sexta-feira, fevereiro 08, 2008
Fasting television
Tiago, com estas modernices qualquer dia ainda estamos para aqui a falar de Carnaval evangélico (47 dias antes da Páscoa)…
Quanto ao artigo, nada a obstar ao jejum e à valorização da Páscoa (aqui devíamos ir até mais longe e olhar para o Ortodoxos que a têm como principal celebração anual). Parece-me que, no entanto, há uma certa leviandade pós-moderna em escolher rituais “por “menu“. Como se eles não estivessem agarrados a uma história e a um contexto doutrinário. Mas se assim pelo menos durante 40 dias “jejuam da televisão” e “oram e lêem a Bíblia diariamente”, que seja. O que os não ritualista podem fazer é desafiá-los continuar isso noutras alturas do ano.

Pedro Leal
posted by @ 12:36 da tarde  
10 Comments:
  • At 8 de fevereiro de 2008 às 13:44, Blogger cbs said…

    Pedro, essa dos não-ritualistas é gira, lol

    mas agora a sério.
    penso o ritual como uma síntese, é como que mobilar o tempo, como dizia o Pessoa, creio.
    Como pode um pobre de Deus ter tempo para pensar se não arrumar o seu nicho ecológico?
    Nos rituais, sejam quais forem, estão sintetizadas as ideias básicas e estão referenciados os acontecimentos importantes, mas não são nunca a essencia, são meros resumos instrumentais, são referencias, são o esqueleto sobre o qual se apoia e cresce aquilo que é etéreo.
    Mas é no "etéreo" é que está o espírito e a essencia das coisas, sejam elas quais forem.

    Claro que se nos confinarmos ao ritual, sem conteudo, apenas ligando à letra de forma, ficamos vazios. Mas nunca foi assim que a Igreja pensou os ritos.
    Penso eu de que...

     
  • At 8 de fevereiro de 2008 às 16:07, Blogger David Cameira said…

    Pedro Leal,

    Posso usar este teu post no meu blog ?

    David Cameira

     
  • At 8 de fevereiro de 2008 às 22:17, Blogger Tiago Oliveira said…

    Este comentário foi removido pelo autor.

     
  • At 8 de fevereiro de 2008 às 22:38, Blogger Tiago Oliveira said…

    Ó Pedro,
    tenho só uma dúvida em relação a essa ideia tua posição de "não ritualista" (que só por si já é altamente depreciativa em relação aos supostos ritualistas).

    A celebração da Páscoa e do Natal não são, no mesmo sentido da quaresma, rituais? A celebração do Baptismo e da Ceia do Senhor não são rituais? A celebração do culto dominical não é um ritual?

    Porque não, no mesmo sentido, abolir a celebração do Natal? Porque, afinal de contas, o Natal é para ser vivido todos os dias. Porque não abolir os cultos dominicais? Afinal, o culto a Deus é o "sacrifício vivo" diário?

    Por outro lado, de certa forma, não somos nós animais rituais? Não vivemos em ciclos: diários, semanais, mensais, anuais?

    Esses ciclos sempre se manifestaram também ao nível da vivência da espiritualidade tanto judaica como cristã (não é uma invenção católica). Assim, pensar em ciclos litúrgicos não é "leviandade pós-moderna", é simplesmente reconhecer a história.

    E, neste sentido, o que queres dizer com
    "Parece-me que, no entanto, há uma certa leviandade pós-moderna em escolher rituais “por “menu“. Como se eles não estivessem agarrados a uma história e a um contexto doutrinário."?

    Essa opinião surge apenas porque "tudo cheira a católico tem de ser banido como obra do demo"? Há consciência da tua parte que é muito mais uma modernice evangélica (e não digo protestante) a nossa ausência de preparação para as principais festas (Natal e Páscoa)? Há consciência da tua parte que algo como a quaresma é uma prática que pode ser atestada como tal já no segundo século?

    Leviandade é celebrar sem preparar (sem esquecer claro as nossas queridas peças para entreter a malta!). Responsabilidade é pensar antes de celebrar. É aproveitar o período da celebração para meditar sobre o que é celebrado. A Quaresma nada mais é que isso.

    Não fazemos isso de outras maneiras? Porquê fazer retiros? Serão eles meros exercícios de espiritualidade sem sentido? Porquê separar tempo individual e comunitário para refletir? Não é uma perca de tempo?

    A quaresma (tal como o advento) é um tempo que pode ser usado para pensar sobre morte e ressurreição, de Cristo e nossa. Não pode ser feito noutra altura? Pode. Mas porque não fazer exactamente na altura em que é celebrada?

    Assim resumo:
    Quaresma é um ritual? No melhor dos sentidos: sim! A celebração da Páscoa é um ritual, o Natal também, os nossos cultos dominicais também, o sono todas as noites também, as refeições diárias também, etc... O ritual é parte da criação ( a cada dia, uma parte é feita, no sétimo dia descansou! - e este ritual mantém até hoje).

    A Quaresma é uma leviandade pós-moderna e está agarrada a um contexto doutrinário (leia-se Igreja Católica Apóstólica Romana)? Não! É uma prática muito mais antiga que isso e apenas porque cheira a Roma atira-la fora.

     
  • At 9 de fevereiro de 2008 às 00:09, Blogger Hadassah said…

    Os nossos "irmãos" católicos são os discípulos debruçados sobre o túmulo, a lamentar a morte de Jesus. Nós os evangélicos, somos os discípulos depois da aparição de Jesus.
    Vejo as coisas assim...e de facto, pode-se dizer que se complementam...mas a vitória da ressurreição é mais vivida deste lado...talvez fiquemos a ganhar, nesse aspecto.

