescento eu que tudo o que se opõe à vida, segundo a Igreja Católica Apostólica Romana, é um mal que corrompe a Humanidade e ofende a honra devida ao Pai; a saber:
    O homicídio
    O genocídio
    O aborto
    A eutanásia
    O próprio suicídio voluntário

    E devo esclarecer que discordo (de Deus? Da Igreja?), pois digo que em casos excepcionais admito e assumo o homicídio, o aborto e o suicídio.
    Mais, mantenho mesmo que, em certas condições não o fazer é um acto de desumanidade.
    Por exemplo, a violência da besta (humana ou não), pode justificar matar na defesa do mais fraco.
    Por exemplo, o sofrimento da mulher violada, pode justificar o aborto precoce assistido (a pedido).
    Por exemplo, o sofrimento de verdadeira tortura de que padecem certos acamados, já sem esperança, pode justificar o suicídio assistido (a pedido)
    Mas digo também, que se devo fazer tudo para evitar qualquer acção de morte, estas inclusive.

    Sei perfeitamente que a Igreja me condena por pensar isto.
    É minha esperança que o Deus meu Pai não me condene e perdoe.
    Corro esse risco, com ou sem perdão, porque só assim consigo ser.

     
  • At 3 de fevereiro de 2007 às 02:01, Blogger cbs said…

    Quanto ao Bem (a escolha certa) e a vontade de Deus, devo dizer-te Pedro, como decerto já suspeitarias, que tenho muitas dúvidas e poucas certezas… humildemente.
    Porque de facto, sou cristão, não porque assim fui educado (e fui), mas porque o amor de Jesus Cristo me assaltou um dia já adulto.
    A minha admiração pelo Cristianismo advém desta Fé ter tido a “lata” (perdoa-me a expressão) de transformar Deus em homem.
    Foi a única que eu saiba, que retirou Deus do Sacro afastamento lá no Alto e O fez nascer entre nós.
    Foram as palavras com que Ele resumiu em dois as dez vontades (as escolhas certas) do Deus de Moisés, foram essas palavras que me atraíram a Ele:
    O amor divino ascensional “sede perfeitos como o Pai é perfeito”
    O amor ao próximo horizontal “amai-vos uns aos outros, como Eu vos amei”
    Nem creio que estas palavras pudessem surgir do real egoísmo humano, só podem ter origem transcendente, não natural.

    No segundo mandamento, Cristo propõe-nos considerar o próximo, não como o “outro” mas como um “outro eu”;
    Urge tornarmo-nos o próximo de todo o humano.
    O nosso amor deve estender-se também àqueles que pensam e actuam de modo diferente de nós.
    Evidentemente que esse amor de modo algum nos deve tornar indiferentes perante aquilo que consideramos um mal (seja o que for), mas o Cristão (na minha opinião) deve distinguir sempre o erro, daquele que erra.
    Porque só Deus penetra os corações e pode ser Juíz.
    Por isso, apesar de não desejar (e de o dizer) que as mulheres abortem, abstenho-me de julgar a culpabilidade íntima de qualquer pessoa.
    Até porque fui o primeiro a errar (pessoas que amava abortaram com a minha compreensão, dolorosa);
    Até porque Ele próprio sempre nos mostrou o Bem, mas nunca nos impôs.

    Um abraço deste cristão rebelde

     
  • At 3 de fevereiro de 2007 às 21:19, Blogger Miguel Marujo said…

    abençoados os únicos que sabem sempre qual é a «vontade de Deus»...

     
  • At 3 de fevereiro de 2007 às 23:48, Blogger cbs said…

    na minha modesta opinião, a vontade de Deus é que amemos, no sentido de dádiva sem condições, e isso... não é humano.
    como todos comprovamos quotidianamente

    obrigado Miguel pelo apoio.
    é dificil defender algo tão frágil, tão "errado", como o direito de errar.
    Para mais quando também se está convencido dos argumentos que se opõem.

     
  • At 4 de fevereiro de 2007 às 01:38, Anonymous Anónimo said…

    Ó cbs, que eu saiba, a Igreja não o «condena» por nada, muito menos por pensar em alguma coisa.
    Depois, basta consultar um mero Catecismo, para ver que, nos casos que dá exemplo, a doutrina da Igreja assemelha-se à sua posição.

    Olhe que ser um católico "rebelde" não é assim tão fácil. Tem de se esforçar mais.

     
  • At 4 de fevereiro de 2007 às 01:49, Blogger cbs said…

    :)
    sim basta consultar o catecismo, como fiz, lol

     
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