     
  • At 9 de fevereiro de 2008 às 01:28, Blogger Pedro L. said…

    Cbs

    Se interpretaste “não-ritualistas” como puros, como não infectados por qualquer tipo de ritual, e agora vejo que essa interpretação é possível, então o teu lol está correcto. Mas não era esse o objectivo. Queria qualificar apenas os que, assumindo que o ritual faz parte da vida, os querem reduzir ao essencial.

    Tiago

    Partindo da explicação ao cbs, digo-te que não vejo muitos dos exemplos que dás como rituais. Indo ao dicionário: ritual vem de rito, e rito quer dizer “ordem prescrita, ou conjunto de ordens, para efectivação de uma cerimónia”.
    Também não digo que a Quaresma não possa trazer benefícios. O que eu digo é que a sua institucionalização pode causar dissabores. Basta ver o que aconteceu até há pouco tempo em Portugal. Tu deves saber, mas se não souberes pergunta a alguém mais velho, o que era a bula ou indulto para poder comer carne durante a Quaresma. O cbs diz que “nunca foi assim que a Igreja pensou os ritos.” Mas isto não é desculpa, claro. A responsabilidade da igreja não acaba nas boas intenções. Por isso mesmo é que os evangélicos cortaram com a Quaresma e outros rituais. A lógica é, em parte, a mesma da abolição das imagens. Para alguns, mais maduros na fé, a estatueta no altar pode até ser um bom objecto de contemplação, mas, olhando à nossa volta, percebemos que os danos causados ao Evangelho são imensamente maiores do que qualquer eventual benefício. É nesta perspectiva que uso a palavra “leviandade” (o que, não tendo eu conhecimento profundo das situações em causa, pode ser um tanto ou quanto leviano, reconheço). Parece-me que é um pouco “brincar com o fogo”. Uma atitude pós-moderna, no sentido de quase adolescente, tipo “os antigos foram uns brutos, ao cortarem com tudo, mas agora os tempos são outros e eu vou escolher dois ou três rituais e vou ser capaz de os domar”. Olho para a história dos evangélicos e vejo que a sua grande força foi terem sido capazes de abdicar do conforto de rituais, intermediários e figurações. Isto porque tinham o mais importante: a presença de Cristo e a Sua Palavra.
    Também aceito, pelo pouco que conheço, os problemas que apontas às igrejas. Mas não me parece que a solução seja repescar rituais.

    David

    Claro.

     
  • At 9 de fevereiro de 2008 às 12:23, Blogger cbs said…

    Pedro
    estava apenas a brincar com a tua expressão. Nunca me lembraria dessa dos "não-ritualistas" e além de singular, mais nada, não me entendas mal.
    Mas de facto não me parece muito adequada, nem sequer aos evangélicos. Como explicou o Tiago Oliveira. Não tenho nada a acrescentar, aliás sigo o Tiago em quase tudo porque é muito claro - devia dizer mais, mais vezes :)

    Fico é sempre com a impressão de que a "aversão" dos evangélicos aos rituais confunde a forma com o conteúdo. E repito, se esvaziar a forma de conteudo, não há ritual que nos valha (mesmo assim a memória investigada, pode sempre levar à ressuscitação do essencial perdido). Mas o humano é um animal cultural e isso implica sempre ritos; como disse são sínteses que ajudam a gerir o tempo (é antropológico).

    Resumindo, com ou sem ritual, o que importa é chamar a atenção para o importante, "First things, first"... e acho que o ritual (como a arte, aliás), longe de ser um defeito, pode ser um acréscimo e uma ajuda na Fé.

    abraço em Cristo

     
  • At 9 de fevereiro de 2008 às 12:45, Blogger cbs said…

    "Os nossos "irmãos" católicos são os discípulos debruçados sobre o túmulo, a lamentar a morte de Jesus.
    Nós os evangélicos, somos os discípulos depois da aparição de Jesus"

    Querida Hadassah, garanto-te que não sou um cristão cangalheiro conforme pareces supor, lol
    e garanto-te que a Glória de Cristo (como aliás o Natal) é para mim o momento mais importante do "ritual" da Páscoa. O essencial do Cristianismo está na Ressureição e a Igreja Católica afirma-o sem hesitar.

    abraço

     
  • At 9 de fevereiro de 2008 às 19:25, Blogger josé said…

    Cbs, olha que eu cá enfio com gosto a carapuça tanatória da hadassah. Para mim o que mais vale é a Paixão pública de Cristo Deus, mais do que a Sua Ressurreição. Ele disse-nos que "o não há maior amor do que dar a vida por aqueles a quem se ama". Foi ao morrer às nossas mãos que Deus se nos ofereceu em toda a Sua natureza. Ressuscitou na Terra, sim senhor, mas apenas para que acreditássemos Nele.
    Eu cá penso que nem disso eu precisaria. Mas isto sou eu, claro, e é assim que entendo a Páscoa.

     
  • At 9 de fevereiro de 2008 às 20:23, Blogger cbs said…

    Já me baralhas-te José, hehehe
    De facto creio que a Igreja, e eu pelo menos, considera a Ressureição como o dado fulcral da fé cristã. Entre outras, lembro-me das palavras de S.Paulo.
    Mas baralhas-te-me... tens razão quanto ao valor da Paixão, que creio ser a expressão completa do Amor de Deus.
    Pode portanto acontecer, no drama pascal, que haja maior valor na Morte do que na Vida... não sei balançar.

    Mas eu cá, reitero teimosamente: santa paciencia, cangalheiro não!
    abraço :)

     
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